Notícias
Gil entrega dia 10 título da Feira de Caruaru

A Feira de Caruaru no traço de STEFAN WELKOVIC - "Cafundó - Feira de Caruaru", Óleo sobre tela 50 X 75
 

Feira é ponto de encontro de comerciantes, violeiros e outros artistas. Festa de entrega do título de patrimônio imaterial terá homenagem ao músico Onildo Almeira

PEDRO ROMERO
Correspondente

CARUARU – A Feira de Caruaru, onde de tudo há para se vender, vai receber no próximo dia sábado (10) o título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, que será entregue ao município pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil. A solenidade será realizada às 10h, no Largo da Feira de Artesanato, e contará com a presença do presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando Almeida, além do prefeito da cidade, Tony Gel. O título foi concedido em dezembro do ano passado pelo Conselho Consultivo do Iphan, que registrou o evento na categoria de lugar.

A Feira de Caruaru é um dos retratos vivos da cultura nordestina e o título garante a continuidade e preservação de suas características. O lugar é ponto de encontro de comerciantes, violeiros, artistas e vários outros personagens que fazem parte da cultura popular. Alguns deles, como os integrantes de bandas de pífanos, estarão participando da festa de entrega do título, que fará uma homenagem especial ao cantor e compositor Onildo Almeida, autor da célebre música Feira de Caruaru.

“Será um momento em que vamos nos confraternizar com quem teve participação direta e indireta em todo o processo, culminando com o recebimento do título que representa a colocação da Feira de Caruaru como bem de todo brasileiro”, comemora José Seródio, Presidente da Fundação de Cultura de Caruaru.

DOSSIÊ – Os trabalhos que resultaram na concessão do título começaram há cerca de dois anos, quando técnicos do Iphan realizaram um dossiê sobre o evento. A pesquisa contou com entrevistas e análise de vários documentos que contam a história da Feira de Caruaru. O pedido foi aprovado por unanimidade, no dia 7 de dezembro, pelos 12 membros que compõem o Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. No dia 27 de dezembro o instituto oficializou o título. A Feira de Caruaru agora encontra-se no Livro dos lugares como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.

Os técnicos do Iphan catalogaram 13 feiras dentro da grande feira, entre elas a de artesanato, flores, farinha, carne, ervas e da sulanca. Em 1992 o evento foi transferido das ruas do centro para o Parque 18 de Maio. Como parte do processo, a Feira de Gado, de onde a feira se originou, e o Alto do Moura, centro de produção do artesanato vendido no local, são considerados bens associados.

A história da Feira de Caruaru se confunde com o surgimento da cidade. Ambas começaram a tomar forma a partir de 1872, quando foi construída, na então Fazenda Caruru, a capela da Conceição. O proprietário da fazenda, José Rodrigues de Jesus, é considerado o fundador da cidade.

Beneficiado pela abundância do Rio Ipojuca, o local era ponto de parada de vaqueiros e comerciantes. Com a construção da capela e a realização de missas e batizados começou a surgir também um pequeno comércio, principalmente de animais. Quando os eventos religiosos se tornaram semanais, o comercio aumentou e se diversificou, dando início à feira e à própria cidade de Caruaru.

(© JC Online)


Aula inaugural marca o início das comemorações dos 150 anos de Caruaru

A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caruaru (FAFICA), no Agreste pernambucano, inicia, na segunda-feira (05), as comemorações dos 150 anos de Caruaru, celebrados oficialmente no dia 18 de maio.

Com o tema Caruaru 150 anos, Princesa do Barro e do Frevo, a FAFICA faz a abertura do ano letivo exaltando a cultura caruaruense numa noite de muita música e dança. As atrações são o grupo caruaruense Barca Bella, o cantor Erisson Porto e o Boi Tira-Teima do mestre Gercino.

A entrada é gratuita e as apresentações acontecem à noite. As apresentações acontecem no auditório da Faculdade, a partir das 19h30. O grupo musical Barca Bella fará sua estréia na aula inaugural. Genuinamente caruaruense, composto por 12 integrantes, o grupo nasceu dentro de um movimento intitulado pifanista, que vem resgatar as músicas tocadas pelas bandas de pífano da cidade e região.

