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07/02/2002
Ernesto Nascimento estiliza o 'Romance da Pedra do Reino', obra-chave do autor JOTABÊ MEDEIROSPassistas vestidos com roupas de couro bordado, como vaqueiros da caatinga. Na Marquês de Sapucaí, mantos, fantasias de homens vestidos como monolitos de pedra, além de capas e espadas e cavaleiros e vassalos. E muito luxo, já que a fantasia sebastianista dos nordestinos presumia um mundo de cortesãos sertanejos e nobres redivivos. É a materialização do enredo da Império Serrano, Aclamação e Coroação do Imperador da Pedra do Reino Ariano Suassuna. Uma homenagem ao dramaturgo, romancista, professor, advogado e grande artífice do Movimento Armorial, o paraibano Ariano Suassuna, de 75 anos. Segundo o carnavalesco Ernesto Nascimento, Suassuna já garantiu presença no desfile, e foi três vezes ao barracão da Império Serrano para ver as alegorias. Isolado para concluir um livro, o escritor não falou sobre a honraria que o carnaval carioca está lhe prestando, mas mostrou-se lisonjeado. "Não é uma pessoa ligada ao Carnaval, mas acha uma manifestação bonita, do povo", disse Nascimento. O atores que participaram da mais bem-sucedida adaptação de uma obra do autor, O Auto da Compadecida, devem estar presentes no desfile. O desfile foi feito pelo próprio Suassuna, que desfilará no 8.º carro da escola, ao lado do filho, Dantas, e da mulher, Dona Zélia. O enredo aborda a mitologia sertaneja da obra do autor, uma ponte entre as narrativas clássicas e a tradição cultural do cordel. Parte desse ideário está contida na obra-chave do autor, O Romance da Pedra do Reino, livro que ele levou 12 anos para escrever e que parte da descrição de um massacre ocorrido em um sítio na Serra do Catolé, em Pernambuco, no século 19. Neste sítio histórico da Pedra do Reino, na cidade de São José do Belmonte (480 quilômetros do Recife), os moradores homenageiam o livro que faz referência à História com uma cavalhada tradicional. Há uma batalha estilizada e uma cavalgada até as pedras da Serra do Catolé, onde Ariano Suassuna é coroado como imperador. "Hoje o império é a voz da razão, onde reina a paz e a união/E é muito mais que uma paixão/Sou imperador lá do sertão", continua o enredo. Um enredo que se detém também em aspectos específicos do mundo suassuniano, por assim dizer. "Cabra macho, firmeza, que emoção/Liberdade, esperança, ressurreição", diz a canção, de Aluizio Machado, Maurição, Carlos Sena, Elmo Caetano e Lula. O intérprete é Carlinhos da Paz. (© O Estado de S. Paulo)Suassuna universal Roberta Oliveira Não é só na Sapucaí, onde o Império Serrano
desfila com o enredo Aclamação e coroação do imperador da Pedra do Reino: Ariano
Suassuna, que a obra do autor pernambucano vai estar em evidência. Demetrio Nicolau
estreiou, no Teatro do Leblon, o Auto do novilho furtado. A peça é uma
adaptação de A pena e a lei, em que Suassuna reuniu, nos anos 50, três
textos curtos: A inconveniência de ter coragem, O caso do novilho
furtado e Auto da virtude da esperança. Saiba mais sobre Ariano Suassuna: Festival de Cinema do Recife reverencia Suassuna
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