|
Intensa programação
prepara "arrastão" no aniversário do ritmo que faz todo mundo dançar
Adriana Moreira
Sinônimo de carnaval de rua,o eixo
Recife-Olinda recebe cerca de 1 milhão de turistas para pular, dançar,
subir e descer ladeiras no pique do frevo. O ritmo, que completa 100
anos em 2007, foi escolhido para ser o tema da festa nas duas cidades.
Na capital pernambucana, a folia já
começou. Desde ontem, 37 orquestras de frevo, com mais de 400 músicos,
desfilam por vários pontos da cidade, no projeto Atrás da Orquestra. A
programação será intensa na sexta-feira (dia 9), quando se comemora o
centenário do frevo.
A partir das 16h30, o Arrastão do Frevo
vai reunir foliões, sob a batuta de Antônio Nóbrega, para percorrer as
ruas do centro até o Marco Zero. Ali, às 20 horas, Maria Rita, Gilberto
Gil, Lenine, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Alceu Valença e Ney
Matogrosso, entre outros, têm encontro marcado para lançar o CD 100 Anos
do Frevo.
A abertura oficial do carnaval será feita
por Naná Vasconcelos, na noite de 16, também no Marco Zero. Como manda a
tradição, o percursionista pernambucano comanda 500 batuqueiros e 13
nações de maracatu. Depois, Maria Bethânia, Claudionor Germano e a
Orquestra Popular da Bomba do Hemetério fazem homenagem ao frevo.
O Galo da Madrugada, a agremiação mais
popular do Recife, entra em cena no sábado (dia 17) pela manhã. Quase 2
milhões de pessoas seguem o bloco. Alceu Valença, Elba Ramalho e a Spok
Frevo Orquestra vão animar a multidão. Para quem quiser apenas assistir,
um lugar no camarote custa R$ 150. Informações: (0--81- 3224-2899).
A partir da tarde de sábado de carnaval,
a folia se divide em diferentes pólos. No Multicultural, localizado no
Marco Zero, apresentam-se Chico César, Paulinho Moska e Elba Ramalho. No
domingo, Nação Zumbi e Lenine, com participação especial de Marcelo D2 e
Arnaldo Antunes. Monobloco, Fundo de Quintal e Spok Frevo Orquestra (com
participação de Gal Costa) fazem os shows na segunda-feira. Na
Terça-Feira Gorda é a vez de Alceu Valença, que contará com a
participação de Zeca Baleiro.
O Pólo Mangue, no Cais da Alfândega,
abriga o Festival Rec Beat, que neste ano rende homenagem a Chico
Science. Ali, os ritmos são o rock, o eletrônico e o mangue beat. O
centenário frevo embala a festa na Avenida Guararapes, no bairro Santo
Antônio. Já na Avenida Nossa Senhora do Carmo, em São José, desfilam
blocos, escolas de samba, bois, troças, clubes de frevo e bonecos.
Também no São José, o Pátio do Terço é o
palco para a tradicional Noite dos Tambores Silenciosos, na virada de
domingo para segunda de carnaval. Desde 1968, uma multidão se reúne no
local para homenagear, com um duelo de maracatus, os negros mortos na
época da escravidão. À meia-noite, os tambores se calam e as luzes se
apagam. O silêncio só é quebrado quando uma voz, acompanhada por
atabaques, canta em nome de Nossa Senhora do Rosário. Quem já viu,
garante: é de se emocionar.
ENQUANTO ISSO, NA CIDADELA...
Mais de 500 agremiações, entre clubes de
frevo, troças, blocos, maracatus, caboclinhos, afoxés e cunhas, mantêm
lotadas as ruas de Olinda. Com tanta gente, alguns foliões ficam
“empolgados” e tentam roubar beijos. A prefeitura anunciou que já
proibiu a prática e vai reforçar a segurança, para que a festa seja
divertida para todos.
Neste ano, o bloco dos Lenhadores também
faz 100 anos e será homenageado na cidade. A folia começa,
tradicionalmente, com o desfile do Homem da Meia-Noite, à zero hora de
sexta para sábado de carnaval. E, a exemplo do Recife, também há pólos
de animação. Para a criançada, o do Parque do Carmo tem atividades
monitoradas. Na Passarela do Frevo, arquibancadas permitem que os
espectadores apreciem as agremiações. Para entregar-se à folia
plenamente, a esquina dos Quatro Cantos é o ponto mais disputado do
centro histórico.
Na terça-feira, o Encontro dos Bonecos
reúne os personagens que desfilaram pelas ruas de Olinda nos quatro dias
de festa. Os mais tradicionais são o Homem da Meia-Noite e sua família:
a Mulher do Meio-Dia e o Menino e a Menina da Tarde.
Não pense que a folia termina aí. Na
Quarta-Feira de Cinzas tem o famoso Bacalhau do Batata, bloco que sai às
8 horas do Alto da Sé. Depois disso, só no ano que vem.
(©
Agência Estado)
Frevo popular
com gosto renovado
Orquestra
Popular do Recife lançou o disco E o frevo continua..., com 14 faixas,
12 delas do maestro Ademir Araújo
MARCOS TOLEDO
De orquestra
de frevo, o Recife vai bem, obrigado. Ao lado da SpokFrevo Orquestra e
da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, a Orquestra Popular do
Recife, do maestro Ademir Araújo, é uma das responsáveis por manter o
gênero vivo e renovado. Mas nem sempre foi assim. Tanto que só agora a
OPR chega a seu segundo álbum, E o frevo continua...
