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Baixio das Bestas vence Festival de Cinema de Roterdã

 

Depois de ser o grande vencedor do Festival de Brasília, "Baixio das Bestas" (foto) acaba de ser escolhido melhor filme no Festival de Roterdã, um dos principais festivais de cinema independente da Europa. O filme de Cláudio Assis dividiu o prêmio principal da mostra holandesa com outras três produções: "Love Conquers All", de Tan Chui Mui (Malásia), "The Unpolished", de Pia Marais (Alemanha) e "AFR", de Morten Hartz Kaplers (Dinamarca).

Na avaliação do júri de Roterdã, presidido pela portuguesa Teresa Villaverde, o filme de Assis foi premiado por sua "crueza, energia, força visual e por nos lembrar da falta de opções que alguém tem quando nasce num habitat isolado e desolado. Sem nunca nos deixar esquecer do enorme poder dos elementos da natureza".

Quando foi premiado em Brasília no final do ano passado, "Baixio das Bestas" dividiu o público do festival por apresentar um cinema que acirra tensões, fisica e psicologicamente violento e sem concessões. Quem já viu diz que é o filme mais ousado do diretor de "Amarelo Manga".

"Baixio das Bestas" acompanha a rotina de uma pequena comunidade durante um ciclo de plantio e colheita da cana, com foco numa jovem submetida a exploração sexual e doméstica por seu avô. Tem como personagens secundários jovens ricos e prostitutas da região. O filme deve estrear no Brasil em 11 de maio. 

(© Ilustrada no Cinema)


Baixio das Bestas é o vencedor do Tiger no Festival de Rotterdam

O filme Baixio das Bestas, segundo longa do diretor Cláudio Assis que, em 2003, lançou Amarelo Manga, filme premiado no Festival de Berlim e no Festival de Toulouse, na França, é um dos quatro vencedores do 36º Festival de Rotterdam, que acontece até o dia 4 de fevereiro de 2007.

O longa que acaba de ganhar o Tiger, é ambientado na Zona da Mata Pernambucana e conta a história de Auxiliadora, uma menina explorada pelo avô, e de sua cidade. No filme, é apresentado um universo de criaturas esquecidas pela modernidade, desprovidas de moral e vítimas da miséria, reafirma a opção do diretor em fazer um cinema visceral, verdadeiro, muitas vezes brutal.

O elenco, com atores como Caio Blat, Matheus Nachtergaele, Fernando Teixeira, Marcélia Cartaxo, Mariah Teixeira e Dira Paes, dão um show de interpretação. A fotografia ficou a cargo do consagrado Walter Carvalho.

No Brasil, o filme será distribuído pela Imovision.

(© Cineminha)


O Brasil pela janela de um Fusca

Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso começam a filmar a saga do KFZ-1348, revelando a importância que o carro teve na vida de seus donos

O Brasil, dos anos 60 até hoje, está sendo visto pela janelinha de um fusca. As gravações do documentário KFZ-1348 encerraram ontem a sua segunda semana. Na próxima quarta, a etapa local será finalizada. Depois, a equipe segue para São Paulo, onde visita duas cidades do interior, Rio das Pedras e São Bernardo. O projeto, dos diretores Marcelo Pedroso e Gabriel Mascaro (da Símio), está sendo tocado também pela REC Produções. “O documentário mostra como o carro vai sendo resignificado dentro da sociedade brasileira. Ele se degrada com o tempo, mas não perde o valor para as pessoas”, diz Mascaro.

KFZ 1348 foi premiado no ano passado com R$ 130 mil pelo Funcultura, mais R$ 550 mil vindos do projeto Documenta Brasil. O documentário também foi selecionado, em meados de 2006, para participar do Produire au Sud, seminário francês que teve uma primeira edição no País. A produção mostra a trajetória de um Fusca comprado nos anos 60 e conta, simultaneamente, quatro décadas de transformações sociais no País.

Cinco entrevistas já foram realizadas no Estado, entre elas uma com a cabeleireira Maria José, que comprou o carrinho nos anos 90, antes do anúncio do Plano Real e do auge do período “feliz” do País (quando Fernando Henrique Cardoso caiu nas graças do povo ao baratear o preço de frangos, iogurtes e dentaduras). Segundo Marcelo Pedroso, as perguntas e as imagens das entrevistas não serão exibidas no documentário. “Vamos mostrar o cotidiano de cada um, o que faziam na época em que compraram o carro e o que fazem hoje”, diz. A história dos ex-proprietários do carro serão narradas em off. O óbvio uso de imagens de arquivo do País, como poderia se esperar de um documentário que traça quatro décadas de nossa história, também foi deixado de lado. “As únicas imagens de arquivo que utilizaremos são dos próprios entrevistados. Ainda assim, eles não surgem nas fotos, apenas seus carros estão lá”, comenta Pedroso. O desenho desse Brasil, segundo ele, vai sendo mostrado de maneira subjacente ao trabalho realizado por ele e Mascaro. “O carro serve como um bem simbólico, que mostra o poder aquisitivo desses personagens. Ele vai se desvalorizando e chegando a classes menos privilegiadas”, comenta. As entrevistas estão sendo feitas em um turno completo, durante a manhã ou a tarde.

KFZ 1348 foi um dos 267 projetos inscritos no Documenta Brasil. Dez ficaram na final, e quatro conseguiram ultrapassar a última peneira. Todos independentes, eles receberam R$ 550 mil cada um para a produção de filmes de 48 minutos de duração, que serão exibidos no SBT. Posteriormente, todos ganharão versões em longa-metragem de 70 minutos formatados para a exibição em salas de cinema digital.

Segundo o produtor João Júnior, da REC, a oportunidade de mostrar o trabalho em TV aberta é extremamente satisfatória. “É um espaço onde podemos dialogar com mais gente, uma chance de levar para o grande público um documentário nesses moldes”, comenta. O Documenta Brasil tem apoio da Petrobras, Sistema Brasileiro de Televisão e ainda da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Televisão.

(© JC Online)


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