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Diversão gratuita garantida

Foto: JC Imagem

Maciel Salu, presente no circuito gastronômico do Música Brasil
 

ALAN LUNA

Depois da abertura, ontem, no Marco Zero, a Feira Música Brasil 2007 dá início hoje, de fato, à sua maratona de shows, espelhando música por três pólos da cidade: ao Marco Zero, somam-se a Praça do Arsenal e o Teatro de Santa Isabel.

Até domingo, o ecletismo é a tônica, diversidade bem-vinda se a intenção é traçar um painel do que se tem produzido em termos de música no Brasil – ou mesmo fora dele. Nesse território livre, se apresentam hoje nada menos que 11 atrações, a partir das 20h.

No Marco Zero, palco de perfil mais tradicional (se é possível falar nesses termos em uma feira de viés tão pouco mainstream), quem se apresenta primeiro é a cantora Isaar. A ex-Comadre Fulozinha e eterna musa do DJ Dolores mostra ao público o seu primeiro CD solo, o elogiado Azul claro. O segundo artista da noite é Silvério Pessoa, que também faz show do último trabalho: Cabeça elétrica, coração acústico.

A noite se encerra com os artistas convidados: Rita Ribeiro e Gabriel, o pensador. A maranhense Rita volta ao Recife depois de sete anos (o último show foi em 2000). De lá para cá, a cantora lançou os discos Comigo (2001) e Tecnomacumba, lançado este ano e base para o show de logo mais. Já o rapper carioca, que fecha o segundo dia de show da Música Brasil, tem sido presença mais constante por aqui depois de algumas parcerias com Lenine. Ele apresenta seu álbum mais recente, Cavaleiro andante, de 2005.

Do outro lado do Bairro do Recife, a Praça do Arsenal é o reduto mais indie da Música Brasil. Os responsáveis por abrir a programação são os paraenses do Coletivo Rádio Cipó, que faz um som experimental, unindo ritmos tradicionais, como o carimbó, às possibilidades da tecnologia digital. A segunda atração é a funkeira carioca Deize Tigrona, que, sabe lá por que, virou a queridinha dos “mudernos”. Depois é a vez do grupo Z’África Brasil, um dos expoentes do movimento de “abrasileiramento” do hip-hop: em seu segundo CD, Tem cor age, pululam influências de músicos como Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga. Encerrando a noite, sobe ao palco a primeira atração internacional da Feira: o argentino Axel Kryeger, que apresenta sua mistura de jazz, funk, música árabe e latinoamericana, son retrô, psicodelia e folclore argentino, sintetizada no CD Zorzal (2006).

Próxima parada: Teatro de Santa Isabel. Um pouco mais distante da badalação pop do Bairro do Recife, a construção neoclássica do Bairro de Santo Antônio recebe os sons mais eruditos da Feira. A começar pelo Quinteto Villa-lobos, primeira atração do dia. Uma das maiores referências da música de câmara brasileira, o quinteto tem 45 anos de estrada e conserva há 10 a mesma formação: Antonio Carlos Carrasqueira (flauta), Luís Carlos Justi (oboé), Paulo Sérgio Santos (clarinete), Philip Doyle (trompa) e Aloysio Fagerlande (fagote).

Em seguida, o som que vem dos pampas, com a apresentação de Arthur de Faria & Seu Conjunto, cujo lúdico caldeirão sonoro – que mescla jazz, polca, tango, rock, valsa e baião – pode ser uma das boas surpresas da Feira. Quem fecha a noite é o violonista cearense Zé Menezes. Enciclopédia viva da MPB – da qual participou ativamente, sobretudo na Era do Rádio – Menezes criou nos anos 60 o grupo Velhinhos Transviados e tem pelo menos uma de suas composições na memória sentimental de boa parte dos brasileiros de vinte e tantos anos: a música de abertura d’Os Trapalhões.

PARALELO – Também hoje tem início também a programação peralela organizada pela Representação Nordeste do Ministério da Cultura, que inclui debates, mostra de videoclipes e circuito gastronômico (que levará atrações para alguns dos principais bares e restaurantes do Bairro do Recife).

