Notícias
 Bolsas contemplam diversidade artística

07/06/2003

 

 

 

 

 

Há trabalhos para todos os gostos na premiação do 45º Salão de Arte de Pernambuco, desde obras em cerâmica até intervenções em paisagens

CAROL ALMEIDA

   Monitoramento é a palavra chave do 45º Salão Pernambucano de Artes Plásticas. A Secretaria de Educação e Cultura de Pernambuco optou este ano por unir o útil (acompanhamento) ao agradável (o prêmio) para ceder as bolsas para os trabalhos inscritos na área de artes plásticas. Na soma, foram 13 trabalhos premiados, sendo um deles o roteiro de um vídeo sobre o artista plástico Ypiranga Filho e dois ensaios, o primeiro sobre a arte contemporânea do Recife e o segundo sobre o pintor Wellington Virgolino. Os trabalhos selecionados foram divulgados nesta última segunda-feira e sua totalidade demonstra que a comissão julgadora decidiu alargar os meios e fins da arte, abrindo espaço para várias expressões e suas formas de realização.

   “Optamos por dar um espectro largo à seleção, oferecendo uma extensão democrática aos projetos que seriam selecionados”, explicou o artista plástico João Câmara, um dos três membros da comissão que selecionou os projetos. Em comum, esses trabalhos têm mesmo o fato de estarem sendo, a partir de agora, observados de perto pela própria Fundarpe. A idéia é pioneira no Brasil: os projetos premiados (fora os ensaios e o vídeo) receberão da secretaria uma bolsa mensal, que durará 10 meses, de R$ 1.200. Trimestralmente, um grupo da mesma Fundarpe irá acompanhar o trabalho desenvolvido por cada projeto e, ao final da realização dos mesmos, haverá uma avaliação e documentação do que foi feito. A exceção à essa regra fica com o prêmio de roteiro do vídeo, que receberá de uma só vez R$ 5 mil da Fundarpe.

   O Secretário de Educação e Cultura do Estado, Mozart Neves, esteve presente na Fundarpe para a entrega dessas bolsas e aproveitou a oportunidade para, mais uma vez, tentar ‘linkar’ a cultura com sua pasta prioritária, a educação: “sugiro que os artistas premiados organizem palestras mensais nas escolas da rede estadual”. A proposta foi bem recebida pelos artistas presentes.

   Entre os projetos selecionados, há pesquisas em cerâmica, instalações, fotografias, gravuras, performances e até estudos arquitetônicos. Vários deles são assinados pela ala mais jovem dos artistas plásticos pernambucanos. Entre eles, estão Lourival Patriota, Rodrigo Braga e Juliana Notari. O primeiro, que ganhou um prêmio nacional na Mostra Rio BR de Arte Contemporânea com a exposição do Mickey Feio, elaborou um projeto em que mapeia e amplia fotograficamente a superfície do corpo humano em até 50 vezes, fotografando 4.600 ‘pedaços’ que serão unidos em um gigante quebra-cabeça. Já Rodrigo fará uma experimentação com fotografia digital e Juliana pretende construir uma instalação interativa com fotografias e caixas com bonecas tatuadas.

   Oriana Duarte, que participou da Bienal de São Paulo no ano passado, elaborou aquele que possivelmente é o projeto mais distante dos moldes convencionais, a quatro paredes, da arte. A artista, que faz parte do grupo Camelo, fará uma perfomance que consiste, literalmente, em se jogar sobre o Rio São Francisco em um bungee-jumping dispersando no ar 37 diferentes tipos de sementes de flores. Oriana também propõe fazer um rapel na Pedra do Cachorro, no município de São Caetano, onde promoverá inscrições nas rochas.

   No lado mais patrimonial dos projetos, está o trabalho idealizado por Renata Pinheiro, que ganhou a bolsa do salão com Arqueologia da Amnésia, uma promissora pesquisa em que ela identificará futuras demolições e, assim, catalogará vestígios e recriará relíquias desses prédios, trabalhando de certa forma para preservar o patrimônio histórico da cidade.

   Na área de gravuras, Eudes Mota apresenta um desdobramento da instalação-jogo que ele apresentou no último salão de artes plásticas, com uma pesquisa que recorre aos referenciais geométricos das palavras cruzadas. O artista plástico Renato Valle, que já realiza um trabalho intenso de pesquisa documental, trabalha dessa vez com o acervo de ex-votos de Santa Quitéria de Frexeiras, próximo a Garanhuns. O resultado será uma exposição com desenhos e pinturas sobre essa tema.

   Rosinha Campos e Maria Eulália foram premiadas com o projeto Cidades e Palavras, que vem sendo desenvolvido há mais de um ano, no qual elas buscam conexões entre esses dois elementos. Já o trabalho feito em cerâmica é assinado por um grupo de seis artistas plásticos: Christina Machado, Dantas Suassuna, Joelson Gomes, José Paulo, Maurício Silva e Rinaldo. Todos eles irão desenvolver uma pesquisa sobre as cerâmicas dos minicípios de Camaragibe, São Lourenço da Mata, Caruaru, Bezerros e Olinda.

(© Jornal do Commercio-PE)


Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


powered by FreeFind