Antes de
tudo, uma ressalva: natural de Vitória de Santo Antão, Ademir Araújo não
é, como comumente divulgado, sobrinho do célebre Severino Araújo,
clarinetista limoeirense regente da não menos célebre paraibana
Orquestra Tabajara.
As
origens de ambos, inclusive, são distintas. Enquanto Severino, 90 anos,
iniciou-se na profissão em bandas de música do interior, a vivência de
Ademir, 62, é oriunda das orquestras de rua. Experiência que o maestro
curtiu ao longo de mais de quatro décadas em agremiações como
Coqueirinho de Beberibe, Pás, Inocentes do Rosarinho, Vassourinhas,
Lenhadores, Prato Misterioso e Rebelde Imperial, até comandar a própria
orquestra. “Este CD traz a orquestração da minha vivência nas
agremiações carnavalescas”, diz.
Ao todo,
são 14 faixas, 12 compostas pelo próprio maestro, 11 delas no fim dos
anos 1960. As outras duas são versões do clássico frevo Vassourinhas,
que abrem e encerram o disco (a segunda, aliás, traz as variações de
outro mestre do gênero, Felinho).
Ademir
Araújo conviveu com os grandes – Felinho, Nelson Ferreira, Toscano
Filho, Zumba, Edgard Moraes – e nos dois únicos álbuns lançados pela
Orquestra Popular do Recife repassa o que aprendeu. Autodidata, o
compositor já demonstrava desde cedo, no início dos anos de 1960, sua
vocação como colaborador da perpetuação do frevo. É o que se pode
avaliar no texto que integra o encarte de E o frevo continua...,
assinado pelo teatrólogo (também compositor) Valdemar de Oliveira,
publicado no Jornal do Commercio em 19 de fevereiro de 1965.
No
texto, o musicólogo comenta o concurso de frevos-de-rua da Prefeitura do
Recife e a nota baixa que deu ao tema No ano 2000, de Ademir. “O autor
se coloca no ângulo de onde ninguém ainda observou nosso frevo-de-rua”,
afirma Valdemar em um trecho do depoimento. “(...) Que (Ademir) desdobre
aquelas duas páginas em oito ou dez e terá feito a primeira grande obra
que no gênero esperamos (e tem tardado inexplicavelmente) o
frevo-sinfônico, à semelhança do que fizeram Paul Whiteman ou Gershwin
com a música popular de sua terra.”
Quarenta e dois anos depois, Ademir Araújo e sua Orquestra Popular do
Recife de 32 músicos confirma o talento apontado por Valdemar de
Oliveira no CD E o frevo continua..., que traz No ano 2000,
Alô Recife e outra versão de Vassourinhas como temas
incidentais, fazendo a ligação das gravações atuais.
(©
JC Online)
Esquente para o Galo começa com novo
disco de Travassos
MARCELO PEREIRA
O cantor
Gustavo Travassos traz o frevo na veia. Filho de Enéas Freire, o
nome por trás de O Galo da Madrugada, ele todo o ano está na avenida
animando os foliões, puxando um trio elétrico, cantando frevos, o
ritmo que dá o tom do álbum no ano em que se comemora o seu
centenário. O esquente para o desfile deste ano ocorre hoje no Forte
das Cinco Pontas, a partir das 18h30, com o lançamento do seu novo
álbum – Canto folião. O show tem participação de André Rio,
Nena Queiroga e Geraldo Azevedo.
Canto folião tem treze faixas e traz compositores carnavalescos
consagrados. O hino oficial dos 30 anos da agremiação – O galo em
festa –, é de Nena Queiroga e André Rio, que também animam os
fesfiles no Sábado de Zé Pereira. Nena é também a compositora de
Água por favor, com certeza uma das músicas que mais vai tocar
nesta folia sob o sol causticante. O disco traz parcerias de Carlos
Fernando com Geraldo Amaral (O galo em Veneza) e Geraldo
Zavedo (Lusitana do Norte). Cláudio Almeida assina parcerias
com Clávio Valença (Galo mistura) e Humberto Vieira (Apoteose
do galo). Gustavo homenageia o amigo Marcílio Lisboa (em
Viver verão) e resgata os foliões Chico Buarque (Noite dos
mascarados, um sucesso na voz de Maria Bethânia, que abre o
Carnaval do Recife este ano) e Cateano Veloso (Deixa sangrar).
O CD tem ainda o premiado J. Michiles (Folia dos papangus),
Mário Chaves (autor do Hino do galo), Getúlio Cavalcanti (Doce
com queijo). O maestro José Menezes assina com Alírio Moraes a
evocação a São José, em Bairro dos meus amores.
Para
turbinar os arranjos, Gustavo Travassos chamou o maestro Spok para
arranjar três faixas e tocar sax em Noite dos mascarados. O
disco conta ainda com músicos de primeirO time como Beto Kaiser,
Cláudio Almeida e Nilsinho Amarante.
(©
JC Online)
|