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O
cantor Alceu Valença
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Dois dos
melhores defensores da tradição “frevística” na
atualidade dedicam seus novos álbuns às comemorações
do centenário do frevo. Antonio Nóbrega lança a
segunda parte de Nove de Frevereiro, enquanto Alceu
Valença foi ao Marco Zero para gravar seu elogio
público à tradição do gênero
Edson Wander
Dois dos melhores
defensores da tradição “frevística” na atualidade
dedicam seus novos álbuns às comemorações do
centenário do frevo. Antonio Nóbrega lança a segunda
parte de Nove de Frevereiro, enquanto Alceu
Valença foi ao Marco Zero para gravar seu elogio
público à tradição do gênero. Melhor concebido, os
dois álbuns de Nóbrega fazem uma antologia do gênero
em meio às produções próprias com outros parceiros.
O primeiro disco, lançado em 2005, acabou premiado
no Prêmio Tim como melhor álbum na categoria
regional. Trazia basicamente o repertório consagrado
do gênero (15 faixas) mais uma faixa autoral (Garrincha,
dele com Wilson Freire).
O volume 2 do projeto amplia o espectro da homenagem
em forma e conteúdo. Com participações de vários
músicos convidados, Nóbrega insere sua rabeca na
linguagem do frevo. São 16 faixas com novos nomes
das diferentes matizes do frevo, como os maestros
Edson Rodrigues e Clóvis Pereira (frevo-de-rua), os
compositores J. Michiles, Getúlio Cavalcanti e
Wilson Freire, além das figuras clássicas do gênero,
como Nelson Ferreira, Lourival Oliveira e Capiba.
Na produção e arranjos, Nóbrega contou com os
músicos Edmilson Capelupi (SP) e Spok, da Spok Frevo
Orquestra, que comandou as gravações em Recife.
Aparecem ainda convidados ilustres como a Banda
Mantiqueira (SP), Quinteto da Paraíba, Quinteto
Villa-Lobos (RJ), os grupos de choro Sujeito a
Guincho e Papo de Anjo (SP), Orquestra Retratos (PE)
e o acordeonista Toninho Ferraguti. A inclusão de
elementos “estranhos” ao frevo não comprometeu a
releitura.
Numa faixa em especial, Florilégio, Nóbrega
fez um pot-pourri de frevos de ontem e hoje na voz
de grandes nomes da música brasileira. Por quase
sete minutos de música desfilam nomes como Geraldo
Azevedo, Elba Ramalho, Dominguinhos, Chico César,
Claudionor Germano, Dalva Torres, Expedito Baracho,
Melissa Dias, Ná Ozzetti, Nena Queiroga, Silvério
Pessoa, Suzana Salles, Valéria Moraes e Vanessa
Oliveira. O disco é fechado com Melodia
Sentimental, de Heitor Villa-Lobos, em cuja
segunda parte o maestro Clóvis Pereira a acelera no
ritmo do frevo.
Nóbrega
diz que a associação de Villa-Lobos com o frevo é
uma “glosa livre” dele que se torna mais perceptível
ao público que assistir ao espetáculo. O disco vem
com um bem cuidado encarte de 60 páginas contendo
minibiografias dos mais importantes nomes do frevo,
glossário de passos, fotos inéditas sobre o frevo do
acervo de Pierre Verger e ensaio fotográfico do
Nóbrega dançarino feito pelo renomado Walter
Carvalho. O espetáculo do disco, conta Nóbrega,
deverá ser gravado para virar um DVD duplo com
registro do show e um documentário do frevo feito
pelo próprio Walter Carvalho.
É homenagem a um gênero que mais atendeu ao talento
múltiplo de Nóbrega, acha ele próprio. “O frevo é
uma instituição para mim porque junta o
instrumental, o canto e a dança, três possibilidades
artísticas que eu sempre busquei explorar em meu
trabalho”, diz, admitindo ter o frevo uma
ascendência sobre ele mais do que as outras
tradições pernambucanas como o maracatu e as
cirandas, por exemplo.
Homenagem menos imponente, mas não menos vibrante
foi o show que Alceu Valença registrou no Marco Zero
no ano passado. O CD (14 faixas) e o DVD (17) foram
projetados para entrar nas comemorações do frevo.
Valença valeu-se de uma grande banda (privilegiando
os metais) para repassar 17 músicas pinçadas de seu
vasto repertório, nem todas frevos originais, mas
colocadas na ambientação “frevística” do show. No
palco, ele recebeu participações especiais de
Silvério Pessoa (em Voltei, Recife, de Luiz
Bandeira), Daúde (em Embolada do Tempo, do
próprio Alceu), Zeca Baleiro (em Vassourinha
Aquática, de Alceu com Matias da Rocha e Joana
Batista Ramos) e Paula Lima, que divide voz com ele
em Maracatu (dele com Ascenso Ferreira).
A produção musical ficou com o guitarrista da banda
de Alceu (Paulo Rafael), mas Spok dá o ar de graça
em alguns solos. Nos extras, mais duas faixas, numa
delas, Acende a Luz (de Alceu Valença), o
Maestro Duda ganha uma menção honrosa e participação
na regência; e Alceu fala da importância do frevo
para ele e para Pernambuco.
