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 Usina sonora movida a boas idéias

07/06/2003

 

 

 

Lula Queiroga participa da inauguração do espaço cultural para ensino de percussão no Poço da Panela

 

Espaço cultural para ensino de percussão no Poço da Panela, a ser inaugurado domingo, já atende crianças e adolescentes das comunidades carentes

por MARCOS TOLEDO

   A noite deste domingo será marcada pela inauguração de uma usina no bairro do Poço da Panela, à margem do Capibaribe. Mas esta usina, por mais incrível pareça, promete não poluir o rio. Muito pelo contrário: promete até colaborar na revitalização do mangue. E não só isso. A proposta do novo Espaço Cultural Usina é oferecer atividades extra-escolares às crianças e adolescentes das comunidades carentes próximas. O ‘batizado’ da nova sede da instituição ocorre a partir das 17h com a presença de ‘padrinhos’ como os cantores Silvério, Ortinho, Fábio Trummer, Rogerman, Maciel Mello, Santanna, Cannibal, Lula Queiroga, e participação do DJ Nêgo Nu.

   Quando Silvério ainda idealizava seu projeto Casa de Farinha, pensou num espaço semelhante para oferecer oficinas na área cultural para crianças carentes. A idéia não se concretizou pelas mãos do cantor, mas germinou um projeto mais modesto sob a batuta do percussionista Wilson Farias (Bate o Mancá), 27 anos, na escola estadual Padre João Barbosa, no Morro da Conceição.

   Lá no morro, a partir da 1999, Wilson passou a ministrar oficinas de percussão para os meninos da comunidade aliadas a trabalhos de conscientização social. O trabalho despertou também o interesse de jovens da classe média, que somavam com a criançada do morro cerca de 60 alunos. “A história estava tomando uma proporção muito grande”, conta o percussionista.

A dificuldade de manter o trabalho na Escola Pe. João Barbosa – a diretoria precisava do espaço para desenvolver outro projeto, o Escola Aberta –, contudo, coincidiu com a vontade dos músicos Lula Queiroga e Felipe Cabral de realizarem um trabalho semelhante. “Lula e Felipe tinham essa idéia de fazer um projeto social”, explica Wilson. “A gente já estava tocando na rua quando eles disseram para a gente alugar uma casa.”

   Lula, Felipe e os demais artistas supracitados que apadrinham o Usina já conheciam Wilson e a garotada dos desfiles dos blocos Quanta Ladeira e Guaiamum Treloso.

   Instalado na casa de número 254 da Rua Tapacurá, Poço da Panela, o Usina abriu inscrições para as crianças da comunidade que tivessem vontade de participar, inicialmente, da oficina de percussão de Wilson Farias. O primeiro a se inscrever foi o estudante Rodrigo Santana, 13 anos, aluno da 4ª série da Escola Silva Jardim, no Monteiro. “Falei com Wilson, peguei uns papeizinhos e chamei um bocado de gente”, lembra.

   Rodrigo, que além de estudar toma conta dos carros de clientes do Capibar, na mesma rua (“Só quando tem festa”, garante), levou os quatro irmãos e vários amigos para o Usina. Atualmente, participam cerca de vinte jovens da comunidade, entre moças e rapazes, além dos que ainda vêm do Morro da Conceição. “A meta é trabalhar com quarenta da comunidade, movimentando-os nos cursos da casa”, almeja Wilson. Um dos pré-requisitos básicos é freqüentar a escola assiduamente.

   Após a transferência do projeto, os jovens do morro deixaram de ter aulas todos os dias para apenas duas vezes por semana. Em compensação, alguns dos antigos pupilos de Wilson Farias participam na nova sede como estagiários, ajudando a formar novos percussionistas. Outros, já atuam em grupos que acompanham artistas como Silvério e Josildo Sá.

   OUTRAS ATIVIDADES – Além da percussão, o Espaço Cultural Usina se prepara para oferecer cursos de outras áreas. Um deles, o de educação ambiental, já dá seus primeiros passos com a instrutora Altamiza Melo, 19 anos. Ex-aluna do curso de Engenharia Ambiental da Unicap e atual formanda em Saneamento Ambiental do Cefet, Altamiza diz que o objetivo de sua oficina é despertar nas crianças a importância do meio-ambiente. “Vamos ensiná-las a não jogar lixo no rio e reaproveitar materiais até para obter renda.” O Usina conta também com computadores para ministrar curso de informática e, em breve, deve oferecer aulas de capoeira, artes plásticas e fotografia.

   Por tratar com crianças carentes, as dificuldades são muitas e o projeto necessita tanto de recursos financeiros quanto de trabalho voluntário. O cantor (e professor) Silvério Pessoa já foi contatado para contribuir com apoio pedagógico e para coordenar a alfabetização de jovens e adultos da comunidade. “Estamos precisando também de um psicólogo e de uma psicóloga”, avisa Wilson Martins. Em sua experiência com as aulas de percussão no morro, ele revela que o aproveitamento tem sido de cerca de 70% das crianças. “Quem sai é porque tem que trabalhar para ajudar em casa”, lamenta.

   Para suprir um pouco da deficiência financeira, o Espaço Cultural Usina pretende realizar pelo menos uma festa por mês. “O dinheiro que temos só está pagando as contas”, explica o percussionista. Além da batucada deste domingo, já está programada a Serenata na Usina, com Silvério, para o dia 15 de junho.

Batucada na Usina. Domingo, a partir das 17h, no Espaço Cultural Usina (Rua Tapacurá, 254, Poço da Panela). Ingresso: R$10 e R$ 5 (meia). Contatos: 8821.2122/ 8821.3141/ 3268.1684

(© Jornal do Commercio-PE)


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