Cineasta que registrou várias cenas da cultura
pernambucana, em Super 8, é homenageado hoje
MARCOS TOLEDO
O que é um 80 senão um super 8? Pedimos essa
licença poética para ilustrar o momento em que vive
o realizador Fernando Spencer, o cineasta das três
bitolas, que soube nos momentos de maior
dificuldade, impossibilitado de rodar seus filmes 16
mm e 35 mm, adotar o formato amador Super 8 para
realizar obras que ficaram marcadas na história do
cinema pernambucano.
Aos 80 anos, completados no último dia 17,
Spencer é mais uma vez homenageado hoje com o
lançamento do DVD duplo Paixão de cinema,
título do documentário de Marcílio Brandão que conta
sua trajetória, e que traz uma mostra de 13 de seus
mais de 40 curtas-metragens realizados em uma
carreira de 40 anos e que, a julgar por seus
projetos, está longe de terminar. O evento acontece
no Cinema da Fundação, às 19h. O acesso é gratuito.
Na era digital, em que HDs de memória de todos os
tamanhos substituem discos, fitas e filmes, Super 8
parece coisa de filme de Indiana Jones. Mas foi com
essa bitola, e com o 16 mm, o 35 mm, e ainda mais
recentemente com o vídeo, que Spencer presenteou
Pernambuco com um acervo de imagens muitas delas
certamente únicas sobre o cotidiano, as fantasias e
a cultura do Estado.
E o cineasta fez tudo isso por conhecimento
profundo, de pesquisador da história do cinema
local, no qual só realiza quem faz tudo com muita
paixão e determinação. Conhecimento adquirido na
carreira paralela de jornalista (1958-1998), na qual
se especializou em crítica de cinema. Tudo isso está
devidamente documentado em Paixão de cinema,
documentário rodado em 2004 e lançado no ano
seguinte, e que agora está disponível em DVD para
quem quiser comprar, dividindo as prateleiras com os
títulos que Spencer viu na tela grande e não cansa
de rever em casa, diariamente.
Junto ao vídeo de Marcílio, há 13 trabalhos de
Spencer, dos 29 (de um total de 42) que foram
digitalizados na íntegra para ilustrar com qualidade
o documentário. Restam 16 obras que podem, se houver
financiamento, completar a filmografia selecionada
pelo próprio autor, que faz a ligação dos pioneiros
do Ciclo do Recife (anos de 1920 e 1930) com o Árido
Movie. Sim, porque, como se vê em Paixão de
cinema, ao mesmo tempo em que Spencer resgata os
artistas do passado em curtas como Estrelas de
celulóide, Almeri & Ari: Ciclo do Recife e da
vida e História de amor em 16 quadros por
segundo (todos disponíveis no DVD), ele mesmo é
personagem de O bandido da sétima luz, de
Paulo Caldas (Baile perfumado).
E a obra de Spencer vai além. Em seus trabalhos
estão registrados momentos únicos da cultura (Evocações...
Nelson Ferreira, Santa do maracatu,
Trajetória do frevo, Capiba: ontem, hoje e
sempre, Adão foi feito de barro, A
arte de ser profano) e do cotidiano (Capibaribe,
Valente é o galo) pernambucanos, todos também
disponíveis na coletânea.
Aos 80 anos, o cineasta não pára e tenta
viabilizar projetos como os documentários Almeri:
a estrela (sobre a atriz do Ciclo do Recife),
Nossos ursos camaradas (sobre o personagem
carnavalesco) e Maria matéria de mulher
(sobre a cangaceira Maria Bonita), para os quais
busca recursos. Spencer tem tudo para ser o nosso
Manoel de Oliveira, cineasta lusitano que, aos 98
anos, finaliza mais um filme.
Lançamento do DVD Paixão de cinema – Hoje, às
19h, no Cinema da Fundação (Rua Henrique Dias, 609,
Derby. Fones: 3073-6688/6689). Entrada franca
(©
JC Online)
Paulo Caldas estará na mostra
Panorama do Festival de Berlim
O brasileiro
Paulo Caldas participará da mostra Panorama do Festival Internacional de
Cinema de Berlim (8 a 18 de fevereiro) ao lado de outros diretores e
artistas que apresentarão seus filmes, como Julie Delpy, Antonio
Banderas, John Waters, Isabel Coixet e Wim Wenders, além de produtores
como o espanhol Javier Bardem, anunciaram os organizadores.
Caldas apresentará seu novo filme, "Deserto Feliz", na seção Panorama
Especial.
Um total de 50 filmes, dos quais 26 estréias mundiais, integram a mostra
Panorama, na qual França, Coréia do Sul e Alemanha estarão fortemente
representados.
Este ano, o tema principal da Panorama será "a busca de identidade da
juventude".
Outro tema abordado será a "paranóia de Estado", ou seja, o medo em
relação aos sistemas estatais e sociais, tratado ampliamente em filmes
como "Fay Grim", de Hal Hartley, sobre a rede de espionagem
internacional, "Surveillance", de Paul Oremland, que estréia como
diretor de um longa-metragem de ficção, sobre as câmeras de vigiância
nas cidades, e "Strange Culture", de Lynn Hershman Leeson, sobre a
desmedida reação dos órgãos de segurança nos Estados Unidos perante um
eventual atentado de "bioterroristas".
"Atores e diretores" será outro dos temas abordados na mostra Panorama.
A francesa Julie Delpy dirigiu "Deux jours à Paris", sobre as relações
sentimentais, no qual também atua o alemão Daniel Brühl.
Antonio Banderas dirigiu "Englishmen Road" e a atriz canadense Sarah
Polley descreve em "Away From Her" o tratamento e a dedicação especial
que devem ser dedicados aos doentes com mal de Alzheimer.
(©
UOL
Cinema)
|