A movimentação começa ao meio-dia e meia, com a mostra de videoclipes no bar Casa da Moeda (Rua da Moeda). Destaque para um especial com os poetas da Mata Norte: Antônio Roberto, João Paulo e Barachinha, Antônio Caju e Caetano da Ingazeira, José Galdino, João Limoeiro e Zé de Teté. Além desse bloco temático, serão exibidos clipes das bandas Casas Populares da BR-232 e Mira Negra, do grupo de dança Daruê Malungo e as produções Break in Recife (do Núcleo de Comunicação Comunitária do Recife) e Lambe-sujo.

No Circuito Gastronômico, um dos pólos é o Paço Alfândega. Por lá, se apresentam a cirandeira Lia de Itamaracá (praça de Alimentação), Alex Mono e Azabumba (Cuba do Capibaribe). No Burburinho (Rua Tomazina), sobem ao palco os Meninos da Casa Grande, da ONG homônima de Nova Olinda (CE). Já a Rua da Moeda (pólo Brotfabrik) será tomada pelo Maracatu Piaba de Ouro. Ainda no Bairro do Recife, serão contemplados com shows a Praça do Arsenal e a Rua da Guia. Na primeira, se apresenta Gegê Nagô (Espaço Cultural Mamulengo), na segunda, o grupo Cuca (Restaurante Sabor Pernambuco). Para finalizar, o grupo Batuque Forte toca na Comunidade do Pilar, em frente à igreja.

(© JC Online)


Gil justifica feira em Pernambuco pela diversidade musical

Isabelle Figueirôa
Do JC OnLine
Atualizado às 23h59

O ministro da Cultura, Gilberto Gil, falou sobre os números e a importância da música brasileira e de o Brasil exportar sua produção fonográfica, durante a abertura oficial da Feira Música Brasil, na tarde desta quarta-feira (7), no Armazém 12, Bairro do Recife. Para Gil, a música tem um viés econômico tão importante quanto o cultural e o social, sendo o espaço mais consagrado para a construção da subjetividade de um povo. O Brasil, segundo o ministro, "é um País na moda e está na hora de a música brasileira evidenciar sua força". À noite, o ministro quebrou o protocolo, subiu ao palco, dançou coco com o Bongar e elogiou a cultura do Estado.

A idéia da Feira Música Brasil é justamente ser uma vitrine dessa diversidade da produção musical brasileira para o mundo, "facilitando contatos e promovendo negócios de música dentro e fora do País", disse o ministro. A feira surge em um contexto propício, quando a música criada e produzida no Brasil ocupa 80% do mercado consumidor nacional, que é o décimo do mundo. Para termos de comparação, outros países latinos consomem apenas 5%, em média, da produção local. Além disso, Gil alertou que "a economia da cultura já é responsável por 7% do PIB global".

Para Gil, a escolha de Pernambuco para sediar as duas primeiras edições da feira, que segue com programação de palestras, conferências, cursos, mostra e shows até este domingo (11), aconteceu porque o Estado é um dos mais dinâmicos pólos da produção musical do País, "berço de muitas das matrizes da nossa música, um celeiro de constante renovação e com enorme potencial para fazer da cultura um vetor de desenvolvimento regional".

Também participaram da reunião de abertura do evento a coordenadora do Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura (Prodec), Paula Porta, o prefeito do Recife, João Paulo, e o secretário de Cultura do Recife, Roberto Peixe.

Para o prefeito João Paulo, "a feira vai marcar definitivamente a história, a divulgação e o estímulo ao desenvolvimento da música brasileira". O evento é uma promoção do Ministério da Cultura (MinC), em conjunto com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Associação Brasileira de Música Independente (ABMI), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Governo do Estado de Pernambuco, Prefeitura Municipal de Recife e Porto Musical, com o patrocínio da Petrobras.

O evento reunirá cerca de mil artistas, produtores, empresários e outros profissionais envolvidos na cadeia produtiva da música, para criar um ponto de referência para o setor, facilitando contatos dentro e fora do território nacional e capacitando profissionais. De acordo com Gilberto Gil, já está confirmada, inclusive, a presença de oito grupos internacionais interessados na produção musical brasileira.