Os velhos carnavais de Caruaru serão relembrados na apresentação do músico caruaruense Erisson Porto, que trará em seu repertório muitas canções ligadas ao período de Momo. Para encerrar a noite, uma viagem no tempo em que o Boi Tira-Teima fazia a alegria das crianças nos carnavais de Caruaru.

O mestre Gercino, que comanda um dos últimos grupos de bumba-meu-boi da cidade, traz todos os personagens para o início de festejos de 150 anos da Princesa do Agreste. Será inaugurada, na segunda-feira (05), uma exposição permanente de peças do Alto do Moura e de fotos antigas de Caruaru. Também será hasteada a bandeira da cidade, no pátio da faculdade.

(© PE 360 Graus)


Feira de Caruaru é patrimônio

A feira de Caruaru não é mais a mesma. Perdeu a espontaneidade do passado, quando milhares de feirantes invadiam as ruas da cidade às quartas-feiras e aos sábados. A feira cresceu, passou a ser diária e ocupa hoje seis hectares do Parque 18 de Março, no centro da cidade, localizada a 130 km da capital pernambucana. Mais antiga do que o próprio município, ela chega a ter 22 mil pontos de venda e pode movimentar cerca de 60 mil pessoas por dia. À primeira vista, a paisagem não agrada. Mas à medida que se avança pelo meio das “tordas”, a feira vai ganhando em colorido. Parece um caleidoscópio. Afinal, de “tudo que há no mundo, nela tem pra se vender”, já diziam os versos da música “A Feira de Caruaru”, do compositor Onildo Almeida.

PATRIMÔNIO – Caruaru está completando 150 anos em 2007 – um bom motivo para visitá-la, começando justamente por seu mais famoso cartão-postal, hoje expandido e ainda mais diversificado. Não é à-toa que a mais famosa feira popular do país foi oficializada pelo Ministério da Cultura como Patrimônio Imaterial Brasileiro. O título é o nono concedido no país e o primeiro registrado em Pernambuco. Se você estiver no Estado, não deixe de visitá-la.
Para começo de conversa, a feira não é uma só. São pelo menos 15 dentro de uma, maior. É o que diz o antropólogo Bartolomeu Medeiros, o frei Tito, coordenador da equipe de pesquisadores que elaborou o inventário da feira. Ele relata que registrou feiras de frutas, doces, verduras, cerâmicas, farinha, artesanato, troca-troca, objetos de flandre, cordel, confecções (chamados de sulanca), couro, importados, gado, pássaros, panelas e raízes.

A de artesanato funciona diariamente. Já a tradicional, com tudo a que tem direito – inclusive troca-troca – ocorre aos sábados. Nas madrugadas das terças-feiras, começa a feira da sulanca e de importados, esta ironicamente chamada pelos caruaruenses de feira do Paraguai. Para quem quer ver o artesanato com sossego, a terça-feira não é o melhor dia, porque Caruaru é invadida por comerciantes e sacoleiros de todo o país que compram confecções baratas para revender. E aí o tumulto é grande. No fim do ano, a sulanca chegou a movimentar em 48 horas cerca de 150 mil pessoas, 1.500 ônibus e 3 mil veículos. O caos. Então, reserve um sábado, quando a feira é mais nativa e autêntica.

A feira tem de tudo e mais um pouco. Ela pode ser encarada como um retrato da cultura do agreste. Estão ali os potes de barro utilitários ainda usados na área rural, o fumo de rolo e o curioso “isqueiro” de corda de sisal (também chamado de agave). Também se observam fifós. Os fifós, para quem não sabe, são candeeiros que no passado eram chamados de alcoviteiros. A energia elétrica avançou, mas os fifós de flandre ou latas recicladas ainda vendem muito. O fumo artesanal também é muito procurado, e seus adeptos acreditam que ele é mais saudável.

