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Gioia promete colocar Sinfônica na rua

10/02/2001

 

 
 

Novo regente da orquestra municipal do Recife pretende realizar até 40 concertos este ano, no Santa Isabel e em praça pública

   Azarão na disputa pela regência da Orquestra Sinfônica do Recife, o maestro Osman Giuseppe Gioia, 46 anos, chega disposto a mostrar trabalho. Prometeu na primeira entrevista, ontem, ao lado do secretário municipal de Cultura, João Roberto Peixe, colocar a orquestra para tocar dias 11 e 12 de março, aniversário do Recife, no Marco Zero e Teatro Santa Isabel. E, antecipando-se ao coordenador musical da Prefeitura, Zé da Flauta, garantiu que deseja popularizar a música erudita através do que já chama de ‘Movimento Manguefônico’ – um arrumadinho com a mais autêntica música criada em Pernambuco. “Por que não colocar, lado a lado, a Sinfônica, o maracatu e o Mestre Ambrósio? Temos de pensar no presente e no futuro, mas sem preconceitos”, sugere.

   Mas, segundo Roberto Peixe, de concreto mesmo existe apenas a decisão política de fazer com que a Sinfônica volte a atuar com mais assiduidade e também fora do Teatro Santa Isabel. Gioia quer de 30 a 40 concertos este ano. Mas Peixe já antecipa que não existe orçamento próprio para a Sinfônica e nem seus músicos terão qualquer regalia além do que ficar estabelecido pela futura política salarial do prefeito João Paulo (PT). Por isso, está fora de cogitação, pelo menos por enquanto, a integração das gratificações ao salário-base dos profissionais.

   Por este motivo, aconselha: a Sinfônica terá de mostrar muito trabalho para voltar a ter credibilidade junto ao público e conseguir, assim, recursos através de convênios com a iniciativa privada e patrocínios pela Lei de Incentivo à Cultura. “A Celpe já mostrou interesse e estamos conversando com a Fundação Banco do Brasil”, antecipa.

   O secretário diz ainda que irá reestruturar a Secretaria da Cultura na reforma administrativa de João Paulo: a área musical (OSR e Banda da Cidade) ficará subordinada à Cultura. Mas o que mais preocupa é colocar os músicos numa mesma folha de pagamento porque muitos deles foram contratados por diversas secretarias. “Vamos analisar cada caso para que ninguém saia perdendo”, antecipa. Mas o regente continuará a receber o mesmo salário do secretário de Cultura: R$ 5.076,00. (Paulo César Scarpa. Jornal do Commércio)

Peças eruditas nordestinas estão na mira do diretor

   Apesar de ainda não ter conversado com os músicos da OSR (“O convite foi tão repentino”), Osman Gioia diz que conhece muito bem a real situação da orquestra. “Temos 70 músicos quando precisamos de 90”, resume. Além da falta de uma sede própria para ensaios. “Mas isso é um sonho. Esperamos que seja o Santa Isabel”, deseja.

   Além disso, Gioia reconhece que a orquestra sente falta de vários instrumentos de percussão e teclado, já que normalmente cordas e sopros são propriedades dos músicos. Mas garante que estão em seus planos a conquista de um público maior. “Quero me dedicar a peças armoriais, um erudito popular; e ressuscitar o erudito nordestino porque acho Bach muito chato”, sentencia. E, na impossibilidade de concurso para o preenchimento de vagas, diz que quer abrir estágios para cordas para os alunos do Conservatório Pernambucano de Música e Departamento de Música da UFPE. “Temos de dar chance para eles crescerem”, justifica. Gioia também quer criar um coral sinfônico.

   Entre seus planos estão: um concerto de gala mensal, na primeira terça-feira do mês, e dois outros na quarta. “Um didático, pela manhã, para escolas; outro às 18h30, com multimídia, para leigos”. E também um concerto de câmara por mês, apenas com cordas, para ‘economizar’; além de concertos nas datas cívicas, em praça pública. E uma ópera por ano.

   Formado em Regência pela Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e acumulando hoje a diretoria artística e regência da Orquestra Sinfônica da Paraíba (desde 96), e o de coordenador do Estúdio Acústico-Digital da UFPE, Osman Gioia diz que não quer ser chamado de maestro. “Sou regente. Fiz curso que dura sete anos, mais que o de Medicina. E, afinal, tem muita gente dizendo-se maestro quando não passa de bom violinista”, ironiza.


Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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