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Carlinhos Brown lidera bloco da inclusão
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Lilian
Caramel
Um dos principais críticos da elitização e "camarotização" do Carnaval
baiano " a qual chama de "apartheid" - e criador de modismos, o cantor,
compositor e percussionista Carlinhos Brown anunciou ontem, em coletiva
à imprensa, um novo tema para o seu bloco sem cordas e o lançamento do
"Museu du Ritmo", espaço com finalidades culturais, educacionais e, até
mesmo, assistenciais, situado no Comércio.
Desta vez, Brown abandonou a idéia de levar um protótipo de camarote
para as ruas e optou por valorizar a pipoca num bloco democrático e
popular, ou seja, sem cordas, que levará o nome de "Pipocão" e prevê
reunir mais de 35 mil pessoas. Lançado com a pretensão de ser o maior
bloco do planeta, o Pipocão desfila na segunda-feira (19) comandado pelo
trio independente de Brown e sua banda de percussionistas com horário de
saída previsto para 22h.
O adereço que caracteriza o bloco é uma tiara em forma de pipoca que foi
encaminhada para dezenas de ONG´s da cidade e comunidades de bairros e
também será distribuída ao longo do circuito gratuitamente. "Percebi que
não estávamos prontos para levar o luxo de um camarote para a rua. A
educação de lá está longe de descer para cá, para o chão. Isso vai
demorar muito. Então, decidimos resgatar e oficializar a verdadeira
pipoca, enquanto a educação não vem", afirmou.
O adereço também faz alusão a Obaluê, orixá vinculado à segunda-feira,
data do desfile. Com seis composições candidatas a hit do Carnaval,
cinco na voz de outros artistas e apenas uma lançada por ele, Brown
compôs uma música especialmente para o bloco em parceria com Michael
Sullivan, "Pipoca Ploc", que vai agitar também a festa "Baile do Bloco
Parado", sua outra iniciativa do Carnaval.
Desfilando sem patrocínio, Brown defendeu na coletiva a participação
popular num Carnaval livre e respeitoso e afirmou ainda que a escolha do
tema "pipoca" não trata-se de apropriação indevida de uma situação
típica da folia local para promover marketing pessoal. "Eu sempre saio
com meu bloco na rua para brincar naturalmente; não preciso disso. É
tudo natural. Na verdade, eu não sou contra o abadá ou as cordas. Eu sou
contra as injustiças sociais", pontuou.
Museu du Ritmo
Atrações de peso como Zélia Duncan, Pitty, Arnaldo Antunes e Chico César
foram nomes
confirmados por Brown no Baile do Bloco Parado " Esse Bloco Parou pra
Você, festa que agita o Museu Du Ritmo de sexta a terça, com ingresso a
R$60. De acordo com o artista, a decisão de promover uma festa fora do
circuito oficial integra o projeto de valorização do Comércio.
A festa vai homenagear os 100 anos de frevo e, para isso, contará com a
presença, durante três noites, da orquestra de frevo do Maestro Duda, de
Pernambuco. "Escolhi o frevo por que ele representa a mistura das
cortes, a portuguesa e a africana. Ele é a aproximação das raças e o
resultado festivo da grande miscigenação que caracteriza nosso país",
argumentou.
O Museu Du Ritmo está em fase de finalização e irá abrigar, além do
acervo pessoal de Brown composto por centenas de instrumentos musicais,
peças sacras e telas pintadas por ele, projetos voltados para inclusão
digital de crianças e adolescentes, calçada da fama e até um albergue
para acolhimento de moradores de rua denominado "Enquanto Minha Casa Não
Vem".
(©
A Tarde)
Contagem
regressiva para a folia
De abadá
ou fantasia, dentro ou fora das cordas, os foliões de Salvador
contam os minutos para a abertura oficial do Carnaval, que este ano
homenageia o samba e o sambista Riachão. Até a Quarta-feira de
Cinzas, quando o reinado de Momo extra-oficialmente termina com o
arrastão da Barra, serão sete dias ininterruptos de música.
A folia terá início logo mais, às 20h, no bairro da Liberdade, onde
o prefeito João Henrique vai entregar a chave da cidade ao Rei Momo
Eraldo Alves, de 28 anos. Também participam da cerimônia de
abertura, a rainha e as duas princesas, além de autoridades como o
governador do Estado.
Na Barra, o desfile de trios deve arrastar uma multidão para
conferir a passagem de artistas como: Durval Lelys, Ivete Sangalo,
Netinho, Saulo Fernandes, Pierre Onásis, Tomate e Margareth Menezes.
Já no circuito Osmar, percurso mais antigo do Carnaval baiano, a
festa começa ao som de muito samba. Dudu Nobre, Arlindo Cruz, Délcio
Luis e Beth Carvalho puxam o bloco Alerta Geral. Clássicos do ritmo
também serão levados para a avenida por Exaltassamba, Bambeia e
Pagode Total.
Nas ruas estreitas do Centro Histórico, em meio aos casarões
coloniais, os antigos carnavais ganham espaço na folia de Momo. Com
decoração especial para a festa, o circuito Batatinha passa longe da
aglomeração de foliões sedentos pelo agito da axé music.
Lá os blocos de travestidos, afoxés, afros, fanfarras e blocos de
percussão dão o tom dos festejos. As fantasias coloridas ajudam a
compor o cenário e as charangas arrastam foliões, que se divertem ao
som de famosas marchinhas.
Em seis dias de festa nas ruas da capital baiana muitos ritmos vão
fazer a alegria dos foliões. Axé music, samba, pagode e até funk vão
animar o público até a quarta-feira de cinzas, quando o Carnaval é
encerrado com o arrastão na Barra. Participam do final da festa o
músico Carlinhos Brown e convidados.
(©
A Tarde) |
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