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Aula inaugural marca o início das comemorações
dos 150 anos de Caruaru
A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras
de Caruaru (FAFICA), no Agreste pernambucano, inicia, na
segunda-feira (05), as comemorações dos 150 anos de Caruaru,
celebrados oficialmente no dia 18 de maio.
Com o tema
Caruaru 150 anos, Princesa do Barro e do Frevo, a
FAFICA faz a abertura do ano letivo exaltando a cultura
caruaruense numa noite de muita música e dança.
As atrações são o grupo caruaruense Barca
Bella, o cantor Erisson Porto e o Boi Tira-Teima do mestre
Gercino.
A entrada é gratuita e as apresentações acontecem à
noite.
As apresentações acontecem no auditório da
Faculdade, a partir das 19h30. O grupo musical Barca Bella
fará sua estréia na aula inaugural. Genuinamente
caruaruense, composto por 12 integrantes, o grupo nasceu
dentro de um movimento intitulado pifanista, que vem
resgatar as músicas tocadas pelas bandas de pífano da cidade
e região.
Os velhos carnavais de Caruaru serão
relembrados na apresentação do músico caruaruense Erisson
Porto, que trará em seu repertório muitas canções ligadas ao
período de Momo. Para encerrar a noite, uma viagem no tempo
em que o Boi Tira-Teima fazia a alegria das crianças nos
carnavais de Caruaru.
O mestre Gercino, que comanda um dos últimos
grupos de bumba-meu-boi da cidade, traz todos os personagens
para o início de festejos de 150 anos da Princesa do
Agreste. Será inaugurada, na segunda-feira (05), uma
exposição permanente de peças do Alto do Moura e de fotos
antigas de Caruaru. Também será hasteada a bandeira da
cidade, no pátio da faculdade.
(©
PE 360 Graus)
Feira de Caruaru é patrimônio
A
feira de Caruaru não é mais a mesma. Perdeu a espontaneidade do
passado, quando milhares de feirantes invadiam as ruas da cidade
às quartas-feiras e aos sábados. A feira cresceu, passou a ser
diária e ocupa hoje seis hectares do Parque 18 de Março, no
centro da cidade, localizada a 130 km da capital pernambucana.
Mais antiga do que o próprio município, ela chega a ter 22 mil
pontos de venda e pode movimentar cerca de 60 mil pessoas por
dia. À primeira vista, a paisagem não agrada. Mas à medida que
se avança pelo meio das “tordas”, a feira vai ganhando em
colorido. Parece um caleidoscópio. Afinal, de “tudo que há no
mundo, nela tem pra se vender”, já diziam os versos da música “A
Feira de Caruaru”, do compositor Onildo Almeida.
PATRIMÔNIO – Caruaru está completando 150 anos em 2007 –
um bom motivo para visitá-la, começando justamente por seu mais
famoso cartão-postal, hoje expandido e ainda mais diversificado.
Não é à-toa que a mais famosa feira popular do país foi
oficializada pelo Ministério da Cultura como Patrimônio
Imaterial Brasileiro. O título é o nono concedido no país e o
primeiro registrado em Pernambuco. Se você estiver no Estado,
não deixe de visitá-la.
Para começo de conversa, a feira não é uma só. São pelo menos 15
dentro de uma, maior. É o que diz o antropólogo Bartolomeu
Medeiros, o frei Tito, coordenador da equipe de pesquisadores
que elaborou o inventário da feira. Ele relata que registrou
feiras de frutas, doces, verduras, cerâmicas, farinha,
artesanato, troca-troca, objetos de flandre, cordel, confecções
(chamados de sulanca), couro, importados, gado, pássaros,
panelas e raízes.
A de artesanato funciona diariamente. Já a tradicional, com tudo
a que tem direito – inclusive troca-troca – ocorre aos sábados.
Nas madrugadas das terças-feiras, começa a feira da sulanca e de
importados, esta ironicamente chamada pelos caruaruenses de
feira do Paraguai. Para quem quer ver o artesanato com sossego,
a terça-feira não é o melhor dia, porque Caruaru é invadida por
comerciantes e sacoleiros de todo o país que compram confecções
baratas para revender. E aí o tumulto é grande. No fim do ano, a
sulanca chegou a movimentar em 48 horas cerca de 150 mil
pessoas, 1.500 ônibus e 3 mil veículos. O caos. Então, reserve
um sábado, quando a feira é mais nativa e autêntica.
A feira tem de tudo e mais um pouco. Ela pode ser encarada como
um retrato da cultura do agreste. Estão ali os potes de barro
utilitários ainda usados na área rural, o fumo de rolo e o
curioso “isqueiro” de corda de sisal (também chamado de agave).
