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 Arqueólogos acham bases de um forte no Recife

07/05/2003

 

 

 

 

 

Muralha foi encontrada em obra de estacionamento do Paço Alfândega

   As bases de um portal e uma parede do último grande forte construído em Pernambuco foram encontradas no trabalho de escavação arqueológica do terreno onde será construído um dos estacionamentos do Paço Alfândega. A muralha pertence às ruínas do Forte da Madre de Deus e São Pedro - mais conhecido como Forte do Matos - erguido em 1685 sobre um aterro na porção sul do istmo do Recife. O achado será agora integrado ao novo prédio do estacionamento, que abrigará no piso térreo o Memorial Maurício de Nassau. "Vamos rebaixar o piso do memorial até o nível original do forte e a muralha ficará totalmente à mostra", disse o empreendedor, Álvaro Jucá.

  O Forte do Matos leva o sobrenome de seu construtor, o empreiteiro português Antônio Fernando de Matos. Vários anos após a ocupação holandesa, ele obteve autorização do então governador da província de Pernambuco Dom João de Souza e do imperador Português Dom Pedro II para aterrar um areal localizado ao sul da Ilha do Recife. Autorização concedida, Matos acresceu 37 milmetros quadrados ao tamanho original da ilha. Fez o forte para o governo e utilizou o resto do terreno na instalação de casas de sua propriedade. "Há quem diga que se tratou mais de especulação imobiliária do que propriamente uma questão de defesa. Tanto que o forte só teve essa finalidade até 1750", disse o arqueólogo Luiz Severino da Silva.

  A construção ainda chegou a ser utilizada durante alguns anos como sede da Assembléia Legislativa de Pernambuco, antes de ser abandonada e finalmente destruída em 1847. O forte era o único do Estado a ter formato semicircular em sua porção sul, acompanhando a forma dos limites entre o aterro e o rio Capibaribe. O que a equipe de arqueólogos encontrou foi parte da parede norte, retilínea, onde ficava a entrada da fortificação. O achado ficará visível somente até a segunda-feira, quando será coberto de areia para possibilitar a construção do edifício-garagem. Só depois, com o prédio pronto, as ruínas poderão ser visitadas.

  Os arqueólogos da UFRPE e da ONG Ouricuri também encontraram 35 mil fragmentos de objetos utilizados por freqüentadores do forte e edificações posteriores a ele, entre os séculos XVII e XIX. São cacos de cerâmica, cachimbos, garrafas, moedas, tesouras e até fragmentos de ossos humanos. Parte do material ficará em exposição no Memorial Maurício de Nassau, junto com outras peças do acervo do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano.

(© Pernambuco.com)


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