PRODEC - O Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura é dividido em três pilares fundamentais: informação, capacitação e promoção de negócios. No primeiro pilar, o MinC trabalha na coleta de dados, estudos e informações setorias que envolvem as diversas áreas da cultura. Segundo Paula Porta "já foram encomendados dois estudos sobre a música e as festas populares, além disso vamos aprofundar a influência da música no PIB brasileiro, através de um estudo em parceria com o IBGE".

No segundo campo, o Prodec realizará convênios com o Sebrae para a capacitação de empresas de cultura, principalmente sobre comércio e gestão iterna. A Feira Música Brasil se insere no terceiro pilar, apesar de oferecer mostras dos outros aspectos. Na promoção de negócios, o MinC também está reformulando o projeto piloto de exportação de música, dando continuidade à exportação do conteúdo de cinema e TV.

FREVO - Em homenagem às comemorações do Centenário do Frevo, a equipe do JC OnLine aproveitou a visita do cantor e compositor baiano e ministro da Cultura para falar sobre o ritmo pernambucano. Para ele, a grande importância do frevo é que ele "proporcionou aos setores populares o espaço para a manifestação de suas formas de expressão". O ministro completa que "ao lado do choro, foram as duas formas que mais investiram na arquitetura da música e na sofisticação da melodia". Gil ainda cantou um trecho da canção Frevo rasgado que compôs no seu primeiro disco, em 1968.

(© JC Online)


