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 Caboclo eletrônico baixa em Eder “O” Rocha

20/06/2003

 

 

 

Mestre Ambrósio: Eder e Hélder

 

Percussionista da Mestre Ambrósio lança disco solo O Circo do Rocha! Estreando Filho de Santos 1712 – 2009, no qual o batuque flerta com os bits

por JOSÉ TELES

   Dez anos depois de introduzir o forró pé-de-calçada no manguebeat, Mestre Ambrósio é hoje um todo menor do que as partes que a compõem. A banda continua mais ativa do que nunca (este ano já foi à Rússia, prepara-se para uma temporada nos Estados Unidos e Japão). As partes, ou seja, os cinco integrantes, estão envolvidos em projetos paralelos, uns com concepções bem diversa da linha musical da banda.

   O mais recente desses projetos é o de Eder “O” Rocha. Mais conhecido como o músico responsável pela cozinha rítmica da Mestre Ambrósio, competente e discreto no palco, o percussionista acaba de lançar o CD O Circo do Rocha! Estreando Filho de Santos 1712 – 2009 (independente).

   Ao mesmo tempo em que trabalhava com o grupo, Eder realizou várias oficinas de percussão (no Brasil e no exterior), assumiu a direção musical da Cia. Cênica Nau de Ícaro, criou trilhas para teatro e grupos de dança, atuou como produtor discos (no CD de Renata Rosa) e ainda lhe sobrou fôlego para gravar um disco solo.

   Há cinco anos morando em São Paulo, Eder “O” Rocha esteve na semana passada no Recife, divulgando o álbum, cuja sonoridade, ele mesmo reconhece, causará estranheza aos fãs da Mestre Ambrósio: “Uma das propostas é fugir de padrões determinados. O que a maioria da pessoas sabe de mim é da atuação na banda, porém, tenho feito muitas coisas além disto. Trabalhei com músicos com formações diferentes, inclusive participei, não como membro permanente, de outros grupos, o Funk Como Le Gusta foi um desses”, adianta-se nas explicações “O” Rocha, agora sem a juba rastafari, que cultivava há 15 anos.

   Esta abertura musical ele já demonstrava desde o início de carreira, no final dos anos 80, quando conciliava o thrash metal da banda Arame Farpado com os temas eruditos da Orquestra Sinfônica do Recife(com a qual tocou por 11 anos). Vieram em seguida os ritmos populares pernambucanos, a frente o maracatu, de baques solto e virado (ainda hoje é um dos batuqueiros do Maracatu Estrela Brilhante, do Alto Zé do Pinho). Como se não fosse suficiente, Eder “O” Rocha conta que escutou muita música de artistas como Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e Frank Zappa, sobretudo pela habilidade que estes têm de contar histórias.

   Toda essa bagagem foi utilizada ao levantar a empanada do seu circo, acrescentando-se a isto a narrativa, que tem início no Recife e depois se universaliza. Nem mesmo o thrash ficou de fora: “Na faixa Espera aflorou a minha veia metal”, assinala.

   Parece complexo, porém o conceito do disco é simples: trata-se de uma ópera moderna. O personagem principal chama-se Filho de Santos, um garoto que busca o autoconhecimento, a sabedoria e a paz. Os coadjuvantes são uma cigana e orixás da umbanda (Oxum, Ogum, Iemanjá, etc).

   O enredo divide-se em três atos. O 1º é mais cantado, com teclados de andamento nervoso e corinhos à Vanguarda Paulistana. No 2º, torna-se bastante percussivo. O 3º, mais lento, é uma fusão dos anteriores: tem percussão, vozes e elementos eletrônicos: “O material foi extraído das trilhas que compus. Regravei algumas músicas com modificações. O resultado final tem muito do técnico de som Buguinha. Como é pernambucano, trabalhou com Nação Zumbi, ele é um dos poucos técnicos de som em São Paulo que sabe sonorizar percussão. Buguinha se envolveu tanto no projeto que acabou sendo co-autor do disco”,ressalta “O” Rocha.

   Aproveitando as “folgas” da Mestre Ambrósio, Eder arrastou as gravação por um ano. Serviu-se de vários estúdios, principalmente o do parceiro Buguinha. Mazinho Lima (baixista da Mestre Ambrósio), Zé Guilherme, ex-Supersoniques, o regueiro Valdi Afonjah e Simone Soul foram alguns dos músicos que participaram do CD. Um disco que pode ser curtido no conforto do sofá (a primeira parte é bem dançável), mas requer, conforme ressalta o autor, que não se coloque a história em segundo plano.

Preço médio: R$ 17,90. Contatos: terreirodiscos@uol.com.br

(© Jornal do Commercio-PE)


Mestre Ambrósio corre o mundo comemorando dez anos de estrada

   A Mestre Ambrósio está se tornando o projeto paralelo de Siba, Eder, Maurício, Mazinho, Cassiano e Hélder. Com a rescisão de contrato com a Sony Music (solicitada pela banda), os seis integrantes, no intervalos de turnês, começaram a trabalhar em projetos individuais.

   Depois de cinco anos morando em São Paulo, eles estão espalhados por três cidades: Siba e Cassiano no Recife, Mazinho em Brasília, e os demais em São Paulo. O grupo, este continua na ativa, ao contrário do que foi divulgado,na Internet, por um site especializado em música, quando Siba anunciou que gravaria o disco Fuloresta do Samba, em 2002.

   Com dez primaveras completadas este ano, eles não pretendem cumprir uma agenda especial para marcar a efeméride, nem sequer disco novo está na pauta dos ambrósios: “Até temos um projeto para os dez anos da banda: viajar o máximo possível, levando a música da gente por vários países”, diz o percussionista Eder “O” Rocha.

   A Mestre Ambrósio bem que poderia parafrasear o famoso slogan da Rádio Jornal do Commercio (atual Rádio Jornal) nos anos 60: “Pernambuco tocando para o mundo”. Esteve este ano na Rússia, Suíça, Bélgica e França. Em julho apresenta-se no Lincoln Center, em Nova Iorque (onde também estarão Mestre Salustiano e a Mundo Livre S.A). No mês seguinte, o grupo retorna aos Estados Unidos, para uma inusitada temporada de 15 dias na Disneyworld, em Orlando, Flórida: “Não sabemos ainda em qual local a gente toca na Disney. O que soubemos foi que eles estão fazendo um trabalho em cima da cultura brasileira e convidaram a banda. O único problema que a vemos é ter cuidado para não ficar muito perto de Mickey, que pode ser alvo de terroristas”, brinca “O” Rocha.

   Terminada a temporada em Orlando, eles nem terão tempo de desfazer as malas. Estão com shows programados em Moscou: “Não fazemos lugares grandes.A gente toca lá em pubs, e cafés”, esclarece Eder. Da Rússia, a Mestre Ambrósio vai pela segunda vez ao Japão. O quarto CD? Talvez em 2004.(JT)

(© Jornal do Commercio-PE)


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