Com shows de amanhã a
sábado, o cantor inaugura o palco da nova Tom Brasil Nações Unidas, em São Paulo. A
agenda da casa de espetáculos segue em maio com o ministro da Cultura Gilberto Gil
São Paulo - João Gilberto inaugura amanhã uma nova casa de espetáculos. Chama-se Tom
Brasil Nações Unidas e fica na Rua Bragança Paulista, na Chácara Santo Antônio. É do
mesmo dono da outra Tom Brasil, da Rua das Olimpíadas, na Vila Olímpia, que foi
inaugurada, em 1995, também por João Gilberto. O show de amanhã é só para convidados.
Na sexta-feira e no sábado, as portas abrem-se para o público pagante.
A Tom Brasil
Nações Unidas é quase três vezes maior do que sua irmã mais velha. Comporta 3.000
pessoas, contra as
1.200 da outra. Tem 6.000 metros quadrados e custou R$ 12 milhões. O palco tem a altura
de um edifício de sete andares e o sistema de som, garante o proprietário, o empresário
Paulo Amorim, dono também da gravadora independente Jam Music, é o que há de mais
moderno.
João Gilberto
aprovará? Paulo Amorim espera que sim. Admite que não é fácil prever as reações de
João Gilberto, mas tem certa cancha em lidar com o grande artista. Nos últimos anos, já
realizou 24 shows com o cantor baiano - e todos foram sucesso.
João gosta de
cantar na Tom Brasil antiga. Parece, lá, descontraído como não se mostra em outros
palcos. Chega ao ponto de permitir - ele, sempre tão exigente com o silêncio da platéia
- que o público cante com ele. Mais: acompanha a platéia ao violão e faz contracanto,
naqueles números que provocam o coro, como Chega de Saudade, de Tom Jobim e
Vinicius de Moraes. Essa é uma canção que, quase certamente, estará no repertório.
O cantor não
revela antecipadamente o repertório. Nos shows de voz e violão (e é assim que se tem
apresentado, ultimamente), decide-o em cena. Escolhe as canções de uma longa lista - a
relação das músicas que pratica de forma obsessiva, em busca da expressão mais
correta, mais enxuta - mais próxima da perfeição interpretativa.
É para a
expressão perfeita que exige silêncio - e só na Tom Brasil antiga permite que a
platéia se manifeste. O que não quer dizer que descuide de detalhes. Por exemplo, o ar
condicionado precisa estar em determinada temperatura que amenize o calor mas não chegue
desafinar as cordas do violão. E quando ele quer que seu público fique calado, um olhar,
um sorriso são bastantes. Guarda sempre surpresas para a platéia: um samba menos
conhecido de Ismael Silva ou Geraldo Batista, um velho bolero que tira do esquecimento,
uma canção obscura de autoria não famosa que instantaneamente transforma em clássico.
João não gosta
que digam que faz sempre o mesmo show. Já rebateu, no palco, uma crítica que afirmava
isso. Não precisava: os shows são parecidos, no formato, no repertório, na roupa
conservadora do cantor (sempre de terno escuro, gravata, óculos), no comportamento solene
- João não diz palavra, nem boa noite ou até logo: canta. Pois bem, os shows são
parecidos, jamais iguais. João não canta duas vezes do mesmo jeito e nenhuma canção é
a mesma depois que ela a intepreta.
Seja como for,
inaugurar uma casa de espetáculos com João Gilberto é sempre um risco. Há uns anos,
outra grande casa da mesma região onde fica a Tom Brasil Nações Unidas contratou João
para o show inaugural. O som estava ruim, o ar condicionado forte demais, a platéia era
barulhenta. João bateu boca com o público e abandonou o palco. Um constrangimento:
tomara que não se repita. A segunda atração da nova casa será Gilberto Gil. O ministro
da Cultura canta nos dias 1.º e 2 de maio.
João Gilberto - amanhã só para convidados,
sexta e sábado, às 22h, no Tom Brasil (R. Bragança Paulista, 1281. Tel. 5644-9800). De
R$ 30,00 a R$ 100,00. (Mauro Dias)
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