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09/04/2001 Pernambuco num concerto de muitos ritmos Em sua terceira edição, o evento tem como principal característica a garimpagem da música e da cultura popular do Estado. Com nova injeção de recursos, a coletânea, que resulta da pesquisa, aparece mais luxuosa Mais uma vez, a África Produções assume o papel de garimpeira da música e da cultura produzidas no Estado com o projeto Pernambuco em Concerto. A terceira edição do evento é apresentada ao público local com um festival, quinta e sexta, na Praça do Arsenal, no Bairro do Recife, com shows dos 13 grupos registrados em uma coletânea, que começa a ser vendida durante as apresentações. Essa nova edição do Pernambuco em Concerto surge bem mais fortalecida. Dessa vez, será investido o dobro da edição anterior, com recursos captados, principalmente, pela Lei Rouanet. Caixa Econômica Federal, Correios, Transbrasil e Governo do Estado já confirmaram patrocínio. Neste ano, o projeto abre espaço ainda para uma premiação especial, financiada pelos Correios, que visa recompensar o trabalho de pessoas que se dedicam à comunidade e à crença na divulgação e permanência da cultura popular. Os escolhidos para representar a força das tradições pernambucanas foram Mestre Zé Duda, do Estrela de Ouro de Aliança e Malu, do Maracatu Nação Peixinhos e o do grupo Axé da Lua. A terceira edição do CD será dedicada a Didier Bertrand, pelo trabalho frente à TV Viva. De acordo com a África Produções, o evento contará com cobertura nacional por parte da mídia. TV Cultura, MTV, Rádio Cultura Bravo e o jornal Folha de S. Paulo foram alguns dos veículos que confirmaram presença durante os dois dias de shows. E tão importante quanto tudo isso é o caráter social do evento. Durante os shows, um posto, instalado na Praça do Arsenal da Marinha, estará arrecadando alimentos, que serão distribuídos em comunidade carentes da região metropolitana do Recife. SEMPRE DIDÁTICO A audição de qualquer um dos CDs da série Pernambuco em Concerto funciona também, além da óbvia questão musical, como uma aula da História do Estado. É possível até não gostar do som, mas não desprezar a importância das gravações. O projeto já registrou os sons indígenas da tribo fulni-ô, da Índia Mãe da Lua, o legítimo forró pé-de-serra da Zona da Mata de Vanildo de Pombos, o hip hop de grupos de periferia até o funk, o coco e o maracatu. Ou seja: cinco séculos compilados em algumas horas de música. E, por uma estranha alquimia, todos esses elementos díspares? acabaram gerando trabalhos redondos e homogêneos. Com essa terceira edição, não poderia ser diferente. Assim como o festival, o CD é dividido em duas partes distintas: uma voltada ao resgate da cultura popular, com canções que poderiam ter sido feitas há 50, 100 anos; a outra, para as bandas mais novas da cena recifense fica aqui uma sugestão: na próxima edição do projeto, os produtores bem que poderiam escolher artistas ligados à música eletrônica. Aurinha e Rala Coco é uma grata surpresa, com Eu avistei. Faixa divertida, simples, dançante e sem a afetação nos vocais que geralmente permeiam registros desse tipo. O forró de Lampiões e Maria Bonita (aquele grupo que sempre se apresenta no Pátio de São Pedro, lembra?) está delicado e poético em Sina de Baião. O mesmo se pode dizer da beleza do frevo de bloco de Usina das Cordas. A mistura de ritmos regionais de Os Caba é até interessante e ficaria melhor ainda se o grupo relaxasse na hora de carregar no sotaque para provar que é nordestino. Seu som já é, rapazes. O movimento de Bairro Novo é representado por Os Cachorros e a Prole. O HC do primeiro dispensa apresentações. Já o segundo, levou, de forma inusitada, o funk-metal de lá de fora para visitar os terreiros de umbanda daqui, em um momento que resume bem a proposta de misturar tudo ao mesmo tempo agora do CD. (SCHNEIDER CARPEGGIANI, Jornal do Comércio) |
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