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22/04/2003
Acertos finais para o XIII
Cine Ceará - Festival Nacional de Cinema e Vídeo, que acontecerá entre os dias
7 e 13 de maio. Hoje, serão divulgados os filmes para a Mostra Competitiva Cinema de
Longa-Metragem. Também tem início o credenciamento, trocando-se um quilo de alimento
não perecível pela entrada. Essa é a novidade desta edição; o festival continua com o
mesmo formato, discutido por alguns realizadores audiovisuais
Ana Mary C. Cavalcante
da Redação
O Cine Ceará,
festival que começou acanhado em 1991 (era, então, a Vídeo Mostra
Fortaleza), inclui-se, hoje, entre os quatro mais importantes do gênero, no
calendário nacional. ''É colocado ao lado de Brasília, Gramado e Recife'', divulga
Wolney Oliveira, diretor-executivo do Cine Ceará. ''O festival é a vitrine
do audiovisual, também um grande alavancador da produção no Estado. O festival mais
antigo da cidade, que tem repercussão local e nacional, é o Cine Ceará'',
acrescenta, medindo forças com o problemático Salão de Abril. Franzé
Santos, produtor e programador do Espaço Unibanco Dragão do Mar e que integrou a
Comissão de Seleção dos curtas-metragens para a mostra competitiva deste ano,
referenda: ''O cinema, no Ceará, deu uma virada muito grande. As coisas que vi nos curtas
e nos vídeos me surpreenderam''.
Do outro lado, também o reconhecimento: ''Pelos jornais, já sabia da
existência do Cine Ceará. É mais um espaço, sem dúvida. Brasília e
Gramado são sedes; o Ceará não é apenas uma sede, é um pólo produtor e receptor'',
avalia o paulista Mário Rezende, jornalista e produtor de documentários. Rezende
concorre com o vídeo As Sanfonas do Lua, exibido na TV Cultura em dezembro
do ano passado: ''É a primeira vez que participo, a gente sempre fica muito distante,
né? Dessa vez, vocês é que são o centro!''.
E os preparativos para a 13ª edição do Cine Ceará - que
acontece entre 7 e 13 de maio - prometem manter o festival no centro das atenções. Na
abertura, para convidados, será exibido o inédito O Homem do Ano -de José
Henrique Fonseca e com Murilo Benício, Cláudia Abreu, José Wilker e Lázaro Ramos no
elenco. Para a mostra internacional, foco na obra do italiano Roberto Rosselini
(1906-1977) - contando-se com a presença do herdeiro Renzo Rosselini, no painel ''O
Neorealismo Italiano e o Cinema Novo Brasileiro''. A programação de seminários e
oficinas ainda está indefinida, mas adianta-se o seminário ''A Música no Cinema'' (o
tema pauta o XIII Cine Ceará, ao lado da influência de Rosselini no cinema
nacional) e a oficina ''Produção de Trilha para o Cinema''; na área, os forasteiros
Sérgio Ricardo, David Tygel e André de Oliveira e a prata da casa, Manassés, Fausto
Nilo, Elismário. Entre os 200 convidados esperados, a atriz e cantora paulista Adelaide
Chiozzo é um dos destaques. Aviso aos Navegantes, filme do acervo da
memorável Atlântida, vem com ela. O público, então, pode-se medir pela edição
passada - quando o trunfo, a diva espanhola Sarita Montiel, lotou o Cine São Luiz Centro
(que oferece 1.500 poltronas).
''Quando a gente inaugurou o Espaço Unibanco (são duas salas de cinema, com
113 e 173 lugares), tinha sessão com uma pessoa - e a gente cancelava. Hoje, tem uma
platéia cativa; no mínimo, dez pessoas. A mesma coisa acontece com o Cine Ceará:
a cada ano, aumenta o público. Agora, a cobrança de ingressos deveria existir'', opina
Franzé Santos. A novidade do festival, este ano, limita-se, justamente, ao credenciamento
dos interessados em assistir às mostras. O acesso vale um quilo de alimento não
perecível - doação ao projeto Amigos do Prato (mantido pelo Sesc/CE, distribui
refeições a pessoas carentes). Acesso limitado, ressalte-se: a frase ''válida até
completar a lotação'', impressa na credencial deste ano, tenta evitar o número de
espectadores além da capacidade das salas exibidoras. As credenciais podem ser trocadas a
partir de hoje, na Casa Amarela Eusélio Oliveira e no Espaço Unibanco. Também para
hoje, está marcada a divulgação dos sete filmes para a Mostra Competitiva Cinema de
Longa-Metragem. Segundo Wolney Oliveira, o ineditismo (que também implica ainda estar
fora do circuito comercial) foi um dos critérios julgados.