Confira a programação da Feira Música Brasil
 
dia 7 - quarta-feira
manhã / tarde  RECEPTIVO aeroporto e hotéis
14 / 17h CREDENCIAMENTO terminal marítimo
20h30 / 21h  ATO DE ABERTURA PALCO MARCO ZERO
21 / 1h SHOW DE ABERTURA com:
- bongar
- clube do balanço
- edvaldo santana
- SANDRA DE SÁ
palco MARCO ZERO
dia 8 - quinta-feira
09 / 13h CURSO de especialização TEATRO HERMILO BORBA
10 / 13h VENTURE FÓRUM MÚSICA BRASIL AUDITÓRIO música BRASIL
10 / 13h CONFERÊNCIAS PORTO MUSICAL teatro Apolo e auditório do porto digital
12 / 14h apresentações musicais vários locais veJA programação
14 / 15h ABERTURA OFICIAL (AMBIENTE DE NEGÓCIOS E FEIRA DE PRODUTOS) terminal marítimo e tenda
14h30 / 18h30 CONFERÊNCIAS PORTO MUSICAL teatro Apolo e auditório do porto digital
14 / 17h MOSTRA DE DOCUMENTÁRIOS CINEMA E MÚSICA DO BRASIL AUDITÓRIO música BRASIL
14 / 20h RODADA DE NEGÓCIOS SEBRAE terminal marítimo
14 / 20h FUNCIONAMENTO do ambiente DE NEGÓCIOS terminal marítimo
14 / 22h FUNCIONAMENTO da FEIRA DE PRODUTOS TENDA
20 / 23h MOSTRA DE CLIPES e shows com:
- quinteto villa–lobos
- arthur de faria
- ZÉ MENESES
TEATRO SANTA ISABEL
20 / 0h30 MOSTRA DE CLIPES e shows com:
- COLETIVO RADIO CIPÓ (pa)
- deiZe tigrona
- Z´ÁFRICA brasil
- axel krYeger
palco arsenal
20 / 1h MOSTRA DE CLIPES e shows com:
- isaar
- silvério pessoa
- RITA RIBEIRO
- GABRIEL O PENSADOR
palco marco zero
dia 9 - sexta-feira
09 / 13h CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TEATRO HERMILO BORBA
09 / 13h RODADA DE NEGÓCIOS SEBRAE terminal marítimo
11 / 13h SESSÃO ABERTA MINISTÉRIO DA CULTURA AUDITÓRIO MÚSICA BRASIL
10 / 13h CONFERÊNCIAS PORTO MUSICAL teatro Apolo e auditório do porto digital
12 / 14h apresentações musicais vários locais veJA programação
14h30 / 18h30 CONFERÊNCIAS PORTO MUSICAL teatro Apolo e auditório do porto digital
14 / 17h MOSTRA DE DOCUMENTÁRIOS CINEMA E MÚSICA DO BRASIL – VEJA PROGRAMAÇÃO AUDITÓRIO MÚSICA BRASIL
14 / 20h FUNCIONAMENTO do ambiente DE NEGÓCIOS terminal marítimo
14 / 22h FUNCIONAMENTO da FEIRA DE PRODUTOS TENDA
15 / 20h RODADA DE NEGÓCIOS SEBRAE terminal marítimo
17h30 / 19h30 SESSÃO ABERTA ABMI AUDITÓRIO MÚSICA BRASIL
19 / 22h MOSTRA DE CLIPES e shows com:
- pianorquestra
- tira poeira
- banda paralela
TEATRO SANTA ISABEL
19 / 23h MOSTRA DE CLIPES e shows com:
- cabruÊra
- autoramas
- otto
- la kinky beat
palco arsenal
20 / 1h  
  • Chegada do Arrastão com Antônio Nóbrega e as agremiações de frevo.
  • Show com Gilberto Gil, Alceu Valença, Lenine, Geraldo Azevedo, Luiz Melodia, Elba Ramalho, Maria Rita, Ney Matogrosso, Vanessa da Mata, Nena Queiroga, Claudionor Germano e Geraldo Maia.
  • Show da banda A Troça, com a cena musical de Pernambuco cantando frevo: Lula Queiroga, Spok, Silvério Pessoa, Canibal, Siba, Maciel Salú, Fred 04, Ortinho, Edilza, Pedro Quental, Roger Man e outros.
palco marco zero
dia 10 - sábado
09 / 13h CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TEATRO HERMILO BORBA
10 / 13h CONFERÊNCIAS PORTO MUSICAL teatro Apolo e auditório do porto digital
11 / 13h SESSÃO ABERTA MINISTÉRIO DA CULTURA AUDITÓRIO MÚSICA BRASIL
12 / 14h apresentações musicais vários locais veJA programação
14h30 / 18h30 CONFERÊNCIAS PORTO MUSICAL teatro Apolo e auditório do porto digital
14 / 17h MOSTRA DE DOCUMENTÁRIOS CINEMA E MÚSICA DO BRASIL AUDITÓRIO MÚSICA BRASIL
14 / 20h FUNCIONAMENTO do ambiente DE NEGÓCIOS terminal marítimo
14 / 22h FUNCIONAMENTO da FEIRA DE PRODUTOS TENDA
17h30 / 19h30 SESSÃO ABERTA ABMI AUDITÓRIO MÚSICA BRASIL
20 / 23h MOSTRA DE CLIPES e shows com:
- LANNY GORDIn
- OSWALDINHO DO ACORDEON
- RAUL DE SOUZA
TEATRO SANTA ISABEL
20/ 0h30 MOSTRA DE CLIPES e shows com:
- axial
- vulgue tostoi
- bossa cucanova
- nation beat + MARACATU ESTRELA
- BRILHANTE
- aNIS
palco arsenal
20 / 1h    MOSTRA DE CLIPES e shows com:
- casuarina
- osvaldinho da cuíca
- nelson sargento
- mart´nália
palco marco zero
dia 11 - domingo
14 / 17h MOSTRA DE DOCUMENTÁRIOS CINEMA E MÚSICA DO BRASIL AUDITÓRIO MÚSICA BRASIL
12 / 14h apresentações musicais vários locais veJA programação
14 / 22h FUNCIONAMENTO da FEIRA DE PRODUTOS TENDA
17 / 18h20 SHOW ANTONIO NÓBREGA TEATRO SANTA ISABEL
19 / 23h MOSTRA DE CLIPES e shows DE ENCERRAMENTO com:
- azulão
- biliu de campina
- maciel melo
- xangai
- MORAES MOREIRA
 

(© JC Online)


Recife na era tecno

Capital pernambucana abre a 1.ª Feira Música Brasil, megaevento com artistas e empresários de todo o mundo, e festeja 100 anos do frevo, seu ritmo mais famoso

Adriana Del Ré

Este é o mês em que todas as atenções estarão voltadas para o Recife. E não é só por causa de seu carnaval tradicional e popular, o que já valeria o merecido interesse. Pelo menos, dois acontecimentos importantes marcam os próximos dias da cidade e a colocarão no foco da imprensa nacional e, quiçá, da internacional também.

