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 Alceu compõe para crianças

Alceu Valença
 

Cantor e compositor faz músicas para a atriz Úrsula Corona, de Diários de Florisbela

Alceu Valença mostrou que aos 60 anos está com todo gás. Animou o Carnaval do Recife e Olinda e agora retoma o trabalho de compositor para terminar a encomenda da atriz Úrsula Corona, que prepara sua estréia em disco, segundo informou a coluna eletrônica Blog de Jamildo, do JC OnLine.

Úrsula ficou conhecida nacionalmente com o trabalho em Diários de Florisbela, da Band, vai mesmo abraçar a carreira musical. Neste momento, elá está trabalhando em um disco infantil, com a ajuda do cantor e compositor pernambucano Alceu Valença, que fez músicas infantis em parceria com o seu empresário, Dino Gaudêncio.

Alceu já compôs três das quatro músicas prometidas – Anjo de luz e Vassoura aquática e Ciranda do Amor.

“A música tem sido uma descoberta para mim. Estou focando agora a minha carreira na área de música”, explica a artista, que está tomando aulas de canto com a mesma professora de Marisa Monte e também está estudando percussão com Edwin, que toca há vários anos na banda de Alceu.

O disco de Úrsula Corona sai em agosto, para aproveitar o Dia das Crianças, tendo de tudo, como frevo, ciranda, maracatu e samba. Vários artistas da MPB foram convidados para participar, aceitaram, mas os nomes são mantidos em segredo.

O disco tem como produtor Luiz Carlos “Meu Bom”, diretor da Multishow e um dos produtores de Florisbela, além de ser responsável por trabalhos de sucesso como o CD Superfantástico - Quando eu era pequeno, um tributo às músicas infantis com presença de diversos artistas, como Biquini Cavadão, que compareceu gravando O carimbador maluco (Raul Seixas) do especial Plunct plact zummm.

PAISÃO – Alceu Valença compõe músicas para Úrsula Corona enquanto curte o filho caçula Rafael (quatro anos), que esteve presente em alguns shows seus no Carnaval. O cantor, que já era pai também de Ceceu (28, que já tocou na banda como baterista) e Juliano (16), passou pela primeira vez ao lado da filha Clara Lua, Clarinha, que ganhou no ano passado, após fazer um teste de reconhecimento de parternidade pelo DNA. A garota, de 11 anos, foi levada para a folia pelos pais adotivos, que continuam criando a menina, bastante levada como o pai.

(© JC Online)


Mestres dão aula de coco em novos álbuns

Aurinha e Ferrugem mostram as várias facetas de um dos ritmos mais tradicionais da região

MARCOS TOLEDO

No ano do centenário do frevo, o coco mostra sua força. Aurinha, do Largo do Amparo, e Ferrugem, do Amaro Branco, dois olindenses que aprenderam a tradição com os grandes mestres, mostram seus respectivos talentos no gênero com o lançamento de novos álbuns.

Uma das mais conceituadas coquistas do Estado, Aurinha do Coco festeja, este 2007, 25 anos de carreira com seu segundo disco solo, Seu grito, trabalho independente viabilizado com patrocínio da Chesf. No CD, que tem uma apresentação gráfica de primeiro nível (que se repete no site da cantora na internet), assinada pelo designer Leo Antunes, a artista revive a tradição de seus antepassados dando uma aula de duas variações do coco: o de xambá (marca de seu primeiro trabalho, Eu avistei, de 2004) e o de raiz, com direito a uma palhinha do coco de Arcoverde.

“O primeiro CD, independente, foi o primeiro filho, foi um sonho”, lembra a coquista. “Este segundo foi mais trabalhado, com mais condições de pagar os músicos, ter a cabeça para compor, esses mínimos detalhes”, diferencia.

Aurinha sempre cantou coco de raiz e em Seu grito ela interpreta com seu grupo Rala Coco cinco temas deste gênero. Em outras seis faixas ela volta ao coco de xambá e, em As mestras, passeia pelos dois estilos dando ainda uma amostra do coco de Arcoverde.