Mas o ''xodó'' do festival parece mesmo ser os
curtas-metragens. Tanto que 398 produções brasileiras se inscreveram na mostra
competitiva (112 em película/35mm ou 16mm e 286 em vídeo); ano passado, foram 350
inscritos (somando-se curtas e longas). ''Uma seleção como essa permite que ocorra um
mapeamento da produção audiovisual do País. Claro que o eixo Rio-São Paulo é muito
presente'', fala o paraibano Lúcio Vilar, jornalista e professor da UFPB - que, ao lado
de Franzé Santos e do carioca Mair Tavares (montador e editor), compôs a Comissão de
Seleção para a competitiva dos curtas.
Aí está o nó da questão, para alguns realizadores: o ''formato
clássico'' do Cine Ceará, com duas mostras competitivas e mostras
paralelas que não dão conta da produção (local, principalmente). Embora a mostra O
Olhar do Ceará (com os não-selecionados) seja um paliativo, os realizadores
acham pouco. ''É importante caracterizar como nacional porque você tem uma mostra mais
abrangente. Mas você acaba resumindo àqueles participantes que também conquistaram
espaço em Gramado, Brasília... Os grandes festivais do País acabam sendo só um
revezamento desses nomes que já são consagrados'', acredita Mário Rezende à procura de
outros locais, além do XIII Cine Ceará, para exibição do seu
documentário. Na opinião do cineasta cearense Heraldo Cavalcanti, ''em relação aos
curtas-metragens, o problema é o número de filmes que você passa. A pergunta seria:
você, realmente, está mostrando a produção do País em curta-metragem? Eu acho que
não''. Na conversa informal, surgiram propostas: idealizar novas mostras para o Cine
Ceará, ocupar mais espaços. Ir além do festival.
(© O
Povo-NoOlhar.com.br)
Mostras
A programação (palestras, seminários,
relação de homenageados e convidados) do XIII Cine Ceará pode ser
alterada até a realização do evento. Mas o festival cearense tem o seguinte formato:
Mostras competitivas: exibem os trabalhos eleitos pela
Comissão de Seleção em duas categorias (Cinema de Longa-Metragem e Cinema e Vídeo de
Curta-Metragem), concorrentes à premiação do XIII Cine Ceará (R$ 15 mil
para o melhor longa; R$ 3 mil para o melhor curta em vídeo; R$ 5 mil para o melhor curta
em película e R$ 5 mil para o diretor da melhor produção cearense em cinema ou vídeo.
Além de troféus em diversas categorias - melhor direção, fotografia, ator, etc).
- Mostra Competitiva Cinema de Longa-Metragem: até o fechamento desta edição, o nome
dos sete filmes selecionados não tinha sido anunciado. A expectativa é que se divulguem
ainda hoje (terça-feira). Ano passado, venceu o longa de Susana Amaral, Uma Vida em
Segredo, baseado em um romance de Autran Dourado.
- Mostra Competitiva de Cinema e Vídeo de
Curta-Metragem: reúne 15 produções em 16mm ou 35mm e 11 produções em vídeo, que
contemplam as categorias de ficção, animação, documentário e vídeo experimental.
Desses 26 trabalhos, a participação dos estados é a seguinte: São Paulo (nove
selecionados), Rio de Janeiro (seis), Ceará (quatro), Pernambuco, Bahia, Paraíba,
Espírito Santo, Pará, Rio Grande do Sul (todos com um concorrente), além do Distrito
Federal. Os vencedores da edição passada foram O Sol Alaranjado (de
Eduardo Valente, melhor curta/filme) e Com Passos de Moenda (de Elisa
Cabral, melhor vídeo).
Mostras paralelas: voltadas para públicos específicos, com o
objetivo também de chegar a outros bairros de Fortaleza e ao Interior do Estado.
