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 Show de Maria Bethânia em João Pessoa será no dia 11 de abril

Maria Bethânia
 

Depois de passar por São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro, a cantora Maria Bethânia segue a partir deste mês com a turnê de seu novo show, "Dentro do Mar Tem Rio", com repertório inspirado em seus dois últimos discos, "Mar de Sophia" e "Pirata".

Bethânia apresenta este show em João Pessoa no dia 11 de abril, no Teatro Paulo Pontes do Espaço Cultural José Lins do Rego. Informações (83) 8863-6315/8821-6441 ou 9106-8924

"Perto de muita água tudo é feliz". Maria Bethânia faz deste trecho de Guimarães Rosa a máxima de seus dois discos inéditos e do novo show, "Dentro do Mar Tem Rio". Os dois CDs, lançados separadamente, na verdade se complementam, e juntos fecham o conceito pretendido pela cantora: Em "Mar de Sophia", Bethânia canta o mar e seus símbolos a partir da poesia de Sophia de Mello Breyner. Já em "Pirata", ela viaja pelo universo folclórico e afetivo das águas dos rios do interior do Brasil.

No novo espetáculo - dirigido por Bia Lessa (que assina a direção dos dois últimos shows de Bethânia) - essas águas se encontram e se misturam harmoniosamente, cumprindo com rigor a premissa "Dentro do mar tem rio. Dentro de mim tem o quê? Vento, raio, trovão, as águas do meu querer...", presente na letra de Capinam para a melodia de Roberto Mendes em "Beira-Mar: No universo de Bethânia", responsável pelo roteiro do show (que conta com a colaboração de Fauzi Arap), o rio de Jereré (da bucólica canção de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano, "De Papo pro Ar") e as águas tépidas do mar da Bahia (em Kirimurê, de Jota Velloso) estão muito próximos. Bethânia dá vazão às suas memórias e paixões para construir uma narrativa pontuada pela coerência, e banhada pelas águas da simbologia que alimenta lendas, mitos e histórias.

"Esse show é pontuado por dualidades: Bethânia dentro do mar, e Bethânia observando o mar. Ao passo que ela se insere e mergulha profundamente nestas águas, possui também um distanciamento crítico. Ao mesmo tempo que Bethânia perpassa toda aquela dramaticidade que é só dela, fruto de um entendimento absoluto da tragédia humana, ela está na verdade muito leve, meio que rindo disso tudo. Esse espetáculo é uma grande radiografia de Bethânia através das águas, um diálogo entre ela e o universo", explica Bia Lessa.

O sincretismo religioso marca presença através dos símbolos da religião africana, casos de "Canto de Oxum" (Vinicius de Moraes/Toquinho), "Yemanjá Rainha do Mar" (Paulo César Pinheiro/Pedro Amorim) e a autobiográfica "Dona do Raio e do Vento" (Paulo César Pinheiro); e do catolicismo, com São Francisco - em "Francisco, Francisco" (Roberto Mendes/Capinam)- e São José- em "Meu Divino São José" (domínio público).

Temas como Pedrinha Miudinha, Cantigas Populares e Cirandas, todas de domínio público, evidenciam a força da criação singela e rica em significados do artista popular. A mítica figura do marinheiro, destemido e solitário, aparece tanto na baianidade de "Marinheiro Só" (Caetano Veloso) e do ijexá "Memórias do Mar" (Vevé Calzans e Jorge Portugal), quanto no fado "O Marujo Português" (Linhares Barbosa e Arthur Ribeiro).

Cantora reconhecida pelas interpretações definitivas, em que acaba assumindo, intuitivamente, a co-autoria das canções, Bethânia agrega neste show compositores, a primeira vista, tão díspares entre si, mas que diluídos num roteiro que prima pela coesão, tornam-se fundamentalmente complementares.

Dessa forma, há desde compositores contemporâneos, que comparecem com as inéditas "Eu Que Não Sei Quase Nada do Mar" (Ana Carolina/Jorge Vercilo), "Sereia de Água Doce" (Vanessa da Mata), "Grão de Mar" (Márcio Arantes e Chico César), com exceção da inconformada "Debaixo D'Água" (Arnaldo Antunes) - esta já gravada pelo compositor; passando pelos conterrâneos Dorival Caymmi - em "Cantiga da Noiva" e "Canto de Nana" -, Roberto Mendes - "Memória das Águas" (com Jorge Portugal) e "Francisco, Francisco" (com Capinam) -, além do irmão Caetano Veloso - "Onde Eu Nasci Passa Um Rio" e "Os Argonautas" -; até os clássicos de Tom Jobim - "Praias Desertas" -, Edu Lobo - em "O Tempo e o Rio" (com Capinam) -, e até Heitor Villa-Lobos - "Floresta do Amazonas".

(© O Norte Online)


Shows dos artistas baianos estão entre os mais bem pagos do país

A febre do axé pode já ter passado, mas deixou seu rastro. Hoje em dia, os grandes cachês de shows da música brasileira falam com sotaque baiano. Enquanto astros pop como Sandy & Júnior cobram cerca de R$ 200 mil por show, o grupo Babado Novo não se apresenta por menos de R$ 250 mil.

Apesar de não contar com a beleza de Cláudia Leitte, o Chiclete com Banana cobra ainda mais caro: R$ 300 mil. Os baianos andam com tanta moral que exigem até participação nas vendas de ingressos.

— Ivete Sangalo e Asa de Águia recebem 50% das bilheterias dos shows, com um cachê mínimo de R$ 240 e 220 mil, respectivamente. Como os eventos sempre lotam, é normal eles ganharem entre R$ 300 e 350 mil — diz um produtor de micaretas.

Mas os milionários do axé continuam perdendo para o hors-concours Roberto Carlos, que ganha de R$ 500 mil a R$ 700 mil por show. Com o Rei, as emoções são mais caras.

 

(© O Globo)

VÍDEO:

Maria Bethânia e Gal Costa - Esotérico (Gil)

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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