Mestre
Vitalino morreu há 44 anos
Antes de Vitalino, as discussões sobre as artes brasileiras se restringiam ao mundo acadêmico e praticamente não levavam em consideração a cultura popular. "Vitalino é a maior expressão da arte popular brasileira. Ele abriu caminhos. Vitalino fez no barro o que Luiz Gonzaga fez com a música", diz o diretor de Documentação e Patrimônio Cultural da Fundação de Cultura de Caruaru, Walmiré Dimerom.
Seus trabalhos incentivaram outros artistas do barro e sua vida marcou a história de Caruaru, que até hoje é conhecida como a Terra do Mestre Vitalino. O artista nasceu no Sítio Campos, no dia 10 de julho de 1909, e começou a desenvolver seu talento aos 6 anos. O menino aproveitava o resto de barro utilizado pela mãe, que era ceramista, para fazer seus primeiros bonecos, que aos poucos foram tomando vida própria.
Sua primeira peça, um gato maracajá trepado em uma árvore, foi comprada na feira por uma senhora do Recife. Ainda adolescente, dedicou-se também à música, tocando em bandas de pífanos de várias cidades da região. A partir da década de 40, sua arte começou a ser reconhecida em revistas e exposições em várias partes do País.
Em 1948 mudou-se com a família para o Alto do Moura, onde viveu até morrer de varíola no dia 20 de janeiro de 1963. Suas obras retratam com simplicidade e beleza o cotidiano e as tradições do povo nordestino. Em 1957, foram catalogados 118 temas criados pelo artista.
A casa onde Vitalino morou no Alto do Moura foi tombada e se transformou em museu. Quem recebe os turistas e conta um pouco desse história é Severino Vitalino, um dos quatro filhos do artista que ainda vivem na comunidade. "Ele não sai da minha memória. Lembro dele todo dia." Severino preserva a tradição fazendo os bonecos que deram fama a Caruaru e ao Alto do Moura.