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 Dança sim, música não

18/04/2003

 

 

 

Dielson Pessoa de Melo

 

Inês Amorim

   Há sete meses, o pernambucano Dielson, de 19 anos, quase caiu para trás quando Deborah Colker, que conhecera pouco antes, o convidou para fazer parte de sua companhia. Mas não hesitou. Fez as malas, deixou a família em Recife e caiu na estrada com a trupe de dançarinos. Dia 25, a Cia. de Dança Deborah Colker aporta no Teatro João Caetano com o espetáculo “4 por 4”. Dielson só lamenta a falta que sente de casa: “Mas a saudade me inspira a me esforçar, a saber que não é em vão.”

Nome completo: Dielson Pessoa de Melo.

Data de nascimento: 18-6-1984.

Como você foi parar no grupo de Débora Colker? Em setembro a companhia foi a Recife, onde eu morava. Eu dançava no Grupo Experimental e um professor conseguiu que eu participasse de uma aula da Débora. No final ela foi falar comigo. Perguntou minha idade e se eu queria entrar para a companhia.

E você? Eu disse “lógico”. Como sou novo, ela viu que seria fácil desenvolver uma linguagem contemporânea comigo. O convite foi uma grande honra, um prazer, uma vitória.

O convite foi de repente, né? Antes dele, quais eram seus planos? Sempre pensei em me preparar no Recife e depois fazer uma audição para uma companhia grande do Rio.

E agora? Quero dançar pelo mundo inteiro e juntar uma grana para dar um presente para minha família.

Você dança há quanto tempo? Quatro anos, sendo dois de balé clássico e dois de dança contemporânea.

Como sua família reagiu quando você decidiu ser bailarino? Foi tranqüilo. O difícil foi que não tínhamos grana para bancar o uniforme. Mas consegui o apoio de uma loja.

E os amigos? Por causa do machismo, na escola sofri um pouco. Implicaram um bocado.

Você terminou o ensino médio? Terminei. Penso em fazer faculdade de artes cênicas ou educação física.

O que você fez com seu primeiro salário? Paguei o aluguel, comprei umas coisas...

Aluguel? Você foi morar sozinho? Passei dois meses numa república. Agora divido um apartamento com outro bailarino do grupo em Copacabana.

Sua mãe ficou triste quando você se mudou? Um pouco. Por ela eu ficaria embaixo da saia dela um tempão (risos) . Mas ao mesmo tempo ela me incentivou muito.

Qual foi o último bom livro que você leu? “A mentira”, de Nelson Rodrigues.

E o último bom filme a que assistiu? “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles. Gosto de filmes de ação.

O que você tem ouvido ultimamente? Gosto de black music, de blues. Ouço o ritmo mas não me preocupo em saber quem é o artista. Antes não me interessava muito por música, até por falta de grana para CDs.

O que faz nas horas vagas? Leio, estudo e vou à igreja.

Que lugares você freqüenta? Já fui algumas vezes na Lapa à noite. Ainda não deu tempo de fazer muitos amigos.

Qual o defeito que você mais detesta em você? Às vezes sou muito precipitado com minhas escolhas. Queria ser mais tranqüilo.

E o que mais gosta em você? Trato bem as pessoas, sou positivo.

Qual a sua característica mais marcante? Gosto muito de falar.

Que talento você gostaria de ter? Queria sabe tocar bem um instrumento. Vou voltar a estudar trompete.

Qual a coisa mais preciosa que você tem? Minha família.

Últimas palavras: Aproveitem cada oportunidade de suas vidas.

(© O Globo On Line)


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