- Mostra Roberto Rosselini: com
apresentação de curtas e longas-metragens do cineasta italiano. Estão programados: Alemanha,
Ano Zero (de 1947. Com: Edmund Moeschke, Ernst Pittschau, Barbara Hintz), De
Crápula a Herói (1959. Com: Vittorio de Sica e Hannes Messemer), Roma -
Cidade Aberta (1945. Com: Aldo Fabrizi, Anna Magnani, Marcello Pagliero), Stromboli
(1949. Com: Ingrid Bergman, Mario Vitale, Renzo Cezana), A Inveja (1952.
Com: Orfeo Tamburi, Andrée Debar e Incola Ciarletta), Fantasia Submarina
(1940), Ingrid Bergman (1953. Com: Ingrid Bergman, Albamaria Settaccioli e
Isotta Rossellini), Illibatezza (1952. Com: Rosanna Schiaffino, Bruce
Balaban, Gianrico Tedeschi), La Vispa Teresa (1940), Nápoles
(1953. Com: Antonella Lualdi, Franco Pastorino e Ugo d'Alessio), O Peru Prepotente
(1940), Santa Brígida (1951). Com Ingrid Bergman), Turim entre Dois
Séculos (1961). O filho do cineasta, Renzo Rosselini, é aguardado para a mostra.
- Mostra A Música no Cinema: estão confirmados os filmes A Noite do Espantalho
(de Sérgio Ricardo) e Louco por Cinema (de André Luiz de Oliveira).
- Mostra dos Idosos/ Melhor Idade: o filme Aviso
aos Navegantes (de Watson Macedo e com Adelaide Chiozzo, Oscarito e os bons tempos
da Atlântida) é a grande atração da mostra. Chiozzo promete um show exclusivo para o
público.
- Mostra O Primeiro Filme a Gente nunca
Esquece: exibição de Os Três Zuretas (dirigido por Cecilio Neto) para
crianças de escolas públicas da periferia de Fortaleza.
- Mostra O Olhar do Ceará: os realizadores cearenses não selecionados para as mostras
competitivas têm esse espaço de exibição (que, inicialmente, acontece no sábado, 10
de maio, e domingo, 11); 25 produções locais estão fora da competição.
(© O
Povo-NoOlhar.com.br)
Muitas
produções para pouco festival
Realizadores
reinvidicam mudanças no formato do Cine Ceará, que consideram muito
antiquado, baseado nos moldes dos grandes festivais internacionais do gênero. Para ele,
é preciso dar mais espaço para a produção local como forma de dar o retorno para o
público cearense do que é produzido com dinheiro do Estado
O que leva à inscrição em um festival
como o Cine Ceará? Simplesmente, o desejo que têm dez entre dez produtores
audiovisuais brasileiros: a exibição. ''Para o realizador, o mais importante é que as
pessoas assistam àquele trabalho'', atesta a jornalista e videomaker cearense Janaína
Marques, concorrente na Mostra Competitiva de Cinema e Vídeo de Curta-Metragem com o
documentário Tambores de Corpos. ''A gente sabe que é um festival que tem
grande participação popular e queremos divulgar nosso trabalho'', considera o cineasta
paraense Alan Rodrigues, também no páreo com a ficção Açaí com Jabá - Um
Filme que Bate na Fraqueza (em parceria com Marcos Daibes e Walério Duarte).
Tambores de Copos passou, primeiro, pela seleção da 1ª
Mostra Nóia - Festival de Vídeos Universitários do Ceará (em novembro de 2002) e,
segundo a diretora, o vídeo também foi exibido em quatro salas de projeção cariocas,
por conta da Mostra Internacional de Curtas Metragens (em janeiro passado). ''Mas o Cine
Ceará, para mim, tem uma dimensão muito maior; é uma felicidade múltipla porque vou
poder olhar para o lado e ver os pais de santo que fizeram o filme comigo, assistindo...
Todo sonho de um estreante é que o filme seja selecionado em um festival na sua terra'',
acrescenta Marques.
Já a ficção de Alan, Marcos e Walério, à mesma época do XIII Cine
Ceará (ela concorre na categoria 16mm ou 35 mm), também participa de uma mostra
de cultura latina (no Peru). Realizado por uma premiação do Ministério da Cultura (que
contemplou, em 1999, o roteiro dos paraenses), Açaí com Jabá...
finalizou-se em 2002 e teve sua estréia no último festival de Gramado. Esteve ainda em
Goiânia (onde a direção foi premiada), Varginha e Ribeirão Preto. ''A gente começou a
rodar em festivais e acabou ouvindo falar do Cine Ceará. É um festival
tradicional'', fala Rodrigues.
