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02/04/2003
Letícia Lins - Bezerros, PE
Passagem obrigatória de quem vem de carro
ou de ônibus do sul para Recife, a BR-232 tem agora uma atração a mais que resume num
só lugar toda a criação dos artistas populares do estado, mostrando desde os famosos
bonecos de barro a artigos de couro, carrancas, mantas e bordados. Trata-se do Centro de
Artesanato de Pernambuco, que fica na beira da estrada no município de Bezerros, a 107
quilômetros da capital pernambucana. O acesso é gratuito e o centro funciona de
terça-feira a domingo.
Normalmente, a idéia que se tem do artesanato pernambucano é que ele se
resume aos bonequinhos de barro do Alto do Moura, em Caruaru, onde se concentram os
discípulos, descendentes e herdeiros do famoso e já falecido Vitalino. Se o barro faz de
Caruaru o maior centro de artes figurativas da América Latina, ele também dá forma a
santos, moringas e bichos mágicos do município de Tracunhaém, na Zona da Mata. Ao
entrar no Centro, você vai perceber que a arte popular pernambucana não se resume a
trabalhos de barro.
Tirando Caruaru, Goiana e Tracunhaém que se dedicam mais à
produção de cerâmicas utilitárias ou decorativas restam ainda 15 outros, todos
muito bem representados com a exposição de mantas, redes, rendas, peças de madeira,
carrancas e móveis em cipó.
Logo na entrada há um painel imenso de J. Borges, morador de Bezerros e
considerado por Ariano Suassuna como o maior xilogravurista do Brasil. De Bezerros,
também, são as máscaras dos papangus, uma manifestação carnavalesca que só existe
nessa cidade e cujos adereços são usados, no resto do ano, como decoração em casas de
família.
Ainda da região agreste vêm o artesanato de couro usado pelos vaqueiros
nordestinos. São gibões, perneiras, bornéus, chapéus de couro, chocalhos. Do agreste,
também, sobram as finas rendas em renascença dos municípios de Poção, Pesqueira e
Jataúba, os bordados à mão de Passira e o mobiliário em cipó do Riacho das Almas.
Da Zona da Mata vêm os tapetes ricamente bordados da cidade de Lagoa do
Carro e os bonecos móveis do Mestre Saúba, que servem tanto como brinquedos populares
quanto como peças de decoração, encontrados até em lojas luxuosas. Também está à
mostra a arte mamulengueira de Glória de Goitá e a dos bonecos carnavalescos de Olinda,
através da Carnavália, uma boneca mamulengo gigante.
Do sertão vem a arte santeira de Ibimirim, as figuras esquálidas em
imburana de Sertânia e, por fim, as carrancas de barro de Ana das Carrancas, a mais
famosa artesã de Petrolina.
O centro funciona de 10h às 20h, diariamente. Na loja de souvenirs, as
peças custam de R$ 9 (paninho de bandeja em renda) a R$ 260 (o casal Lampião e Maria
Bonita).
(© O Globo On Line)
| Arte e
ócio em Recife e Olinda |
| Se o seu
destino no Nordeste é Pernambuco, a capital, Recife, oferece as melhores opções em
gastronomia, diversão e serviços do Estado. Lá também está uma das mais belas praias
urbanas do País, a da Boa Viagem. O artesanato produzido na região é outro destaque.
Vai de peças fabricadas em fundo de quintal às obras do reconhecido artista plástico
Francisco Brennand, de 75 anos.
Aliás,
vale a pena incluir em qualquer roteiro uma passadinha pelo Museu e Oficina de Brennand
(0--81- 3271-2466; ingresso a R$ 3,00 por pessoa). Localizado no bairro da Várzea, o
lugar, de 10 mil metros quadrados, serve de ateliê para as famosas esculturas em
cerâmica do polêmico artista. Brennand acredita que o segredo dos artistas está no
trabalho exaustivo. "Quando estamos extremamente cansados, o corpo fica envenenado.
Aí é que as obras acontecem", diz. Atualmente, seu acervo conta com 2 mil peças.
Outro local muito
interessante para ser visitado é a Casa de Cultura, antiga Casa de Detenção do Recife
(0--81-3224- 2850). Divididas em quatro alas - norte, sul, leste e oeste -, as 127 antigas
celas atualmente dão espaço a lojas de artesanato, pinturas, bordados e jóias.
Originalmente, a detenção começou a ser construída em 1850 pelo engenheiro
pernambucano José Mamede Alves Ferreira. O projeto foi concluído em 1867. Mais de cem
anos depois, em 1974, foi transformada na Casa de Cultura. Os presos que ainda estavam no
local acabaram transferidos para Itamaracá.
Vida mansa
Os que preferem
apenas curtir uma tarde de sombra e água fresca, de preferência de frente para o mar, a
dica é a famosa Praia de Boa Viagem, na zona sul do Recife. De um lado da avenida de
mesmo nome, prédios residenciais disputam espaço com uma ampla rede hoteleira, bares e
restaurantes. Do outro, está a praia, de oito quilômetros de extensão.
Lá, a vida mansa
é facilitada pelos donos dos inúmeros quiosques distribuídos pela orla, que montam
cadeirinhas na areia e cobram R$ 1,00 de quem não quiser fazer muito esforço. Além das
muitas barraquinhas - que vendem de tudo um pouco -, há grupos de freqüentadores para
todos os gostos. Vão de turistas - muitos estrangeiros - a "tribos" bem
definidas, como a de maioria GLS.
Olinda
Quer
conhecer mais? A apenas sete quilômetros da capital, Olinda conquista pelo charme de suas
ladeiras, ruas estreitas e casario antigo. A cidade, tombada pela Unesco como Patrimônio
da Humanidade, guarda ainda outros deleites. Tem, segundo foliões mais apaixonados, o
melhor carnaval de rua do País. Mas não é necessário esperar um ano inteiro para
conhecer um pouquinho desta cultura tão brasileira.
Os bonecos
gigantes, responsáveis pela tradição do carnaval de Olinda, ganharam um museu, a Casa
dos Bonecos Gigantes (0--81- 3439-2443). Lá dá para conferir a evolução dos bonecos.
Há algumas décadas, as alegorias chegavam a pesar 40 quilos. Hoje, pesam, em média, 13
quilos. O artesão Silvio Botelho monta algumas dessas peças. Ele conta que a cabeça dos
bonecos é de isopor e o corpo, de fibra de vidro.
Ainda em Olinda,
não deixe de conferir o Mercado da Ribeira (Rua Bernardo Vieira de Melo, s/n.º). Na
época da escravatura, o lugar abrigou uma senzala. Hoje, dá lugar a vendedores de
inúmeros produtos de artesanato - perfeito para aquelas lembrancinhas de última hora. Cristina Ribeiro
(© estadao.com.br) |
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Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)
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