Também se observam fifós. Os fifós, para quem não sabe, são
candeeiros que no passado eram chamados de alcoviteiros. A
energia elétrica avançou, mas os fifós de flandre ou latas
recicladas ainda vendem muito. O fumo artesanal também é muito
procurado, e seus adeptos acreditam que ele é mais saudável.
Também merecem visita as vendas de cestarias e outros objetos de
palha. De barro, há os bonecos confeccionados pelos discípulos
de Vitalino, conjuntos de louça vitrificada, travessas etc. Os
boxes de venda de mantas e redes, e os de couro não podem ser
esquecidos. Procurando, acham-se bonitas bolsas e sandálias
machetadas, à moda das usadas pelos vaqueiros da caatinga. Os
doces também são curiosos, inclusive a rapadura, que hoje ganha
novos formatos e sabores.
HISTÓRIA – A história de Caruaru se confunde com a de sua
feira, afinal o comércio de rua é anterior à formação da cidade.
Aliás, conta a história que foi a feira que deu origem ao
município. No século 17, havia onde hoje fica Caruaru uma grande
fazenda de gado administrada por um tradicional clã do agreste.
Um órfão criado pela família, que assumiria a propriedade,
construiu no local uma capela sob invocação de Nossa Senhora da
Conceição, ao lado da qual havia um poço que abastecia os
tropeiros que viajavam pela região.
Eles vendiam suas mercadorias e paravam ali para alimentar e
matar a sede de cavalos e jumentos. Lanchavam, trocavam
mercadorias e muitos nem continuavam a viagem até o destino
inicial, porque se desfaziam das mercadorias antes. Com o tempo,
foram surgindo no local barracas que acabaram se multiplicando,
dando origem a uma feira que se transformaria depois na mais
solicitada da região.
O órfão José Rodrigues de Jesus fundou um vilarejo, que no dia
18 de maio de 1857 transformou-se em cidade. Foi em 1893 que
Caruaru foi considerado município. Mas a data que se comemora na
chamada capital do agreste é da fundação da cidade. Tantos anos
depois, Caruaru mantém a tradição e a vocação do comércio de
rua, em torno do qual gira a maior parte da economia do
município. Pode-se dizer que Caruaru não viveria sem sua feira,
e que sem a feira não existiria Caruaru.
ERVAS MEDICINAIS – Outro ponto que merece visita é a
feira de ervas e remédios populares. A sabedoria do povo cura
doenças e é com ela que a população mais carente constrói sua
medicina alternativa. É o que se observa conversando com os
curandeiros tradicionais da feira. Uma que merece visita é dona
Maria José da Silva Ramos, viúva de Severino Ramos da Silva, o
Biu da Raiz, que aprendeu o mistério das ervas com a avó
raizeira, dona Zefinha. Hoje, até o neto de Zefinha, Salviano,
vive do ofício inaugurado pela avó. Mãe e filho nem sabem ao
todo quantas ervas e raízes comercializam. Mas sabem as que mais
vendem: quixaba, caju roxo, aroeira, babatimão, casca de ameixa,
catuaba, caatingueira, mulungu e cidreira.
Também chama a atenção o colorido das frutas regionais João do
Pife, o mestre da banda de pífanos (umbu, serigüela, cajá, caju,
graviola), dos “detergentes” artesanais, das flores tropicais. E
não deixe de percorrer os boxes dedicados ao artesanato em
tecido. Rendas do tipo renascença, labirinto, redendê, filé são
encontradas a preços convidativos.
Ainda na feira, você não deve deixar de visitar o Museu
Olegário, dedicado aos folhetos de cordel. O poeta popular
morreu em 2002, aos 70 anos, deixando um legado de 216 folhetos
publicados, alguns bem famosos, como “O homem que casou com uma
jumenta”. O filho, Olegário Filho, mantém um museu na feira, com
a obra do pai, a velha máquina tipográfica que ele usava, seus
folhetos e quase 3 mil títulos de outros autores. No local,
compram-se folhetos a R$ 1 cada, e painéis com xilogravuras a
partir de R$ 30. No museu funciona a Academia Caruaruense do
Cordel, que reúne cordelistas em sábados alternados.
E se você quer cair no clima, coma algo nos chamados
restaurantes “de costas”. São quiosques que oferecem comidas
comuns à região, nos quais normalmente os clientes ficam de
costas para a feira. O almoço também pode ser no Parque 18 de
Maio. O restaurante popular mais solicitado é o da Tia Guida,
que funciona de segunda-feira a sábado, entre 7h e 18h. A partir
de R$ 4, pode-se escolher entre sarapatel, mão de vaca, rabada,
buchada, carne de sol, bode guisado ou assado, feijoada. O
restaurante é simples e barulhento. Como tudo na feira, aliás.
(©
Jornal de Piracicaba) |