Eis a questão. Para o cineasta cearense Heraldo Cavalcanti,
''o festival tem um problema original, que é o formato - meio antiquado. A partir da
década de 80, começaram a surgir festivais voltados só para curtas, só para vídeos,
só para experimental... E o Ceará continua com um festival tipo Cannes, Veneza -
concebidos no início do século. Acho que esse tipo de festival tem que existir, mas me
parece que a produção cearense ficou grande para o festival''. Cavalcanti se refere ao
grande número de inscrições, inversamente proporcional ao tempo de realização do Cine
Ceará (são cinco dias para as exibições). ''Evidentemente, isso diminui o
número de filmes que passam... Entrou menos filme cearense do que no ano passado. Não
sou bairrista, mas acho estranho porque, apesar da produção brasileira ser voltada para
o eixo Rio-São Paulo, você tem uma mostra maior do pessoal de São Paulo e do Rio de
Janeiro'', destaca.
Cavalcanti é diretor do curta-metragem Confiança - ficção
possível por estar entre os vencedores do Prêmio Ceará de Cinema e Vídeo/edição 2001
(que, promovido pelo Instituto Dragão do Mar/Secult, rateou R$ 500 mil entre 16
projetos). Juiz de Fora, Rio de Janeiro, Natal e Varginha foram lugares onde Confiança
teve exibição. O 26º Festival Guarnicê de Cinema (Maranhão, 15 a 21 de
junho) e o 7º Festival de Cinema, Vídeo e DCine (Curitiba, 19 a 24 de
maio) já esperam pelo filme. Durante o XIII Cine Ceará, entretanto, ele
está na Mostra O Olhar do Ceará (uma espécie de ''prêmio de consolação'', volta-se
para os não-selecionados). ''É estranho para a gente não passar nossos filmes num
cinema em que todo mundo tem até uma relação sentimental, como o cine São Luiz... No
festival de Vitória também acontece isso, em vários outros festivais desse modelo mais
clássico. O festival de Curitiba, por exemplo, tem quatro ou cinco mostras (do cinema
digital, dos que já venceram...). Eles têm um formato relativamente clássico, mas
inovaram em mostras paralelas'', avalia.
Na opinião do jornalista e professor da UFPB, Lúcio Vilar, o formato
''clássico'' do Cine Ceará poderia ser discutido. ''Agora, a comissão é
autônoma para resolver o que entra e o que não entra'', pondera Vilar, um dos três
integrantes da Comissão de Seleção do XIII Cine Ceará. Pautado pelo
critério ''basilar, da qualidade estética (forma e conteúdo)'', o jornalista avalia os
quase 400 curtas-metragens que assistiu em cinco dias: ''Algumas produções da área da
ficção pecam na interpretação, performance dos atores''. Um dos exemplos que cita
aponta, justamente, para o curta de Heraldo Cavalcanti - no qual Lúcio Vilar destaca a
atuação da atriz Ceronha Pontes, mas descredencia o elenco restante. O que não o impede
também de considerar: ''Os trabalhos produzidos com dinheiro público, o público deveria
ter esse retorno''. (Ana Mary C. Cavalcante)
(© O
Povo-NoOlhar.com.br)
| Os
homenageados |
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Este ano, o Troféu Eusélio Oliveira vai para:
Adelaide Chiozzo - atriz e cantora paulista, vem do cast da saudosa
Atlântida Cinematográfica (produtora atuante nas décadas de 40 a 60). Mas o início da
carreira deu-se nas rádios Bandeirantes e Record, tocando acordeão e violão. Também
passou pela Rádio Nacional (contratada em 1947) - a ponte para a Atlântida. Entre os
filmes que fez, estão: É com este que Eu Vou e Este Mundo É um
Pandeiro (ambos com o cantor coutry Bob Nelson) e o sucesso Aviso aos
Navegantes (de Watson Macedo) - restaurado, o filme inclui-se na programação da
Mostra da Melhor Idade deste XIII Cine Ceará.
