Livro está sendo lançado pela Editora
Perseu Abramo
Maria Eduarda Antunes
DA EQUIPE DO DIARIO
O ano era o de 1963 e, nesse
período, Josué de Castro (1908-1973) já afirmava: "Nunca se falou tanto sobre a
fome no mundo. É um assunto que está na ordem do dia..." Com esse texto, ele
iniciou o Projeto Tracunhaém, seu programa-piloto de combate ao problema que até hoje
não está resolvido, no Brasil, e cujo original só havia sido publicado na França. Um
pouco antes, nos anos 50, o estudioso mostrou, em uma conferência, o paralelo entre a
miséria e a corrida armamentista. Agora, 30 anos após a morte do médico pernambucano,
esses dois trabalhos inéditos no País acabam de ser lançados no livro Josué de Castro
e o Brasil (Editora Fundação Perseu Abramo).
A obra é o resultado de um seminário que a Fundação realizou em 2001, em
Recife, em parceria com o Centro Josué de Castro. Nela, também há uma entrevista com o
autor de Geografia da Fome e Geopolítica da Fome, além de trabalhos assinados por
diversos intelectuais: Manuel Correia de Andrade, Michel Zaidan Filho e Walter Belik são
alguns deles.
A responsável pela seleção dos materiais inéditos é a socióloga e
professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Anna Maria de Castro, filha de
Josué. "Como a Associação Mundial de Luta Contra a Fome, presidida por ele,
precisava de um programa para desenvolver a região, foi criado o Tracunhaém",
esclarece.
Em Pernambuco, o lançamento será em Garanhuns, dia 18 de junho. De acordo
com Anna, a cidade foi escolhida porque lá, em 1958, o homenageado participou do primeiro
seminário sobre endemias no País.
Para iniciar a trajetória que lhe rendeu a indicação, por duas vezes, ao
Prêmio Nobel da Paz, em 1953 e em 1963, a experiência na capital pernambucana foi
fundamental: "No mangue, tudo é, foi ou será caranguejo, inclusive o homem e a
lama. Não foi na Soborne, nem em qualquer universidade série que travei conhecimento com
o fenômeno da fome. A fome se revelou espantosamente aos meus olhos nos mangues do
Capibaribe, nos bairros miseráveis do Recife", revelou ele, em um dos textos.
As homenagens ao homem que presidiu o Conselho da Organização para
Alimentação e Agricultura das Nações Unidas(1952 a 1956), a Associação Mundial de
Luta Contra a Fome e o Comitê Governamental da Campanha de Luta Contra a Fome (ONU)
prosseguirão ao longo do ano. Uma das principais ações deverá ser o relançamento do
livro Fome: Um Tema Proibido - Últimos Escritos de Josué de Castro, ainda sem data
definida.
O livro Josué de Castro e o Brasil já pode ser solicitado pelo site
www.fpabramo.com.br. Preço: R$ 28,00.
(© Pernambuco.com)