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 São João: é tempo de forró

20/06/2003

 

 

 

Vila do Forró, Caruaru (2003)

 

A festa mais representativa no Nordeste já começou, mas ainda há bastante tempo para aproveitar a farra junina: no Sertão, ou no Agreste, no Recife ou em Olinda, centenas de arraiais foram montados. Os pólos de forró também garantem o arrasta-pé

   Durante o mês de junho, Pernambuco se converte numa verdadeira usina de forró. Do litoral ao sertão, dos cantinhos mais escondidos do interior aos pólos oficialmente montados pelas prefeituras (que disputam os muitos turistas em busca do mais nordestino dos meses do ano). Prepare o fôlego.

   Caruaru, evidentemente, é a maior estrela da festa. A cidade dispensa maiores apresentações: já virou sinônimo de São João. Dos forrozeiros anônimos até a irreverência das quadrilhas, da fartura da comida de milho à presença de estrelas como Elba Ramalho e Dominguinhos, Caruaru ostenta uma programação para não fazer parar um só minuto os cerca de 1,5 milhão de turistas que devem se dirigir à cidade, a 130 quilômetros do Recife. Ali, sem dúvida, está a grande meca do mês de junho. Muitos sotaques já são ouvidos, seja em meio aos trios de forrozeiros ou às potentes máquinas de som da Estação do Forró, área com capacidade para 100 mil pessoas, onde se concentram as principais atrações.

   Mas está enganado quem acha que o São João do Estado precisa, necessariamente, ser vivido na cidade mais famosa da festa. Pode-se muito bem ficar pelo meio do caminho, sem prejuízos na diversão. Gravatá, por exemplo, localizada às margens da estrada que corta o Agreste (a BR-232) terá shows grandiosos e também onze tradicionalíssimos pontos espalhados por sua zona rural. Tudo isso, claro, conjugado com o charme local: casas de vinho e fondue muito bem harmonizadas ao friozinho da cidade serrana. Em meio às sanfonas e triângulos, o romântico Daniel também será ouvido em Gravatá. Bezerros é outro exemplo: faz reverências às tradições e, este ano, realiza um tributo ao forró pé-de-serra. Quadrilhas e bacamarteiros já estão escalados.

   Quer aproveitar o feriadão (há quem tenha a segunda-feira livre) para percorrer distâncias maiores? Não tenha receios. Arcoverde, considerada a porta de entrada do Sertão do Estado, reverencia seus mestres da cultura popular e apresenta também notórios discípulos desses mestres. A banda Cordel do Fogo Encantado, louvada pela crítica nacional, é um dos exemplos da programação de sua cidade-natal. Terra de Lampião, Serra Talhada arrumou a sala para receber os visitantes. Nesse caso, uma sala de reboco. A festa da cidade homenageia o forrozeiro Zé Marcolino (autor da famosa canção Sala de Reboco, ao lado de Luiz Gonzaga) e filho da terra. Forró e xaxado – já que estamos falando do berço do cangaço – não poderão faltar.

   Forró, aliás, é uma denominação genérica. Sob a palavra, quando usada como sinônimo de diversão junina, se abrigam ritmos como a ciranda, o coco, o maxixe e tantos outros quanto as pernas souberem dançar. Quem quiser encurtar distâncias, inclusive, poderá encontrar tudo isso no Recife e em Olinda. Na capital, cinco pólos distribuirão atrações que não dispensam bandas da cena pop local. No Recife, tradições e modernidade convivem bem diante da panela de canjica. Já em Olinda, Chiquinha Gonzaga (o sobrenome é o mesmo de seu irmão, o grande Luiz) e outros menestréis do interior se revezam na famosa Casa da Rabeca de Mestre Salustiano, na Cidade Tabajara. É, a fogueira está queimando...

(© Jornal do Commercio-PE)


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