A festa mais representativa no Nordeste
já começou, mas ainda há bastante tempo para aproveitar a farra junina: no Sertão, ou
no Agreste, no Recife ou em Olinda, centenas de arraiais foram montados. Os pólos de
forró também garantem o arrasta-pé
Durante o mês de junho, Pernambuco se converte numa verdadeira usina de
forró. Do litoral ao sertão, dos cantinhos mais escondidos do interior aos pólos
oficialmente montados pelas prefeituras (que disputam os muitos turistas em busca do mais
nordestino dos meses do ano). Prepare o fôlego.
Caruaru, evidentemente, é a maior estrela da festa. A cidade dispensa
maiores apresentações: já virou sinônimo de São João. Dos forrozeiros anônimos até
a irreverência das quadrilhas, da fartura da comida de milho à presença de estrelas
como Elba Ramalho e Dominguinhos, Caruaru ostenta uma programação para não fazer parar
um só minuto os cerca de 1,5 milhão de turistas que devem se dirigir à cidade, a 130
quilômetros do Recife. Ali, sem dúvida, está a grande meca do mês de junho. Muitos
sotaques já são ouvidos, seja em meio aos trios de forrozeiros ou às potentes máquinas
de som da Estação do Forró, área com capacidade para 100 mil pessoas, onde se
concentram as principais atrações.
Mas está enganado quem acha que o São João do Estado precisa,
necessariamente, ser vivido na cidade mais famosa da festa. Pode-se muito bem ficar pelo
meio do caminho, sem prejuízos na diversão. Gravatá, por exemplo, localizada às
margens da estrada que corta o Agreste (a BR-232) terá shows grandiosos e também onze
tradicionalíssimos pontos espalhados por sua zona rural. Tudo isso, claro, conjugado com
o charme local: casas de vinho e fondue muito bem harmonizadas ao friozinho da cidade
serrana. Em meio às sanfonas e triângulos, o romântico Daniel também será ouvido em
Gravatá. Bezerros é outro exemplo: faz reverências às tradições e, este ano, realiza
um tributo ao forró pé-de-serra. Quadrilhas e bacamarteiros já estão escalados.
Quer aproveitar o feriadão (há quem tenha a segunda-feira livre) para
percorrer distâncias maiores? Não tenha receios. Arcoverde, considerada a porta de
entrada do Sertão do Estado, reverencia seus mestres da cultura popular e apresenta
também notórios discípulos desses mestres. A banda Cordel do Fogo Encantado, louvada
pela crítica nacional, é um dos exemplos da programação de sua cidade-natal. Terra de
Lampião, Serra Talhada arrumou a sala para receber os visitantes. Nesse caso, uma sala de
reboco. A festa da cidade homenageia o forrozeiro Zé Marcolino (autor da famosa canção Sala
de Reboco, ao lado de Luiz Gonzaga) e filho da terra. Forró e xaxado já que
estamos falando do berço do cangaço não poderão faltar.
Forró, aliás, é uma denominação genérica. Sob a palavra, quando
usada como sinônimo de diversão junina, se abrigam ritmos como a ciranda, o coco, o
maxixe e tantos outros quanto as pernas souberem dançar. Quem quiser encurtar
distâncias, inclusive, poderá encontrar tudo isso no Recife e em Olinda. Na capital,
cinco pólos distribuirão atrações que não dispensam bandas da cena pop local. No
Recife, tradições e modernidade convivem bem diante da panela de canjica. Já em Olinda,
Chiquinha Gonzaga (o sobrenome é o mesmo de seu irmão, o grande Luiz) e outros
menestréis do interior se revezam na famosa Casa da Rabeca de Mestre Salustiano, na
Cidade Tabajara. É, a fogueira está queimando...
(© Jornal do
Commercio-PE)