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18/04/2001 Autor prepara livro para provar que o samba é nordestino e indígena Após 20 anos de estudo, o autor diz ter rastreado a origem daquele que é considerado o ritmo nacional por ROSÁRIO DE POMPÉIA Onde começou o samba? Essa pergunta foi motivo para que o escritor Bernardo Alves passasse 20 anos (1976 a 1996) pesquisando a resposta em jornais do século passado e entrevistando várias comunidades do litoral e interior. A resposta está no livro Pré-história do Samba, que será lançado no próximo mês, pela prefeitura de Petrolina. A obra defende dois pontos que contradizem aquilo que os historiadores relatam. O primeiro tópico apresentado é que o samba não é de origem negra e sim indígena e o outro afirma a origem do samba como nordestino e não carioca. Tenho um documento que se refere a uma pessoa tocando e cantando o samba em 1837, no Recife. Enquanto isso, os historiadores desse gênero, como Renato Almeida e José Ramos, contam que o ritmo nasceu no Rio de Janeiro, em 1917, argumenta Bernardo. Para o escritor, a pré-história do samba começou com duas tribos. Quando os Curumbas, do interior do Nordeste, iam para litoral com o intuito de ganhar dinheiro, na época de seca no Sertão. Para festejar a colheita, eles levavam viola e dançavam o semba, como era chamado. Já os Amocreves levavam especiarias para vender no litoral, principalmente em Goiana, e à noite, quando acabavam o trabalho, dançavam o semba. Existe uma gramática da língua cariri de 1699, que fala do samba, conta. O contato com o negro, que possui uma grande potencial de assimilação, fez com que o samba ganhasse mais beleza, incluindo nele as palmas e a umbigada. Todo engenho tinha uma roda de samba. Com os negros, ele ganhou o atabaque, a cuíca e o gongo, ressalva. A economia do local fez com que a dança se espalhasse para o Sul. Negros, índios e caboclos estavam indo trabalhar no café. Um fato importante é que os índios e caboclos desceram para o Sul pelo interior e os negros difundiram esse ritmo pelo litoral, explica. Chegando no Rio de Janeiro, cidade famosa pela quantidade de intelectuais que possuía como Ruy Barbosa e Coelho Neto, o ritmo cresceu na Mangueira e ganhou apoio da classe nobre. A novidade musical encantou a todos. Para comprovar toda sua tese, o escritor conta com depoimentos de estudiosos, como Silvio Salema, que pesquisou por mais de 30 anos a música dos índios brasileiros. Nas suas entrevistas, ele ouviu no Recife, em 1953, uma africana de 115 anos que canta o samba. OUTRA FACE DA HISTÓRIA A versão oficial escrita por José Ramos Tinharão e Luciano Galé conta que os índios, depois do contato com os europeus, abandonaram sua cultura. Quando se vai pesquisar em livros de missões encontram-se histórias do padre Curt Niemandeju, falando que, em 1939, a música era como a vida para os índios. Os catequisadores trouxeram a orquestra jesuíta com flauta, viola, pandeiro e chocalho, explica. Outra ressalva que o escritor faz é que a história da música brasileira foi escrita por africanistas como Arthur Ramos e Miguel Quirino que só teve olhos para o aspecto negro. Hoje, tenho mais uma prova viva da minha pesquisa. Quando se visita um grupo de moradores da Ilha Massangano, em Petrolina, verifica-se um grupo de moradores que dançam, há cem anos, um samba de raiz, denominado Samba de Véio, argumenta. Toda essa história também resultou numa proposta indecente. Um grupo de baianos me ofereceu divulgar cinco mil cópias do livro se eu deturpasse a obra e contasse que o samba é de origem baiana, relata. (Jornal do Commercio) |
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