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 Recife abre festival pensando em recorde de público

23/04/2003

 

 

 

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'Lara' inaugura hoje o Cine PE com a expectativa de lotar a maior sala de exibição do País

LUIZ CARLOS MERTEN

  No ano passado, o Festival do Recife estabeleceu o recorde de público de 30 mil espectadores no Cine-Teatro Guararapes. É o maior cinema do País, abrigando 2600 espectadores sentados na área que, na verdade, é o Centro de Esportes de Olinda, adaptado para funcionar como uma gigantesca sala de exibição. Este ano, o festival mudou de nome. Agora é Cine PE - Festival de Audiovisual e a expectativa de seu diretor, Alfredo Bertini, é de bater o próprio recorde, chegando a 50 mil espectadores.

   A festa vai recomeçar. Hoje à noite, a diretora Ana Maria Magalhães sobe ao palco do Cine-Teatro Guararapes para apresentar seu filme Lara, baseado em incidentes da vida da atriz Odete Lara, que Ana utiliza não para compor uma biografia, no sentido tradicional, mas para refletir sobre a condição da mulher. Lara já foi exibido no Centro e Sul do País. Permanece inédito no Norte e Nordeste. É o filme de abertura do Cine PE.

   Não foi só o nome do festival que mudou. Tudo, agora, no antigo festival do Recife é novo. Até o troféu que será entregue aos vencedores na festa de encerramento, no dia 30. Chama-se agora Calunga e é uma criação da artista plástica pernambucana Juliana Notare, homenageando o maracatu. Houve modificações importantes na programação que foi anunciada anteriormente pelo Estado. O filme de encerramento não será mais Amarelo Manga, de Cláudio Assis, que seria apresentado fora de concurso. Assis preferiu levar seu filme ao Cine Ceará, para participar da competição, em maio. O encerramento será feito, assim, com a première nacional de Viva Sapato!, de Luiz Carlos Lacerda.

   Problemas para fechar uma seleção de documentários inéditos levaram ao cancelamento da competição nessa categoria. Mesmo entre os longas de ficção que participam do concurso, há poucos realmente inéditos. Alguns, a exemplo de Lara, já estrearam em diversos pontos do País, mas permanecem inéditos no Nordeste, o que os habilita a participar da competição. São os casos de Durval Discos, de Anna Muylaert, grande vencedor do Festival de Gramado do ano passado, e Dois Perdidos numa Noite Suja, de José Joffily, também premiado em Brasília, em 2002.

   Outros concorrentes também já integraram a programação de Brasília: Celeste e Estrela, de Betse de Paula, passou fora de concurso, Lua Camabará, de Rosemberg Cariri, concorreu aos Candangos. Rua Seis, sem Número, de João Batista de Andrade, abriu o Festival de Melhores do CineSesc, em março. Não participou de nenhuma mostra competitiva no País e, no Festival de Berlim, em fevereiro, passou fora de concurso. Narradores de Javé, de Eliane Caffé, é outro inédito em competições nacionais. Samba-Canção, de Rafael Conde, integrou, entre outras, a Mostra BR de Cinema - Mostra Internacional de Cinema São Paulo, também no ano passado.

   Justamente o elogio de Leon Cakoff, criador do evento paulista, é a credencial de Concerto Campestre, o único ineditíssimo (em mostras brasileiras e internacionais). Cakoff gostou muito do filme que Henrique de Freitas Lima adaptou do livro de Luiz Antônio Assis Brasil. Além de Viva Sapato!, outros dois longas serão exibidos fora de concurso: À Margem da Imagem, de Evaldo Mocarzel, e Apolônio Brasil, Campeão da Alegria, de Hugo Carvana. Um festival como o do Recife, com seu público caloroso, tem entre os seus objetivos a integração da produção nacional. Paulistas, brasilienses, cariocas, do Norte e do Sul. Não importa a origem. São filmes brasileiros, que o Cine PE vai celebrar.

(© O Estado de S. Paulo)

Cine PE começa com disputa entre 6 inéditos
 

DA REPORTAGEM LOCAL

   Rebatizado como Cine Pernambuco - Festival do Audiovisual, o Festival de Cinema do Recife começa hoje sua sétima edição. A mudança do nome encerra uma disputa pela posse da marca, envolvendo antigos sócios na realização da mostra.

   Até o dia 30, nove longas e 37 curtas serão apresentados em competição pelo troféu Calunga, que substitui o antigo Passista.

   Foi criada uma seção de disputa exclusiva para curtas dirigidos por mulheres, para ressaltar o tema deste ano -"Revelando o Talento da Mulher". Pela mesma razão, o júri de longas é composto unicamente por mulheres.

   No ano passado, tendo por tema o cinema nordestino, o festival consagrou a produção paulista "O Invasor", de Beto Brant, com sete dos 12 prêmios.

   A concentração de troféus tende a se repetir, com a expectativa da estréia no país de "Narradores de Javé", de Eliane Caffé. O longa, da mesma diretora de "Kenoma", tem de novo o ator José Dumont como protagonista e participou do Festival de Roterdã.

Cine PE Longas em competição - O Estado de S. Paulo    Entre os outros competidores, são inéditos no circuito comercial o gaúcho "Concerto Campestre", o mineiro "Samba Canção", o goiano "Rua Seis, sem Número" (apresentado em seção paralela no Festival de Berlim), o brasiliense "Celeste e Estrela" (que abriu, fora de competição, o último Festival de Brasília) e o cearense "Lua Cambará" (que também competiu em Brasília, sem vitórias).

   "Lara", "Durval Discos" e "Dois Perdidos numa Noite Suja" já estrearam nos cinemas do Sudeste. Os dois últimos competiram e foram premiados nos festivais de Gramado e de Brasília em 2002.
O diretor do Cine PE, Alfredo Bertini, afasta a idéia do favoritismo. "O júri é soberano, mas temos filmes muito interessantes, cada um com seu perfil", diz.

   Bertini afirma que propôs a apresentação fora de competição do longa-metragem pernambucano "Amarelo Manga", de Cláudio Assis, anunciado como cartaz da noite de encerramento, para evitar que uma eventual enxurrada de prêmios à produção fosse interpretada como "benefício ao filme da terra". O longa de Assis venceu o Festival de Brasília, no ano passado.

   "Amarelo Manga" cancelou sua participação no Cine PE e competirá no Cine Ceará (7 a 13 de maio), com seis outros concorrentes: "À Margem da Imagem", de Evaldo Mocarzel, "As Tranças de Maria",de Pedro Rovai, "Cama de Gato", de Alexandre Stockler, "Meu Tempo é Hoje - Paulinho da Viola", de Izabel Jaguaribe, "Seja o que Deus Quiser!", de Murilo Salles, e "Narradores de Javé". (SILVANA ARANTES)

(© Folha de S. Paulo)


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