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Eventos lembram morte de Mestre Vitalino

10/06/2008

Mestre Vitalino morreu há 44 anos
 

Há exatos 44 anos, o Brasil perdia um dos símbolos da cultura popular: Vitalino Pereira dos Santos, o Mestre Vitalino. Para lembrar a data, familiares, amigos e representantes da Fundação de Cultura visitam o túmulo do artista, no Cemitério Dom Bosco, nesta cidade do Agreste. No domingo haverá missa na Igreja de São José, no Alto do Moura. Foi nessa comunidade, distante oito quilômetros do Centro, que Vitalino desenvolveu seu dom artístico e elevou o conceito da cerâmica figurativa no País.

Antes de Vitalino, as discussões sobre as artes brasileiras se restringiam ao mundo acadêmico e praticamente não levavam em consideração a cultura popular. "Vitalino é a maior expressão da arte popular brasileira. Ele abriu caminhos. Vitalino fez no barro o que Luiz Gonzaga fez com a música", diz o diretor de Documentação e Patrimônio Cultural da Fundação de Cultura de Caruaru, Walmiré Dimerom.

Seus trabalhos incentivaram outros artistas do barro e sua vida marcou a história de Caruaru, que até hoje é conhecida como a Terra do Mestre Vitalino. O artista nasceu no Sítio Campos, no dia 10 de julho de 1909, e começou a desenvolver seu talento aos 6 anos. O menino aproveitava o resto de barro utilizado pela mãe, que era ceramista, para fazer seus primeiros bonecos, que aos poucos foram tomando vida própria.

Sua primeira peça, um gato maracajá trepado em uma árvore, foi comprada na feira por uma senhora do Recife. Ainda adolescente, dedicou-se também à música, tocando em bandas de pífanos de várias cidades da região. A partir da década de 40, sua arte começou a ser reconhecida em revistas e exposições em várias partes do País.

Em 1948 mudou-se com a família para o Alto do Moura, onde viveu até morrer de varíola no dia 20 de janeiro de 1963. Suas obras retratam com simplicidade e beleza o cotidiano e as tradições do povo nordestino. Em 1957, foram catalogados 118 temas criados pelo artista.

A casa onde Vitalino morou no Alto do Moura foi tombada e se transformou em museu. Quem recebe os turistas e conta um pouco desse história é Severino Vitalino, um dos quatro filhos do artista que ainda vivem na comunidade. "Ele não sai da minha memória. Lembro dele todo dia." Severino preserva a tradição fazendo os bonecos que deram fama a Caruaru e ao Alto do Moura.

(© JC Online, 20.01.2007)


Mestre Vitalino é referência no desfile da Mocidade Independente, no Rio

Em seu segundo ensaio técnico na Marquês de Sapucaí, a Mocidade Independente de Padre Miguel mostrou que está disposta a reencontrar seu caminho no carnaval carioca. Dona de cinco títulos na Avenida, a verde-e-branco quer deixar de lado a má fase dos últimos anos cantando o artesanato brasileiro com o enredo “O futuro do pretérito: uma história feita à mão”, do carnavalesco Alex de Souza. Um dos destaques da noite foi a bateria de Mestre Jonas, que mostrou quatro paradinhas para o público, presente dos setores 1 ao 11

Antes de começar o ensaio, a Mocidade reverenciou seu passado de glória ao esquentar a Avenida com “Vira, virou, a Mocidade chegou”, de 1990, e o samba-exaltação “Salve a Mocidade”. Em sua forma original, apresentando ao público as paradinhas que consagraram a agremiação na década de 60, os ritmistas mostraram por que “Padre Miguel é a capital / Da escola de samba que bate melhor no carnaval”. Este ano, Mestre Jonas quer ousar com uma “paradona” de 15 segundos, em que os ritmistas param de tocar e “congelam” em plena Avenida.

“Vamos representar os bonecos de barro feitos no Nordeste, e não é só na fantasia. Vamos parar com todos os instrumentos para o samba da Mocidade ficar só no gogó dos componentes. Carnaval é isso: tem que arriscar. Mas estamos confiantes”, declarou Jonas.

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcelo e Marcella Alves, se apresentaram com a fantasia do carnaval passado. Este ano, eles prometem uma fantasia arrojada, que vai fazer uma representação de um futuro robótico, dentro do primeiro setor da Mocidade.

“A fantasia, este ano, é mais leve e conta com um trabalho artesanal, para se adequar ao enredo. Nosso entrosamento tem sido muito bom. Estamos nos esforçando muito e ensaiando sem descanso na Sapucaí”, disse Marcella, em seu segundo ano defendendo as cores de Padre Miguel.

A Mocidade levou para o ensaio uma mini-alegoria e mais três destaques de chão. Muitas alas mostraram leveza, com os componentes brincando soltos na Avenida, ao som do intérprete Bruno Ribas, em sua estréia na verde-e-branca. O entrosamento dele com a bateria de Mestre Jonas foi o ponto alto da noite. Resultado? O samba deste ano pôde ser ouvido de ponta a ponta da escola.

Madrinha de bateria cai e desfila descalça no ensaio

A madrinha de bateria da Mocidade, Janaína Barbosa, esteve presente no ensaio técnico desta sexta. Pela primeira vez no posto, a paulista de 29 anos diz que sua fantasia vai ser comportada e com muito brilho. Na Avenida, ela vai representar o artesanato nordestino.

“É um prazer muito grande participar dessa festa cultural que eu amo, ainda mais pela Mocidade”, disse a moça, que, em matéria de ziriguidum, mostrou que ainda lhe falta samba no pé – pelo menos, em cima do salto. A madrinha caiu duas vezes, bem em frente aos setores 1 e 3, e teve que tirar os sapatos para continuar o ensaio.

Ao lado de Janaína, estava a musa da bateria da escola, Tathiana Pagung. Dividir o espaço na frente da bateria da Mocidade Independente não é problema para a modelo, que desfila pela primeira vez à frente dos ritmistas de Padre Miguel.

“Desfilar com Janaína na minha escola do coração só soma. Para mim, tudo é alegria”, comentou a beldade, que promete uma fantasia artesanal, bem de acordo com o enredo da escola. “Minha fantasia é inspirada na obra do Mestre Vitalino. Vai ter um quê de Maria Bonita”, adiantou.

(© G1)


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