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18/04/2001 Pernambuco no foco do mundo Exposição de Arte Popular e Cangaço começa a peregrinar por importantes museus internacionais, levando acervos do Estado aos olhos estrangeiros por CAROL ALMEIDA Sem desfraldar qualquer bandeira política, mas levantando muitos estandartes. É assim que a cultura de Pernambuco começou a peregrinar pelo mundo desde o mês passado, quando o historiador Frederico Pernambucano de Mello levou para Santiago do Chile, a exposição Arte Popular e Cangaço. A mostra faz parte do projeto Associação Brasil + 500 e tem como base de sua coleção obras e peças que pertecem ao Museu do Homem do Nordeste e ao acervo particular do próprio historiador. No entanto, para explicar o porquê desse percurso até o Chile (e, dentro dos próximos meses até a Inglaterra e a Austrália), é necessário antes uma breve introdução do que significa este evento. No ano passado, o Brasil, ou ao menos parte dele, lembrou de seus 500 anos de certidão de nascimento (a carta de Caminha). Durante os eventos comemorativos, sobraram equívocos políticos, manifestações contrárias e a imagem de dois índios tupinambás chorando diante do manto de sua tribo, antes da chegada dos colonizadores portugueses. Fugindo dos dilemas históricos, este último episódio, o do emocionante encontro do homem com seu furtado bem ancestral, foi com certeza a cena mais representativa no saldo redescobrimento do Brasil. O manto em questão estava em São Paulo, na mostra Brasil + 500. A exposição reunia objetos, documentos, telas, retratos fragmentados, enfim, do que foi o Brasil nesses cinco séculos de diferentes colonizações. Imagens que fazem parte do inconsciente coletivo do povo brasileiro e que, por isso mesmo, chegavam algumas vezes a extrair emocionadas reações de reencontro. Um dos 10 módulos dessa grande exposição ganhou o nome de Arte Popular e Cangaço, e teve a curadoria conjunta de Frederico Pernambucano de Mello e Emanuel Araújo. E é aí que Pernambuco entra na história, ou melhor, que a História de Pernambuco entra no mundo. Durante quatro anos, Frederico Pernambucano de Mello e mais 11 curadores, coordenados pelo curador-mor Nelson Aguilar, trabalharam com dados históricos e acervos museológicos, tudo isso para resgatar aquilo que falta tanto no Brasil: memória. Naturalmente, em 500 anos de existência oficial, o País não poderia ser completamente representado numa única exposição, por maior que ela fosse. Restou aos curadores selecionar os mais representativos objetos que dissessem algo sobre a cultura de ser brasileiro. Frederico Pernambucano de Mello sabia que, quanto à arte popular, não haveria muitos problemas em obter informações e material. Afinal, além de trabalhar em um dos centros de preservação da cultura nordestina, a Fundação Joaquim Nabuco, o historiador tinha o apoio do Museu do Homem do Nordeste e de outros centros e museus dos estados vizinhos. Durante sua pesquisa, no entanto, surgiu um questionamento levado até a curadoria geral da mostra Brasil + 500. As características da arte popular (frontalidade orgulhosa e ligação com divindades, por exemplo) foram produzidas em um momento de paz. Entenda-se por paz o oposto de guerra, rebeliões ou brigas. O curador percebeu com isso que havia uma parte do Brasil, virgem de relato, segundo ele. E isso se traduzia no que ele define como o irredentismo, fosse nos levantes indígenas, nos quilombos negros ou nas revoluções sociais dos brancos. Mas o governo brasileiro e suas forças armadas haviam destruído qualquer sinal desse irredentismo ao longo dos anos. Esteticamente, havia sobrado somente alguns objetos de uma manifestação recente da história do País: o cangaço. (Jornal do Commercio) |
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