Também merecem visita as vendas de cestarias e outros objetos de palha. De barro, há os bonecos confeccionados pelos discípulos de Vitalino, conjuntos de louça vitrificada, travessas etc. Os boxes de venda de mantas e redes, e os de couro não podem ser esquecidos. Procurando, acham-se bonitas bolsas e sandálias machetadas, à moda das usadas pelos vaqueiros da caatinga. Os doces também são curiosos, inclusive a rapadura, que hoje ganha novos formatos e sabores.

HISTÓRIA – A história de Caruaru se confunde com a de sua feira, afinal o comércio de rua é anterior à formação da cidade. Aliás, conta a história que foi a feira que deu origem ao município. No século 17, havia onde hoje fica Caruaru uma grande fazenda de gado administrada por um tradicional clã do agreste. Um órfão criado pela família, que assumiria a propriedade, construiu no local uma capela sob invocação de Nossa Senhora da Conceição, ao lado da qual havia um poço que abastecia os tropeiros que viajavam pela região.

Eles vendiam suas mercadorias e paravam ali para alimentar e matar a sede de cavalos e jumentos. Lanchavam, trocavam mercadorias e muitos nem continuavam a viagem até o destino inicial, porque se desfaziam das mercadorias antes. Com o tempo, foram surgindo no local barracas que acabaram se multiplicando, dando origem a uma feira que se transformaria depois na mais solicitada da região.

O órfão José Rodrigues de Jesus fundou um vilarejo, que no dia 18 de maio de 1857 transformou-se em cidade. Foi em 1893 que Caruaru foi considerado município. Mas a data que se comemora na chamada capital do agreste é da fundação da cidade. Tantos anos depois, Caruaru mantém a tradição e a vocação do comércio de rua, em torno do qual gira a maior parte da economia do município. Pode-se dizer que Caruaru não viveria sem sua feira, e que sem a feira não existiria Caruaru.

ERVAS MEDICINAIS – Outro ponto que merece visita é a feira de ervas e remédios populares. A sabedoria do povo cura doenças e é com ela que a população mais carente constrói sua medicina alternativa. É o que se observa conversando com os curandeiros tradicionais da feira. Uma que merece visita é dona Maria José da Silva Ramos, viúva de Severino Ramos da Silva, o Biu da Raiz, que aprendeu o mistério das ervas com a avó raizeira, dona Zefinha. Hoje, até o neto de Zefinha, Salviano, vive do ofício inaugurado pela avó. Mãe e filho nem sabem ao todo quantas ervas e raízes comercializam. Mas sabem as que mais vendem: quixaba, caju roxo, aroeira, babatimão, casca de ameixa, catuaba, caatingueira, mulungu e cidreira.

Também chama a atenção o colorido das frutas regionais João do Pife, o mestre da banda de pífanos (umbu, serigüela, cajá, caju, graviola), dos “detergentes” artesanais, das flores tropicais. E não deixe de percorrer os boxes dedicados ao artesanato em tecido. Rendas do tipo renascença, labirinto, redendê, filé são encontradas a preços convidativos.

Ainda na feira, você não deve deixar de visitar o Museu Olegário, dedicado aos folhetos de cordel. O poeta popular morreu em 2002, aos 70 anos, deixando um legado de 216 folhetos publicados, alguns bem famosos, como “O homem que casou com uma jumenta”. O filho, Olegário Filho, mantém um museu na feira, com a obra do pai, a velha máquina tipográfica que ele usava, seus folhetos e quase 3 mil títulos de outros autores. No local, compram-se folhetos a R$ 1 cada, e painéis com xilogravuras a partir de R$ 30. No museu funciona a Academia Caruaruense do Cordel, que reúne cordelistas em sábados alternados.

E se você quer cair no clima, coma algo nos chamados restaurantes “de costas”. São quiosques que oferecem comidas comuns à região, nos quais normalmente os clientes ficam de costas para a feira. O almoço também pode ser no Parque 18 de Maio. O restaurante popular mais solicitado é o da Tia Guida, que funciona de segunda-feira a sábado, entre 7h e 18h. A partir de R$ 4, pode-se escolher entre sarapatel, mão de vaca, rabada, buchada, carne de sol, bode guisado ou assado, feijoada. O restaurante é simples e barulhento. Como tudo na feira, aliás.

(© Jornal de Piracicaba)


Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


powered by FreeFind