Cláudio Pereira - o Troféu Eusélio Oliveira reconhece o trabalho de
Pereira como fundador e diretor do Grupo Universitário de Teatro e Arte (Gruta) e também
pela implantação da Fundação de Cultura, Esporte e Turismo de Fortaleza (Funcet, na
década de 1980). O Gruta foi uma das expressões locais contra o regime militar de
então. Em relação à Funcet, Pereira esteve à frente do órgão em quatro diferentes
administrações, realizando o festival Vídeo Mostra Fortaleza, o Festival
de Teatro e o Prêmio Literário da Cidade de Fortaleza.
Conceição Rodrigues - jornalista, desde 1981 ingressou na Coelce (onde
está no comando da Gerência de Comunicação). É lembrada, no XIII Cine Ceará,
pelo apoio a projetos sócio-culturais desenvolvidos no Estado (entre eles, as campanhas
de Prevenção de Acidentes e de Combate à Inadimplência e Uso Inteligente de Energia
Elétrica).
Inácio Arruda - deputado federal (PC do B/CE), o compromisso que assumiu
com a educação e a cultura justifica a homenagem no XIII Cine Ceará.
Entre as ações políticas, lembram-se: a defesa da ampliação do acesso à cultura (com
a garantia da meia-entrada em espetáculos, cinemas, etc), as emendas no Orçamento da
União a fim de assegurar recursos para a cultura local (o que permitiu a aquisição de
equipamentos para a Rádio Universitária FM e a Casa Amarela Eusélio Oliveira),
preocupação com o desenvolvimento do chamado patrimônio imaterial.
José Augusto Lopes - jornalista e publicitário, destaca-se na atuação
como crítico de cinema em diversos veículos de comunicação (começou no jornal Gazeta
de Notícias, foi para os Diários Associados - TV Ceará, Correio do Ceará
e Ceará Rádio Clube, passou pela TV Manchete, Bloch Editores e TV Diário).
Leda Maria - jornalista, é apontada como a idealizadora do primeiro
cineclube da UFC: o Cinedebate 25 de Junho (em 1964, fechado pela ditadura em 1970) -
além de uma atuação na crítica cinematográfica (nos Diários Associados). Realizou,
ainda, com Eusélio Oliveira, a I Jornada de Cineclubes do Norte e Nordeste - de onde veio
o primeiro documento em favor da criação dos cursos de cinema nas universidades
brasileiras e da participação do Minc, através de incentivos, nas produções
cinematográficas.
Revista de Cinema - considerado um dos mais importantes meios de
comunicação do cinema nacional, tem apenas três anos de criação e é a primeira
publicação independente do gênero (com 20 mil exemplares circulando no País).
Tarcísio Tavares - publicitário, traz no currículo a direção do Clube
de Cinema de Fortaleza e a fundação da Associação dos Críticos Cinematográficos do
Ceará. Cinéfilo, apresentou, noutros tempos e junto com Ary Leite, o programa Cinema
Falado (na Rádio Iracema).
Tempo Glauber - criada em 1985, a Fundação reúne a produção do cineasta
baiano (42 anos bem vividos, entre 1940 e 1982), além de uma vasta literatura a respeito
do cinema nacional. Cuidadosamente mantida pela mãe de Glauber Rocha, dona Lúcia, a
Fundação Tempo Glauber localiza-se no bairro Botafogo (zona sul carioca).
Walter Lima Júnior - diretor que se sobressai entre os nomes do Cinema
Novo, assina nove longas (entre os quais, Menino de Engenho e A Ostra
e o Vento. O décimo, Os Desafinados, está em fase de
pré-produção), dois telefilmes (Joana Angélica e Meu Filho Teu,
inédito), dezenas de médias-metragens (Em Cima da Terra, Embaixo do Céu, Uma
Casa para Pelé...), documentários no Globo Repórter e
minisséries (vide Capitães de Areia)
Renzo Rosselini - é o nome internacional entre os homenageados. Filho de
Roberto Rosselini, esteve ao lado do pai até 1977 (como assistente de direção e
produtor). Na presidência da Gaumont Itália e Artistas Associados S.A, financiou e
distribuiu mais de 100 filmes (The Cotton Club, de Francis Ford Coppola, E
la Nave Va, de Federico Fellini, Fanny e Alexander, de Ingmar
Bergman, História do Brasil, de Glauber Rocha...).
(© O
Povo-NoOlhar.com.br) |
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