Muralha foi encontrada
em obra de estacionamento do Paço Alfândega
As bases de um portal e uma
parede do último grande forte construído em Pernambuco foram encontradas no trabalho de
escavação arqueológica do terreno onde será construído um dos estacionamentos do
Paço Alfândega. A muralha pertence às ruínas do Forte da Madre de Deus e São Pedro -
mais conhecido como Forte do Matos - erguido em 1685 sobre um aterro na porção sul do
istmo do Recife. O achado será agora integrado ao novo prédio do estacionamento, que
abrigará no piso térreo o Memorial Maurício de Nassau. "Vamos rebaixar o piso do
memorial até o nível original do forte e a muralha ficará totalmente à mostra",
disse o empreendedor, Álvaro Jucá.
O Forte do Matos leva o sobrenome de seu construtor, o empreiteiro português
Antônio Fernando de Matos. Vários anos após a ocupação holandesa, ele obteve
autorização do então governador da província de Pernambuco Dom João de Souza e do
imperador Português Dom Pedro II para aterrar um areal localizado ao sul da Ilha do
Recife. Autorização concedida, Matos acresceu 37 milmetros quadrados ao tamanho original
da ilha. Fez o forte para o governo e utilizou o resto do terreno na instalação de casas
de sua propriedade. "Há quem diga que se tratou mais de especulação imobiliária
do que propriamente uma questão de defesa. Tanto que o forte só teve essa finalidade
até 1750", disse o arqueólogo Luiz Severino da Silva.
A construção ainda chegou a ser utilizada durante alguns anos como sede da
Assembléia Legislativa de Pernambuco, antes de ser abandonada e finalmente destruída em
1847. O forte era o único do Estado a ter formato semicircular em sua porção sul,
acompanhando a forma dos limites entre o aterro e o rio Capibaribe. O que a equipe de
arqueólogos encontrou foi parte da parede norte, retilínea, onde ficava a entrada da
fortificação. O achado ficará visível somente até a segunda-feira, quando será
coberto de areia para possibilitar a construção do edifício-garagem. Só depois, com o
prédio pronto, as ruínas poderão ser visitadas.
Os arqueólogos da UFRPE e da ONG Ouricuri também encontraram 35 mil
fragmentos de objetos utilizados por freqüentadores do forte e edificações posteriores
a ele, entre os séculos XVII e XIX. São cacos de cerâmica, cachimbos, garrafas, moedas,
tesouras e até fragmentos de ossos humanos. Parte do material ficará em exposição no
Memorial Maurício de Nassau, junto com outras peças do acervo do Instituto
Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano.
(©
Pernambuco.com)