O primeiro deles é a Feira Música Brasil, que tem início hoje, com a presença do ministro da Cultura Gilberto Gil, e se estende até o dia 11. Guardadas as devidas proporções, o evento segue a linha da Midem, feira mundial de música realizada na cidade francesa de Cannes. Os organizadores da feira no Recife não concordam com a comparação, mas ela é feita aqui só para o leitor ter uma vaga idéia da dimensão do evento, que ganha a primeira edição este ano. Espera-se: a primeira de uma série.

Outro acontecimento, este histórico, marca os 100 anos do frevo, comemorados exatamente no dia 9 de fevereiro. É uma data simbólica, já que foi nesse dia, em 1907, que a palavra frevo saiu publicada pela primeira vez. Deu no Jornal Pequeno do Recife. O multiartista Antonio Nóbrega, que vem festejando o centenário desde o ano passado com o projeto Nove de Frevereiro, é o anfitrião de um arrastão de frevo, que ele próprio conduzirá pelas ruas do Recife, do centro até o marco zero. Fã fervoroso e estudioso do gênero, Nóbrega já vinha arrebanhando platéias lotadas nos espetáculos inspirados em seu projeto e, ao que se espera, com o arrastão não será diferente.

Isso sem mencionar o Festival RecBeat, realizado durante o carnaval, entre dias 17 e 20, no Recife Antigo. O evento chega à sua 12ª edição acumulando méritos: lançou a banda Cordel do Fogo Encantado, foi palco do retorno do Nação Zumbi, entre outras façanhas. Já inserido no calendário musical pernambucano, o RecBeat mescla nomes conhecidos com artistas novatos. Nesta edição, Tom Zé, o grupo Instituto e Mr. Catra são atrações principais do festival, dividindo cartaz com o já badaladinho Bonde do Rolê.

MÚSICA E NEGÓCIOS

A Feira Música Brasil é o primeiro passo (ousado) do Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultur a (Prodec), criado pelo Ministério da Cultura e que iniciou 2007 com um orçamento de R$ 13 milhões, voltado para o desenvolvimento da cultura como economia no País e fora dele.

Na realidade, esta primeira edição da feira ainda não fez uso desses recursos, porque o Prodec só começou a ter orçamento a partir deste ano, explica a coordenadora do programa, Paula Porta. Mas, de acordo com ela, a 2ª Feira Música Brasil, que ocorrerá novamente no Recife em 2008 (fugindo do eixo Rio-SP), já contará com verba do Prodec. Promovida pela Associação Brasileira de Música Independente (ABMI) e pelo Minc, a feira, por ora, conta com os patrocínios do BNDES e da Petrobrás, além das parcerias do Sebrae, da prefeitura do Recife e do governo de Pernambuco.

'A música brasileira é conhecida há uns 50 anos no exterior, mas era preciso consolidá-la num espaço aqui no Brasil', diz Paula. 'O País estava carente de um ponto de referência dessa produção musical.' Sem contar o consumo de música brasileira e a importância dada a ela no nosso mercado interno.

A urgência de um projeto nesses moldes, para ontem, fez com que Paula e Carlos de Andrade, presidente da ABMI, desenvolvessem juntos o projeto em seis meses, contando desde a elaboração até a sua execução. Tempo recorde para uma feira desse nível, admitem ambos. Ainda é cedo para fazer estimativas de qualquer gênero, sobretudo em relação a negócios.

A feira foi pensada em quatro módulos. No módulo show, uma agitada programação agrupa 35 shows e artistas das mais diferentes estirpes e alguns até graúdos, como Sandra de Sá e Gabriel O Pensador (que abriram mão de pomposos cachês em prol à iniciativa do projeto, contam os organizadores). Desses artistas, 22 foram selecionados e outros 10 convidados por um júri especializado. Há até atrações internacionais. A previsão é de que 50 mil pessoas assistam às apresentações, gratuitas, e à exibição de clipes.

