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 Morre o cineasta do "faroeste nordestino" Carlos Coimbra

Arquivo/AE

O diretor Carlos Coimbra (1928-2007)
 

Foi nome importante com títulos como Lampião, o Rei do Cangaço (1962)

Luiz Zanin Oricchio

Morreu nesta quarta-feira, 14, com 79 anos, o cineasta Carlos Coimbra. Nascido em Campinas em 1928, Coimbra dirigiu filmes bastante conhecidos em sua época, como o patriótico Independência ou Morte (1972), lançado em plena ditadura Médici.

Foi nome importante no chamado “ciclo do cangaço”, com títulos como A Morte Comanda o Cangaço (1960), Lampião, o Rei do Cangaço (1962), Cangaceiros de Lampião (1966) e Corisco, o Diabo Loiro (1969). Dirigiu também adaptações como A Madona de Cedro (1968), da obra de Antonio Callado, e Iracema, a Virgem dos Lábios de Mel (1978), de José de Alencar. Foi um artesão, com vista dirigida ao cinema popular, sem grandes preocupações com a atualização da linguagem cinematográfica. Seu primeiro longa foi Armas da Vingança (1955) e o último, Os Campeões (1981).

Antes de se tornar cineasta, Coimbra teve uma carreira de cineclubista e depois de montador. Montou, entre outros, O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte (Palma de Ouro em Cannes-1962), e Fronteiras do Inferno, de Walter Hugo Khouri, além de Elas São do Baralho, do atual telenovelista Silvio de Abreu.

Faroeste nordestino

Muito ligado à Cinedistri, de Oswaldo Massaini (hoje comandada por seu filho, Aníbal Massaini Neto), Coimbra dirigiu para a empresa Lampião, o Rei do Cangaço e Corisco, o Diabo Loiro, tidas como produções classe A, caras para a época. Aliás, a carreira de Carlos Coimbra deve ser analisada por sua participação importante no chamado “ciclo do cangaço”, tendo dirigido quatro longas-metragens do gênero.

Esse ciclo começa com O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto, produção da Vera Cruz que ganhou o prêmio de melhor filme de aventuras em Cannes e tornou-se grande sucesso internacional. Abriu um veio e Coimbra foi um dos diretores que o exploraram com maior competência. O ciclo teve tanto sucesso que o crítico Salvyano Cavalcanti de Paiva o apelidou de “nordestern”, ou seja, faroeste nordestino. O curioso é que a maioria desses filmes era rodado aqui mesmo, no interior de São Paulo, para não onerar demais a produção. Essa tradição foi inaugurada com o próprio O Cangaceiro, cujas imagens do semi-árido nordestino foram captadas na região de Itu.

Revistos, a maioria desses filmes se revela datada. Têm o interesse histórico de um momento do cinema industrial no País. E também por terem atraído para seus elencos atores de peso como os já citados Alberto Ruschel e Milton Gonçalves, mas também Leila Diniz, Mauricio do Vale, Gloria Menezes e Leonardo Vilar.

Durante o regime militar, por ocasião do sesquicentenário do Grito do Ipiranga, Coimbra lançou Independência ou Morte, com Tarcísio Meira como dom Pedro I. Na história do cinema brasileiro é um caso isolado de filme patriótico e comemorativo, que acabou não vingando, mesmo durante a ditadura. Coimbra deveria dirigir o remake de O Cangaceiro (1997), mas por problemas de saúde não pôde fazê-lo e o filme acabou ficando a cargo de Aníbal Massaini. Em 2004, o cineasta ganhou uma biografia pela coleção Aplauso - Carlos Coimbra: um Homem Raro - escrita pelo crítico do Estado Luiz Carlos Merten.

(© Agência Estado)


Flip homenageia Nelson Rodrigues

A 5ª edição da Festa Literária Internacional de Parati acontece de 4 a 8 de julho; o escritor Dennis Lehane virá ao evento

A composição e o tema das mesas dependem de resposta dos convidados; uma das prioridades é a preparação dos mediadores

Divulgação
Nelson Rodrigues, escritor e dramaturgo, que morreu em 1980

EDUARDO SIMÕES
DA REPORTAGEM LOCAL

O dramaturgo, jornalista e escritor Nelson Rodrigues (1912-1980) será o homenageado da 5ª edição da Festa Literária Internacional de Parati, que este ano acontecerá entre os dias 4 e 8 de julho, na cidade histórica do litoral fluminense. O escritor americano Dennis Lehane, autor de "Sobre Meninos e Lobos", está entre os nomes já confirmados.

Segundo o jornalista Cassiano Elek Machado, que este ano substitui Ruth Lanna na direção de programação da festa, a escolha de Nelson Rodrigues é uma declaração de que a Flip acha que ele não é só um grande autor de teatro e frasista.

"Nelson está no cânone dos grandes autores brasileiros de todos os tempos", diz Machado. "Pretendo contemplar todas as áreas em que ele se destacou. Do teatro ao futebol, passando também pela crônica."

Como assumiu somente em dezembro a função, Machado diz que o restante da programação, inclusive o show de abertura, está um pouco atrasada. Fora Lehane, haveria cerca de oito convidados confirmados ou prestes a confirmar, mas ele prefere não anunciar os outros nomes até abril.

"Estou fazendo a programação de forma atípica. Não pude partir dos temas que achava ideais, e sim dos autores que acho interessantes, para depois compor as mesas."

Machado diz também que não pretende, ao menos este ano, fazer modificações na estrutura da Flip, que manteria cerca de 19 eventos e um total de 38 autores. A festa também conservaria a mescla de autores consagrados e apostas.

Uma prioridade do novo diretor é investir na preparação dos mediadores. "Em alguns anos isto ficou muito em cima da hora e, como eles têm um papel importante, queremos fazer uma pauta mais bacana", conclui.

(© Folha de S. Paulo)

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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