Turnê comemorativa da carreira do
grupo pernambucano percorre o Brasil e vai virar vídeo digital
Marco Antonio Barbosa e Mônica Loureiro
Para quem tem o umbigo voltado para o Sudeste e pensa
que: Natal é Papai Noel com "Jingle bells", Carnaval é desfile do Sambódromo
e trios elétricos na Bahia e festa junina é concurso de quadrilhas luxuosas... já até
passou da hora de ampliar seus horizontes brasileiros. O grupo Quinteto Violado comemora
30 anos de carreira falando dessas três festas no disco/turnê Visão Futurística do
Passado. O álbum foi gravado em setembro do ano passado no Recife, para marcar em
grande estilo as três décadas de atividade do grupo. A turnê subseqüente - que já
passou por Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro - vem dar "corpo presente" à
festa. E quem não vir ao vivo, vai poder conferir tudo num DVD que o Quinteto lançará
ainda este ano.
"Nós focamos os três ciclos de manifestações musicais mais
recorrentes no Nordeste, pinçando momentos marcantes nessas épocas e em nossa
carreira", diz Marcelo Melo, vocalista principal e violonista da banda. O Quinteto é
formado hoje por Marcelo,Toinho Alves (voz/baixo), Dudu Alves (teclados), Roberto Menescal
(voz e percussão) e Ciano Alves (flauta/violão) - Toinho e Marcelo são os únicos da
formação original. O grupo se apresentou pela primeira vez em 1971, em Nova Jerusalém,
interior de Pernambuco. Durante todos esses anos, manteve como característica principal a
ousadia em dar nova sonoridade à música nordestina tradicional. "Nossa missão é a
valorização do homem através da arte", resume Dudu.
O show Visão Futurística do Passado funciona como um curta-metragem
que conta a história do Quinteto Violado. A dificuldade em resumir em 16 músicas 30 anos
de produção foi resolvida com uma simples votação: "Cada um de nós escolheu as
músicas que achava mais representativas dentro de cada ciclo. Aí foi só incluir as mais
votadas!", diverte-se Dudu. Durante quase toda a apresentação, o Balé Brasílica,
com 12 integrantes vindos do Balé Popular de Recife, faz todas as coreografias dos
folguedos populares.
A turnê ainda vai render um DVD, o primeiro do Quinteto, para completar o
pacote do trigésimo aniversário. As imagens têm sido registradas Brasil afora desde o
início de março, quando a excursão teve seu começo oficial, no Recife. "O
primeiro momento das comemorações foi o espetáculo que fizemos na UFPE (Universidade
Federal de Pernambuco) em outubro de 2001, quando tivemos como convidados Elba Ramalho e
Dominguinhos. Nesse dia começamos a gravar o DVD, que deve sair até outubro", diz
Marcelo. Toinho lembra da gravação do CD: Foi uma experiência nova, uma
celebração com o público. A platéia fez uma verdadeira festa particular, e foi tão
importante quanto os músicos para o resultado final."
Além do show, o DVD terá clipes, depoimentos de intelectuais e artistas,
fotos e imagens antigas, como Gonzagão entregando um prêmio ao grupo e Chico Science
participando de um show. "Será publicado também um livro de fotografias, com alguns
depoimentos marcantes, preparado pelo Ministério da Cultura", completa Marcelo.
O ciclo natalino inicia o espetáculo, com um pot-pourri das músicas do
pastoril e bumbas-meu-boi. O carnaval abre com "A noite dos tambores
silenciosos", seguido de muito maracatu, frevo de bloco, frevo-canção, frevo de rua
e caboclinho, fechando com "Leão do Norte". O quinteto reserva um momento
especial onde, em formato acústico, toca suas músicas marcantes, como Palavra Acesa,
Rio Capibaribe, Quero Mais, Juazeiro, Asa Branca e a inédita Toda Vez que Te Vejo. A
reta final do show traz as festas juninas traduzidas pelo xote, xaxado, baião, forró e
uma verdadeira quadrilha com participação do público. Aqui, o Trio Matulão, formado
por Derico, Pequeno - sobrinhos de Toinho - e Clécio reforçam o forró ao lado do
quinteto.
Visão Futurística do Passado é o terceiro disco do Quinteto Violado
pela gravadora paulista Atração (antes, foram Farinha do Mesmo Saco, em 99,
indicado ao Grammy pela música Leão do Norte, e 25 Anos Não São 25 Dias,
em 97). "Sabemos que há muito tempo a relação gravadora x artista x mercado mudou.
Hoje se trabalha com um produto visando apenas o retorno comercial. O artista ligado à
cultura, que não tem aquela busca desesperada pela mídia, só necessita mesmo de uma
distribuição boa, pois consegue encontrar uma certa facilidade na produção de seu
disco", opina Marcelo. "Temos um trabalho de parceria com a Atração e estamos
bastante satisfeitos. Hoje o CD do quinteto vende por si só, e sem participar desse
processo de estouro", completa Dudu.
Com 38 discos lançados - incluindo os trabalhos gravados em Cabo Verde,
Alemanha e Japão -, eles já influenciaram muita gente. Quem pensa, por exemplo, que o
termo "forró universitário" é recente, muito se engana. "O próprio
Falamansa nos cita como os criadores desse processo. Afinal, foi o quinteto que chegou às
universidades para levar a música de Gonzagão", lembra Dudu.
(© CliqueMusic)