Maior festival de teatro do País traz estréia de A
refeição, de Newton Moreno, além de Apareceu a
margarida, com direção do ator Bruno Garcia
FABIANA MORAES
Pernambuco teve boa performance na
concorridíssima Mostra Oficial do Festival de Teatro de
Curitiba este ano: além da presença de As três viúvas
de Arthur, o dramaturgo Newton Moreno e o ator e
diretor Bruno Garcia também estão entre os 21
selecionados da maratona que vai de 22 de março a 1º de
abril. Newton assina o texto do espetáculo A refeição,
que estréia no dia 24 de março no Teatro Sesc da
Esquina. Na peça, a direção de Denise Weinberg, que no
ano passado, também em Curitiba, realizou uma
interpretação inesquecível como a prostituta Dilma em
Oração para um pé de chinelo. Já Bruno Garcia, que
atualmente vive o personagem Juan Arrabal no folhetim
global Pé na jaca, dirige Apareceu a margarida,
texto histórico de Roberto Athayde. A peça será
apresentada nos dias 31 de março e 1º de abril no Teatro
Paiol.
Esta é a terceira vez que Garcia dirige um
espetáculo: em 1999, ele comandou Mênon, peça
baseada em um texto escrito há mais de 2.500 anos por
Platão. Em 2000, foi vez da peça Disque-ofensa/linha
vermelha, onde trabalhou com a atriz Marília Medina,
a mesma que interpreta a controvertida professora
Margarida. O ator/diretor celebra a seleção em Curitiba
(“É um orgulho incrível”, diz) e lembra a imensa
popularidade desse texto que nasceu em plena ditadura e
derramava um humor absolutamente corrosivo sobre a
mesma. “Apesar de ser uma obra muito procurada -
atualmente, devem existir umas cinco montagens de
Apareceu a Margarida no Brasil –, para nós foi
tranqüilo realizar a peça. Nunca vimos nenhuma versão, e
talvez por isso a criação seja mais livre. Não nos
importamos com possíveis comparações”, avisa ele,
fazendo referência principalmente à histórica montagem
dirigida por Aderbal Freire Filho em 1973, na qual
Marília Pêra ganhou um Molière.
Bruno Garcia acredita que o sucesso da obra de
Roberto Athayde (montado em mais de 30 países do mundo)
se dá não por seu aspecto atemportal: mais do que um
libelo ácido contra os anos de ferro, ele fala sobre a
relação de delírio entre o homem e o poder. “O texto
permanece vigoroso e ainda propõe diferentes linguagens,
você pode trabalhar com ele de maneiras diferentes”,
analisa. Garcia, com Duda Maia (diretor de movimento) e
Lia Racy (diretora-assistente), optou em cortar partes
da peça que, originalmente, tem dois atos. Também não há
truques no palco: não há nenhuma trilha sonora e são
pouquíssimas as mudanças de luz. “Quis fazer uma coisa
mais realista.”
COMER OU NÃO COMER? – Com um texto
recentemente montado no Recife (Ópera), Newton
Moreno abordou o canibalismo para preparar seu novo
trabalho, A refeição. São três ensaios dramáticos
sobre o ato de canibalizar, os três com pares bem
distintos entre si: no primeiro, um casal em um quarto
de hospital tem uma relação no mínimo sui generis. No
segundo ensaio, outro casal, agora formado por um
executivo e um mendigo, encontram-se “à luz da lua na
sarjeta”. O último, finalmente, mostra um antropólogo
que recebe um pedido inusitado de seu objeto de estudo,
um velho índio. Para voltar às suas raízes, ele pede que
o pesquisador o devore. Em troca, o índio velho lhe dará
as últimas palavras e tradições desta tribo em vias de
extinção imediata.
Por e-mail, Moreno escreve que sua peça é “uma
herdeira faminta” de Oswald e Mário de Andrade. O estilo
urbano e focado na figura humana que caracteriza o
trabalho deste pernambucano há anos radicado em São
Paulo continua. A refeição, segundo Moreno, nos ajuda a
“Entender o outro que nos alimenta e nos devora na arena
das relações contemporâneas.” No elenco dessa montagem
onde o comer ou não comer é a grande questão, estão
Marat Descartes, Plínio Soares e Luah Guimaraez. A
refeição foi desenvolvida em oficinas no Royal Court
Theatre. Sua última versão, finalizada em agosto de
2005, aconteceu após projeto de residência na sede do
RCT, em Londres.
Depois de ser bastante elogiada em terras locais,
As três viúvas de Arthur entrou na grade da Mostra
Oficial: as apresentações da montagem criada dentro do
projeto Aprendiz Em Cena acotnecem nos dias 25 e 26 de
março, no auditório Salvador Ferrante, o Teatro
Guairinha. Kleber Lourenço, Cláudio Lira e Jones Melo
são os diretores do espetáculo baseado na obra do
maranhense Arthur de Azevedo.