Em parceria com o Porto Musical - Convenção Internacional de Música e Tecnologia, realizado desde 2005, foi montado outro módulo, o de conferências. Há ainda o módulo de produtos, que inclui comercialização, mostra de filmes sobre música e divulgação de projetos sociais ligados à área.

Mas uma das principais meninas dos olhos do evento deve ser mesmo o módulo de negócios. Ou business to business, como define Andrade, que prevê rodadas de negociações, inclusive com capital de risco, 'que traz dinheiro novo para a indústria.'

'É a primeira feira desse porte realizada na América Latina', diz o presidente da ABMI. E explica o motivo pelo qual ele e Paula discordam do título de 'Midem brasileira'. 'A Midem traz shows, é uma feira de trocas, mas não tem a mesma integração que a nossa feira tem.'

Destaques

HOJE
Abertura oficial, às 16 horas, com a presença do ministro da Cultura, Gilberto Gil
Shows de Edvaldo Santana, Sandra de Sá e outros

AMANHÃ
Conferências com os americanos Brad Powell e DJ Spooky)
Shows de Gabriel O Pensador, Silvério Pessoa e outros

SEXTA-FEIRA
Rodada de Negócios Sebrae
Registro do Frevo como Patrimônio Imaterial
Show de 100 Anos de Frevo, Tira Poeira, entre outros

SÁBADO
Conferências com o inglês Peter Jenner, Gil e outros
Shows de Nelson Sargento, Lanny Gordin e outros

DOMINGO
Encontro do forró, com Moraes Moreira e outros

(© Agência Estado, em 07.02.2007)


Feira Música Brasil começa em meio a polêmica entre grandes e pequenos

Cinco maiores gravadoras do país não vão participar do evento recifense

THIAGO NEY
DA REPORTAGEM LOCAL

A Feira Música Brasil tem início hoje em Recife com a intenção de tornar-se o principal evento relacionado ao mercado fonográfico brasileiro. Já em sua primeira edição, a iniciativa acontece em meio a polêmica.

A feira é organizada pela Associação Brasileira de Música Independente (ABMI), pelo Ministério da Cultura e pelo BNDES. A idéia era agrupar todos os envolvidos na indústria, mas tem gente grande que ficará de fora. As cinco maiores gravadoras do país (as multinacionais Sony BMG, Universal, EMI e Warner, além da Som Livre) não estarão em Recife entre hoje e domingo.

"Elas [grandes gravadoras] foram convidadas", afirma Carlos de Andrade, presidente da ABMI. "Nos reunimos com presidentes das multinacionais, até insistimos na participação deles. Mas eles não acreditam na feira. Têm a postura "Quem faz a indústria sou eu. Vocês estão brincando de discos. Não converso com garotos". Essa é a atitude deles."

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), Paulo Rosa, diz que ficou sabendo da existência da feira "por reportagens de jornais". "E depois recebemos um convite do MinC que chegou em cima da hora, no dia 2 de fevereiro. Além disso, não participamos em momento algum da concepção desse evento. Mas não houve recusa da nossa parte. Ainda nem respondi ao convite. Vou responder agradecendo, mas tenho outros compromissos."

Polêmicas à parte, a FMB foi inspirada no Midem, grande feira fonográfica que acontece anualmente na França. "Um dos objetivos é consolidar a indústria brasileira. Mostrar que é um universo repleto de participantes, que não se resume apenas às cinco grandes gravadoras do país", diz Andrade.

O evento será dividido em quatro módulos: 1) destinado a encontros de profissionais ligados à indústria, com participação do Sebrae e BNDES; 2) venda de produtos e equipamentos profissionais; 3) Porto Musical, com conferências e debates; 4) shows de artistas como Osvaldinho da Cuíca, Deize Tigrona, Otto, entre outros.
Como meta, a ABMI cita os números da participação de empresas brasileiras no Midem de 2006: US$ 1,5 milhão referentes a negócios, licenças fonográficas e venda de produtos.

(© Folha de S. Paulo, em 07.02.2007)

Saiba +

Site oficial do Música Brasil


Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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