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Foto JC
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Curadora
e jornalista Cristiana Tejo assume oficialmente o Museu de Arte Moderna
Aloísio Magalhães, com intuito de dar maior visibilidade
OLÍVIA MINDÊLO
Se nos seus dez anos de atividade o Museu de Arte Moderna Aloísio
Magalhães (Mamam) conseguiu angariar territórios no circuito nacional,
desta vez o espaço vai concentrar os esforços em outras duas diretrizes:
a divulgação local e internacional do museu. Essa foi uma das principais
novidades do novo plano de gestão da instituição, anunciado ontem,
durante entrevista coletiva na Secretaria de Cultura do Recife, à qual o
Mamam está atrelado.
O motivo do encontro com a imprensa foi, na verdade, para apresentar
o nome e os projetos da nova diretora do museu: Cristiana Tejo,
jornalista e curadora que chega para substituir Moacir do Anjos, no
cargo durante seis anos. Apesar do excelente trabalho desenvolvido pelos
ex-diretores – tanto Moacir quanto Marcos Lontra (o primeiro) –, a
entrada de Cristiana vem para dar uma sacudida e um sangue novo ao
Mamam, cuja programação é uma das mais ativas e interessantes da cidade.
Aumentar a visitação do público local, por exemplo, é uma das
necessidades que, mesmo com os grandes projetos, não conseguiu ser
suprida na gestão anterior, visto o trabalho de formiguinha que é tentar
conquistar um público pouco apto às inovações contemporâneas, ou mesmo à
visitação de museus. “Chegou o momento de o Recife conhecer o Mamam. O
educativo vai trabalhar muito para isso”, disse Cristiana. Uma das
estratégias será, entre outras coisas, incluir no material institucional
das exposições informações mais detalhadas sobre o museu e como chegar
até ele, através de mapa e indicações de ônibus, por exemplo.
A diretora ressaltou, no entanto, que pretende dar continuidade à
linha de atuação apostada nas gestões anteriores, cujo um dos centrais
focos foi conceber exposições com assinatura curatorial, não esperando
apenas projetos prontos. “Minha intenção é dar segmento ao que foi
feito. Não quero inventar a roda, mas fazer a roda andar. Quero
solidificar os passos do museu, para que ele não enfraqueça. É tomar pé
do que foi conquistado e olhar para a frente”, reiterou.
Nesse sentido, ela revelou que pretende trazer ao Mamam uma exposição
individual do artista plástico Hélio Oiticica (1937- 1980), com todas as
obras do projeto Cosmococa, realizado há mais de 30 anos por esse
que é um dos nomes de maior referência da arte contemporânea brasileira.
Quanto ao Mamam no Pátio, anexo da instituição localizado no Pátio de
São Pedro, Cristiana também vai manter a proposta mais experimental da
casa, inaugurada no ano passado. Para isso, já tem os nomes das sete
artistas, além de um grupo, selecionados para ocupar a pauta de 2007,
nas categorias de perfomance e exposição, a partir de março. São elas:
Carla Zaccagnini (SP), Débora Bolsoni (SP), Laura Belém (MG), Lívia
Flores (RJ), em mostras, e em performance, Amanda Melo (PE), Cinthia
Marcelle (MG), Daniela Mattos (RJ) e o Grupo Empreza (GO).
A programação do Mamam, na Rua da Aurora, no entanto, ainda está
indefinida. Tudo indica que o museu entrará em reformas ainda neste
semestre. A obra, inclusive, é fundamental para consolidar a boa
reputação do espaço, porque irá instalar o tão necessário elevador no
prédio, além de rampas, um café-bistrô e uma lojinha, que vai vender
produtos diferenciados não só de arte, mas de design, artesanato e moda.
O elevador deverá ser colocado atrás da escadaria, ocupando o espaço de
uma das salas expositivas do térreo.
Enquanto isso, Cristiana viaja até a China, para participar de
seminário que vai fechar convênio com entidade européia. “Dois mil e
oito será o ano do Mamam”, anunciou.
(©
JC Online)
ARTES VISUAIS
Todas as crias do Mamam em livro
Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães lança hoje, às 19h, o
inventário com as mais de mil obras de sua reserva técnica
OLÍVIA MINDÊLO
O Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam) completa
este ano uma década de existência. Enquanto as comemorações oficiais
não chegam, o espaço compartilha hoje, às 19h, o nascimento do maior
de seus filhos, aliás, da mãe de todas as suas crias: Coleção
Mamam – inventário, livro que reúne as mais de mil obras de sua
diversa reserva técnica.
Da arte moderna à contemporânea, é extensa a lista de nomes
consagrados do País presentes na coleção, adquirida avia doações e
compras. Vicente do Rego Monteiro, Tarsila do Amaral, Lula Cardoso
Ayres, Cícero Dias, Abelardo da Hora, Gilvan Samico, João Câmara e
Aloísio Magalhães são alguns deles. De arte contemporânea, há
assinaturas de respaldo, como as de Lúcia Koch, Cildo Meireles,
Rosângela Rennó e Nelson Leirner, que doaram algumas de suas obras
depois de exporem no Mamam. Ao todo, o acervo compreende desde telas
modernas de valor histórico, como as 11 pinturas de Vicente do Rego
Monteiro, até vídeos, instalações, gravuras, desenhos, site
specifics (instalações projetadas especificamente para determinados
espaços), fotografias e outros suportes.
Os trabalhos vêm, no livro, acompanhados de imagens e informações
técnicas, divididas por ordem alfabética dos sobrenomes, ao longo de
100 páginas. Trata-se da primeira catalogação completa do acervo do
Mamam. Para os interessados, o inventário estará à venda hoje, na
ocasião do lançamento. Mas vale um aviso: não se trata de um grande
e pomposo catálogo, com imagens das obras em alta qualidade. É quase
um índice remissivo do que há na sala da reserva técnica da
instituição – as fotografias são pequenas e em preto-e-branco. É
ideal para curadores e instituições que queiram realizar exposições
com o acervo.
“O inventário é um documento que torna público o acervo do museu.
Não é um catálogo de apresentação, é um registro”, justifica Moacir
dos Anjos, diretor do Mamam até 2006. Durante sua gestão, as peças
da coleção também passaram por um processo de digitalização. Essas
imagens digitalizadas, no entanto, encontram-se disponíveis apenas
na sede do Mamam. “O projeto é que o banco vá para a internet e
possa fazer parte também do site do Mamam. A idéia é que, no futuro,
o arquivo faça parte de uma rede de museus”, explica Moacir.
Essas obras passaram por um processo de higienização, restauro e
acondicionamento. Um sinal de que um museu de arte moderna e
contemporânea deve se preocupar com o valor histórico de sua
coleção.
DIRETORIA – Enquanto isso, a recém-empossada diretora do
Mamam, Cristiana Tejo, fecha com a Secretaria de Cultura do Recife,
à qual o museu está vinculado, os planos para a atual gestão. Dar
continuidade à linha de trabalho desenvolvida por Marcos Lontra e
aprofundada por Moacir dos Anjos é uma das suas intenções.
Lançamento do livro Coleção Mamam - inventário, hoje, às 19h,
no Mamam – Rua da Aurora, 265, Boa Vista. Preço: R$ 40
(©
JC Online, 25.01.2007)
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