As três viúvas... será mostrada no mesmo dia
de montagens como Zona de guerra (da paulistana
Cia. Triptal de Teatro, com texto de Eugene O’Neil),
Besouro Cordão de Ouro (da carioca JLM Produções,
que abordou a vida do mítico capoeirista) e a citada
A refeição (da Jacinta Empreendimentos).O festival
ainda traz, no Fringe, os trabalhos A chegada na
prostituta no céu (que será apresentado na rua) e
Angu de sangue, do coletivo Angu de Teatro.
Até agora, 236 peças estão cotadas para o Festival de
Teatro de Curitiba: 21 na Mostra Oficial, 206 no Fringe,
seis na Mostra de Teatro para Crianças de Todas as
Idades, e três na Mostra Novas Linguagens/Novelas
Curitibanas.
(©
JC Online)
Visite o
site do Festival de Teatro de Curitiba
Prata da casa presente no Cine PE
Oito obras pernambucanas – cinco de ficção, dois documentários e
uma animação – estão entre os curtas (filmes e vídeos) selecionados
O Cine PE Festival do Audiovisual entra em sua segunda fase
com a divulgação das obras selecionadas para as mostras competitivas
de curtas-metragens e vídeos digitais que farão parte da programação
do evento, a ser realizado de 23 a 29 de abril, no Cineteatro
Guararapes. Dos 120 curtas inscritos, 21 foram selecionados pela
comissão formada pelo cineasta e ator Bruno Torres, pelo diretor
Franklin Jr. e pelo editor e montador mineiro Guigo Pádua. Cinco
deles são pernambucanos: Eisenstein, com direção de Leonardo
Lacca, Raul Luna & Tião, e Noite de sexta, manhã de sábado,
de Kleber Mendonça Filho, ambas de ficção, os documentários No
rastro do camaleão, de Eric Laurence, e Schenberguianas,
de Sérgio Oliveira & William Capela, e a única animação
pernambucana, Até o sol raiá, de Fernando Jorge e Leandro
Amorim. Os demais filmes são originários de São Paulo (4), Minas
Gerais (2), Rio Grande do Sul (1), Rio de Janeiro (4), Distrito
Federal (2), Ceará (2) e Paraíba (1).
A Mostra Competitiva de Vídeos Digitais terá dez
concorrentes, escolhidos entre 319 inscritos pela comissão formada
pela jornalista e diretora publicitária Alice Gouveia, pelo cineasta
Hermano Figueiredo e pelo produtor cultural e diretor de audiovisual
Amaro Filho. São dois pernambucanos – Na corda bamba, de
Marcos Buccini, e O jumento santo e a cidade que se acabou antes
de começar, de William Paiva & Leonardo Domingues – e
representantes do Rio de Janeiro (3), de São Paulo (2), de Minas
Gerais (1), da Paraíba (1) e de Goiás (1).
INÉDITOS – Nesta 11ª edição, o Cine PE obteve um
número recorde de inscrições. Além dos 319 vídeos digitais e 120
curtas-metragens em formato 35mm – nas categorias ficção,
documentário e animação – foram inscritos 54 longas-metragens. De
acordo com os diretores do festival, Sandra e Alfredo Bertini, cerca
de 60% das inscrições dos longa-metragens – a serem divulgados na
primeira quinzena de abril – são de filmes inéditos sem qualquer
exibição realizada no Brasil ou no exterior.
Com um orçamento de R$ 1,8 milhão, o Cine PE irá conferir
o Troféu Calunga de melhor vídeo digital, melhor diretor, melhor
roteiro e melhor montagem, independente de categoria. Nos
curtas-metragens também continua valendo também o critério de
premiação única para as categorias de melhor filme, melhor diretor,
melhor roteiro, melhor fotografia, melhor montagem, melhor edição de
som, melhor trilha sonora, melhor direção de arte, melhor ator e
melhor atriz.
(©
JC Online)
Visite o
site do CinePE
Festival de João Pessoa abre
inscrições para curtas
O Cineport permite a
participação de produções do Brasil, de Angola, Cabo Verde,
Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste
SÃO PAULO - A terceira edição do Festival de Cinema
em Língua Portuguesa (Cineport) ocorrerá de 4 a 13 de maio, em João
Pessoa, e recebe, até 10 de março, inscrições para o prêmio
Andorinha Digital, dedicado a filmes de curta-metragem. Segundo a
criadora do evento, Mônica Botelho, por causa do aumento
significativo de candidatos nos anos anteriores, as inscrições foram
antecipadas.
Podem participar produções do Brasil, de Angola,
Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor
Leste.
As inscrições são feitas no site
oficial, onde está o regulamento da competição, que
tem também prêmios para longas.
(©
Agência Estado)
Visite o
site do Cineport
|