9 de Frevereiro
Antonio Nóbrega
Gravadora: independente
Preço médio: R$ 30,00
Marco Zero ao Vivo
Alceu Valença
Gravadora: Indie Recores
Preço médio: R$ 21,00 (CD) e R$ 40,00 (DVD)
(©
Agência
Carta Maior)
Feira Música Brasil, realizada em Recife, tem saldo
positivo
Evento, sem grandes gravadoras, deve gerar R$ 8 milhões em
negociações
ADRIANA FERREIRA SILVA
ENVIADA ESPECIAL A RECIFE
Mesmo sem a presença de grandes gravadoras, como Sony-BMG, EMI, Warner e
Universal, a Feira Música Brasil terminou com um saldo positivo, que
surpreendeu tanto a organização quanto os selos independentes que
participaram do evento. Segundo dados do Sebrae, há uma expectativa de
que R$ 8 milhões em negócios tenham sido realizados durante a primeira
edição do encontro, que ocorreu do dia 7 ao domingo passado, em Recife.
Inspirada em feiras internacionais, como a francesa Midem, a FMB foi
criada pela Associação Brasileira de Música Independente (ABMI), com
patrocínio do Ministério da Cultura e do BNDES, para dar visibilidade e
fomentar a indústria da música no Brasil.
"Mostramos como os independentes têm representatividade no cenário
fonográfico nacional. Nos sentimos mercado", avaliou Carlos de Andrade,
presidente da ABMI.
Sobre a ausência das "majors" e de gravadoras indies importantes,
como a Trama, Andrade acredita que eles "pagaram para ver".
"Infelizmente, talvez não acreditassem que esse organismo fosse capaz de
fazer o que fez", afirmou. "Garanto que, no próximo ano, eles virão.
Assim como garanto que teremos uma grande gravadora aqui. Uma ou mais."
Negócios
O ministro da Cultura Gilberto Gil era um dos mais empenhados no
projeto. Ele permaneceu os cinco dias na capital pernambucana e, além de
participar de um show no marco zero da cidade, realizou duas
conferências. Numa delas, disse que estava nascendo "uma nova forma de
conceituar a música brasileira". "A feira mostra que as estratégias de
promoção musical precisam ser revistas", disse Gil.
As tais estratégias foram discutidas exaustivamente, ao lado de temas
como distribuição digital, mercado independente e alternativas para
driblar a queda nas vendas de discos, em palestras do Porto Musical. O
evento ocorre desde 2005 em Recife e, neste ano, foi incorporado à FMB.
Além das reuniões do Porto Musical e das rodadas de negociações, a
FMB ainda teve shows e uma feira de produtos. As performances
aconteceram em três palcos, com atrações internacionais pouco
conhecidas, como os espanhóis La Kinky Beat e o argentino Axel Krygier,
e muitos famosos.
O "mainstream" da MPB esteve em peso em uma apresentação que
comemorou o centenário do frevo, na última sexta, e atraiu 40 mil
pessoas ao marco zero da cidade. Entre os intérpretes, estavam Gil,
Maria Rita, Vanessa da Mata, Ney Matogrosso e Elba Ramalho.
Conversas
Se os contratos foram (ou serão) feitos a portas fechadas, as
negociações ocorreram em meio à folia pré-Carnaval das ruas de Recife.
Nas rodas de conversas, artistas, produtores e empresários discutiam
parcerias e faziam avaliações da feira.
"Para mim, como produtor, foi superlegal", disse Gutie, criador do
festival pernambucano RecBeat. "Participei de seis rodadas de
negociações com selos de vários países, que representam uma cena
fonográfica muito interessante."
A cantora Olivia Hime, proprietária do selo Biscoito Fino, também
estava empolgada. "Vou a muitos eventos internacionais e conheço bem as
dificuldades de fazer uma feira", disse. "Em três anos, eles estarão
prontos para receber gente do mundo inteiro", acredita ela.
Os temas das conferências, por outro lado, foram objeto de críticas.
"Achei mais do mesmo", falou o produtor e DJ pernambucano Bruno Pedrosa.
Para ele, que participou do Porto Musical em 2006, os temas foram
repetitivos. "Houve muita discussão sobre o fim do CD, DVD que vai durar
só mais dez anos, MP3 que tinha que ser pago. Tudo o que o mercado está
cansado de saber. Eles deveriam fazer palestras que propusessem
soluções", falou ele.
"Não acho que os temas sejam repetitivos", contrapôs Gutie. "Novas
tecnologias, esquemas de distribuição, o que fazer sobre a derrocada das
gravadoras são assuntos palpitantes. Não vejo como fugir disso."
No ano que vem, a FMB continua em Recife. Depois, deve passar a ser
itinerante.
A jornalista ADRIANA FERREIRA SILVA viajou a convite da
FMB
(©
Folha de S. Paulo)
NÚMEROS DA
FMB
R$ 8 MILHÕES
em expectativas de negócios, segundo dados do Sebrae
900 PESSOAS
se inscreveram em conferências e rodadas de negócios
250 ARTISTAS
se apresentaram em shows realizados em três palcos montados no
centro velho de Recife
200 EXPOSITORES
montaram estandes na FMB
36 CONVIDADOS
nacionais e internacionais ministraram conferências no Porto
Musical
2.100
pessoas passaram diariamente pela feira, que ocorreu de 7 a 11
de fevereiro |
(©
Folha de S. Paulo)
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Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)
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