É cada vez maior a circulação de música na internet, ao ponto de a nova
geração de admiradores do gênero musical praticamente desconhecer o que
seja comprar um CD, os grupos musicais de todo o mundo têm investido
maciçamente na divulgação de seu trabalho pela web. A rede mundial de
computadores é uma imensa vitrine e disponibilizar músicas é uma das
formas de atrair novos fãs. A reportagem conversou sobre o assunto com
as bandas Aerotrio, ChicoCorreia e Cabruêra, além do cantor Escurinho, e
procurou saber como tem sido a relação deles com a internet.
Todos têm músicas disponibilizadas para download. Arthur Pessoa, líder
da Cabruêra, revela que os três discos da banda estão na net em
programas de compartilhamento de arquivos, como o Emule ou Kaazar, onde
podem ser baixados, gratuitamente, álbuns inteiros. “Mas também temos os
nossos discos no site da iMúsica (pioneiro na venda legal de música
on-line no Brasil) onde o internauta pode ter uma conta e comprar as
músicas por faixa, com uma qualidade superior de áudio (em relação aos
sites ilegais) e com todos os direitos dos autores recolhidos
devidamente”, comenta Arthur.
Sem receio de “jogar” o disco todo na rede, Edmar Travassos, do
Aerotrio, informa que ainda não colocou o disco do grupo no ar, mas
pretende fazê-lo em breve. “Se não tomarmos essa iniciativa, alguém o
fará (risos)”, comenta. Atualmente, no site (www.myspace.com/aerotrio),
quatro músicas do grupo podem ser baixadas de graça. “Depois da
popularidade dos programas de compartilhamento de arquivos, nossa
discografia - ou seria ‘MP3fia’ - aumentou consideravelmente. Votamos
SIM ao compartilhamento de arquivos”, emenda.
Já o cantor Escurinho conta que disponibiliza apenas seis músicas do seu
trabalho. “Nunca disponibilizei o disco inteiro. Minhas músicas são
editadas pela gravadora, então não posso disponibilizar todas de uma vez
por questões comerciais. Se não fossem editadas, não veria problema em
disponibilizá-las todas de uma vez”, diz o músico.
Esmeraldo Marques, do ChicoCorrea, lembra que desde 1999 coloca material
na web. “O recente álbum, produzido com apoio do FIC Augusto dos Anjos,
foi pra internet antes do CD sair da fábrica. Não vejo nenhum problema,
também não deixo de vender CDs por isso. Temos maior poder de divulgação
e se forma público”, avalia o músico.
Músicos falam do retorno que têm com MP3 na net
O grupo ChicoCorrea fala sobre a repercussão do
trabalho na net. “Publiquei músicas do CD (‘ChicoCorrea & Electronic
Band’, lançado no ano passado) em três net labels de música eletrônica:
(www.musicartistry.de) da Alemanha; outro no Japão, (www.bumpfoot.org),
e agora um EP que está para sair no “pueblonuevo”, no Chile.Vez ou
outra, encontro as músicas sendo tocadas em playlists de rádios na
Europa, resenhas em sites, etc., por conseqüência de estarem nesses
sítios”, revela Esmeraldo.
“A Cabruêra nasceu praticamente junto à explosão da internet”, afirma
Arthur. “Desde o começo, sempre tivemos a preocupação de manter uma
home-page no ar e de disponibilizar os nossos trabalhos na rede mundial
de computadores. Hoje, existem centenas de sites que vendem ou
disponibilizam o nosso disco pelo mundo afora”.
A receptividade dos internautas têm surpreendido o grupo Aerotrio.
“Temos recebido e-mails e comentários de todos os cantos do mundo. Nossa
caixa de mensagem sempre está com algum recado de amigos que andamos
fazendo graças aos nossos MP3”, informa Edmar. Já Escurinho avalia que a
recepção dos navegantes cibernéticos tem sido “lenta, mas
significativa”. “As pessoas vêem o show, conhecem o site e algumas,
mesmo conhecendo as músicas no site, procuram comprar o CD ou DVD”,
comenta. (AB)
Futuro da música está na internet, diz vocalista
E as perspectivas daqui pra frente? De que forma
nossos músicos irão trabalhar? Arthur Pessoa acha que o futuro da música
é mesmo o formato digital. “Cada vez mais as pessoas irão buscar, na
internet, novas bandas em todos os lugares do mundo. Nós queremos estar
sempre conectados a esse processo, disponibilizando nossa música e,
conseqüentemente, levando mais pessoas aos nossos shows”, informa.
“Minha geração começou dentro deste contexto de inter-net: download,
p2p... Não vejo problemas quanto a isso. Todo material que produzo
coloco licença da “creative commons” e vou continuar fazendo isso”,
afirma Esmeraldo. “Já deixei de lançar o disco por selos e
distribuidoras, por conta de restrições quanto ao fato de permitir o
download dos mp3 e também pelo fato de venderem CD muito caro nas lojas.
Prefiro o MP3 rodando em ipods, podcasts e rádios de conteúdo livre”,
emenda.
Edmar acredita que já estamos “vivendo esse futuro”. “É um clichê dizer
isso, mas as grandes gravadoras e os grandes artistas vendedores de
milhares de CDs estão tentando se adequar a essa realidade. A realidade
para o consumidor final de música, para o grande público, é que é mais
fácil achar e baixar um disco do seu artista favorito gratuitamente pela
internet do que ir às grandes lojas procurá-lo e, se encontrá-lo, pagar
um preço absurdo por ele”, diz o músico.
Escurinho revela o seu desejo de vender as músicas individualmente pela
net. Por enquanto, contabiliza parceria com o site Uol, que considerou a
‘home’ de Escurinho bem visitada e propôs um contrato de parceria. Cada
vez mais, amontoar CDs nas prateleiras está se tornando coisa do
passado. (AB)