Um dos maiores pianistas brasileiros,
Arthur Moreira Lima participa de concerto com a Orquestra Sinfônica do Recife em
homenagem à colega Josefina Aguiar
MARCOS TOLEDO
Arthur Moreira Lima é o convidado
especial da noite de concerto, no Teatro Santa Isabel, que reverencia o piano
pernambucano. O consagrado músico foi escolhido para, ao lado da Orquestra Sinfônica do
Recife (OSR), prestar uma homenagem à também pianista Josefina Aguiar. A renda do
espetáculo será toda revertida para a musicista, que passa por um delicado tratamento de
saúde.
O carioca Arthur Moreira Lima, 62 anos, é
provavelmente o pianista de fama nacional (e até internacional) mais indicado para
homenagear a professora Josefina. Da mesma forma que a pianista pernambucana, ele começou
no instrumento ainda criança e com nove anos de idade obteve o primeiro prêmio de
solistas com um concerto de Mozart Josefina, aos 11 anos, foi a primeira menina a
tocar com a OSR.
Ambos também tiveram formação clássica
de piano em cursos, principalmente na Europa ele na França e na Rússia, ela na
Suíça e Áustria. Moreira Lima, no entanto, aos 26 anos resolveu seguir carreira
artística e se firmou em seguida como um dos principais compositores e intérpretes para
piano do País. Josefina, por outro lado, investiu na carreira acadêmica e desenvolveu
importante trabalho em prol da educação musical em Pernambuco.
O concerto de gala de hoje, no suntuoso
Teatro Santa Isabel, marca a volta de Moreira Lima ao Recife depois de aproximadamente
oito anos. Sua última apresentação por aqui foi em um concerto solo no Ciclo Chopin.
Coincidentemente, ele retorna à cidade para um concerto clássico, embora tenha como sua
maior característica a fluência entre o erudito e o popular com a mesma maestria.
Só para lembrar, da mesma forma que gravou
Radamés Gnatalli, Heitor Villa-Lobos, também interpretou Ernesto Nazareth, Noel Rosa e
Astor Piazzolla. E, da mesma maneira que dividiu estúdio com Turíbio Santos, também o
fez com artistas como Elomar, Paulo Moura, Heraldo do Monte, Altamiro Carrilho e Nelson
Gonçalves. Daí vem a referência a Moreira Lima como um dos pianistas mais completos do
Brasil, além de seu talento notável.
Desta vez, o músico carioca volta a
interpretar Chopin autor que se tornou uma especialidade em sua carreira e
outros compositores clássicos. A abertura do concerto se dá com a Sonata quasi una
fantasia (Ao luar), seguida da Primeira balada em sol menor, de Chopin e Adiós
Nonino, de Astor Piazzolla, e encerra a primeira parte (toda em piano solo) com a Fantasia
triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro de F. Manoel da Silva, de Gottschalk.
Após o intervalo, Moreira Lima retorna ao
palco acompanhado da Orquestra Sinfônica do Recife, para executar o Concerto nº 2 em
dó menor, de Rachimaninov. A OSR se apresenta com o solista sob a regência do
maestro Osman Gioia.
Serviço
Concerto com Arthur Moreira Lima e Orquestra Sinfônica
do Recife em homenagem à pianista Josefina Aguiar. Hoje, às 21h, no Teatro Santa Isabel.
Ingressos: R$ 60 e R$ 48 (clientes TIM). Informações: 3224.1020
(© Jornal do Commercio-PE)
| Sinto-me uma
privilegiada, diz Josefina |
Aos 56 anos de carreira, a
pianista e professora Josefina Aguiar se sente bastante lisonjeada por causa da homenagem
que recebe hoje, do concertista Arthur Moreira Lima e da Orquestra Sinfônica do Recife.
Estou muito emocionada de ver tanto carinho dos meus amigos e colegas.
Principalmente do Arthur, afirma. Me sinto uma privilegiada.
Profissional de música desde os 10 anos de
idade, Josefina tem no espetáculo da noite de hoje motivos especiais para se orgulhar.
Além da presença de Moreira Lima, a participação da OSR lhe traz boas lembranças. Ela
recorda, por exemplo, que seu pai, Antônio Aguiar, presidiu a diretoria executiva da OSR,
a partir de 1949. Ele não era músico, mas foi o maior músico que Pernambuco já
teve porque era apaixonado por música, considera.
Diferentemente de Moreira Lima, Josefina
não se especializou em nenhum compositor clássico. Gosto de todos, garante,
com simplicidade. Quanto ao gênero musical predileto, no entanto, afirma que é o de
música de câmara. Além do lado artístico, tem o social, explica. Você
sempre toca em conjunto. Isso congrega as pessoas e é o meu fraco.
Nesse setor de música de câmara, a
pianista em duo com o maestro Cussy de Almeida ficou entre os finalistas do
12º Concurso Internacional de Munique, na Alemanha, no momento tido como o auge de sua
trajetória artística.
Josefina também não se considera autora e
as composições que faz, segundo ela, são apenas uma forma de se exercitar. Ainda assim,
tem como uma de suas principais obras a composição da trilha do filme A Filha do
Advogado longa pernambucano da década de 20, de J. Soares composta pela
musicista a posteriori, em 1981, sob encomenda da Fundação Joaquim Nabuco.
Porém, em mais de meio século de
profissão, a pianista procurou investir mais no aspecto acadêmico. Ajudou a criar o
curso de Música da Universidade Federal de Pernambuco, do qual se tornou sua primeira
professora.
Para o amigo Cussy de Almeida, com quem
cresceu desenvolvendo uma afinidade musical Fomos mixados desde os dez anos
de idade, diz o maestro o tributo que a musicista recebe hoje é, além de
oportuno do ponto de vista artístico, providencial para alertar as autoridades de
que os artistas locais devem ser tratados com mais carinho. Para Cussy, Josefina é
uma artista completa, não apenas como musicista, mas também como professora.
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