As canções têm os mais diferentes temas. Ora falam de assuntos do cotidiano, como a violência contra a mulher (a faixa-título) e de sua cidade (Vem pra Olinda), ora de crenças religiosas como Adão e Eva (Adão pecou) e Nossa Senhora (Peroba). Noutras, faz brincadeira de duplo sentido (Coco da padaria) e homenageia suas colegas coquistas (As mestras). “Faço minhas músicas no meu dia-a-dia”, revela a também compositora, que assina sete temas, dois deles em parceria.

Seu grito, o carro-chefe do álbum, surgiu a partir da participação de Aurinha em um encontro de mestres promovido pela Secretaria de Saúde de Olinda, que deve render, ainda este ano, um disco e um documentário em DVD para serem distribuídos nas escolas do município. “O pessoal estava me cobrando (um coco) e eu não tinha inspiração”, conta. “Eu dizia: ‘Meu Deus do céu, me ajude’. Papai do Céu, então, me deu essa música belíssima, que coloquei como nome do CD.”

A cantora só se ressente da dificuldade para divulgar o trabalho. Ainda aguarda o apoio para promover o lançamento do álbum, que é endossado pelo percussionista Naná Vasconcelos, produtor do primeiro disco e que assina o luxuoso encarte do segundo.

(© JC Online)

Visite o site de Aurinha do Coco


Mestre Ferrugem em seu primeiro vôo solo

Iniciado no coco aos 9 anos de idade, pelo próprio pai – e a contragosto da mãe –, Wilson Bispo dos Santos, 57 anos, é um dos veteranos no gênero. Com uma trajetória de mais de quatro décadas, o mestre Ferrugem, como é mais conhecido, só agora chega a seu primeiro álbum solo. Antes, o artista participou da coletânea Coco do Amaro Branco (2005), dividida entre ele e os amigos Ana Lúcia e Dédo (músico e pescador assassinado há um mês ao tentar apartar uma briga).

Autor de mais de 200 composições, Ferrugem assina todas as canções do CD Mestre quando canta discípulo tem que respeitar, viabilizado com patrocínio do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) do Governo do Estado. “Pode confiar que tudo é meu”, afirma, com uma ressalva: a faixa de abertura, Mestre João Vieira, ele aprendeu com o avô, João Francisco da Luz, do município de Carpina. “Mas, como ele já faleceu, tenho o direito de colocar”, justifica.

Mesmo com tantas criações, para Ferrugem foi fácil fazer a escolha do repertório do CD. “Aquilo que eu cantava e que sempre agradava, que tinha uma pegada boa, eu fui selecionando”, explica. Nas canções, o mestre fala de sua história de vida, do coco e do imaginário popular. Cinco delas, foram registradas para a coletânea do Amaro Branco. As outras sete são inéditas em gravação.

Ferrugem é especialista em coco de raiz, embora também interprete coco de embolada e repente. A principal surpresa de Mestre quando canta discípulo tem que respeitar fica por conta da última faixa, A derrubada – chill out, que tem participações de Berna Vieira e Ivanildo de Oxossi. Berna, ex-integrante das bandas Eddie e Bonsucesso Samba Clube, ficou encarregado de lançar a obra do coquista em uma experiência que tem feito sucesso – a remixagem de músicas de raiz – tocando escaleta e comandando programações.

Com seu jeito sempre franco, o mestre diz que aprovou a experiência, mas com reservas: “Gostei e não gostei. Mas está sendo aceito. Não posso dizer nada.” Ferrugem explica que a forma como a canção é finalizada, com a ajuda da eletrônica (ele imita os ruídos enquanto fala), fica diferente de sua forma de cantar. “Mas é muito importante para o meu trabalho”, conscientiza-se.

Ainda abalado pela morte do mestre Dédo (“Foi uma coisa muito feia, uma maldade”, desabafa), Ferrugem se prepara para mostrar ao vivo o resultado do trabalho. O coquista é atração do Pólo Rio Doce (Olinda), na terça-feira de Carnaval, e, no dia 10 de março, em um pocket show na Livraria Saraiva do Shopping Recife (Boa Viagem). (M.T.)

 

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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