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Dez anos de mãos pra cima

05-06-2008

Ivete: gravadora espera vender 500 mil cópias do CD ao vivo

 Sangalo festeja aniversário com CD

João Bernardo Caldeira *

   SÃO PAULO - Daniela Mercury foi a primeira rainha da axé music, entoando, em 1992, ''A cor dessa cidade sou eu/ O canto dessa cidade é meu''. Mas Ivete Sangalo roubou a coroa, na linha de frente do retumbante sucesso da Banda Eva. Hoje, enquanto Daniela luta para emplacar o seu corajoso flerte com a eletrônica, a conterrânea comemora 10 anos de carreira com o lançamento do CD MTV ao vivo, que os executivos da Universal esperam transformar em sucesso raro nestes tempos: a expectativa é vender 500 mil cópias do disco.

   Nos últimos cinco anos de sua trajetória solo, bem que Ivete adocicou seu repertório com o viés pop de canções como Festa e Sorte grande. Mas o bom filho à casa torna. Fiel à filosofia do ''tira os pés do chão, mãozinha para cima'', a cantora concilia a nova fase com sucessos antigos, como Beleza rara e Alô paixão, que há sete anos fizeram o disco ao vivo da Banda Eva vender mais de 2,5 milhões de unidades. O local escolhido para a gravação foi o estádio Fonte Nova, do idolatrado time do Bahia, onde 80 mil pessoas literalmente balançaram as estruturas do lugar. Quando viu toda aquela gente, Ivete foi às lágrimas:

   - Se pudéssemos colocar em uma legenda o que estava passando em minha cabeça, seria algo do tipo: ''Meu Deus, vou explodir! Como essas pessoas estão aqui? Que amor é esse?'' A MTV tem um alcance muito grande. Mas não entro nessa seara de fazer disco para vender, porque meu critério não pode ser o mercado - disse a cantora, em entrevista ao JORNAL DO BRASIL.

   O projeto MTV ao vivo se desdobra ainda num programa - que será exibido amanhã no canal, às 20h30 - e em um DVD, cujo lançamento, previsto para abril, foi embargado. A gravadora aguarda a liberação de algumas faixas, vetadas por editoras de música que lutam judicialmente por royalties maiores.

   No programa, exibido para a imprensa anteontem, Ivete conta que não aguenta mais esperar para ser mãe. Aos 31 anos, a baiana de Juazeiro diz que qualquer dia desses aparece grávida.

   Enquanto isso não acontece, a cantora e o marido Davi Moraes, moradores da Urca, intensificam a parceria musical. Os vizinhos têm de ouvir a bateria que a cantora deu de presente para o marido no Natal e, no futuro, terão de se acostumar também com o piano que ela planeja aprender a tocar. Em breve, chega às lojas o novo CD do marido, o segundo com participações de Ivete.

   No entanto, se Davi, criado nos trios elétricos do pai Moraes Moreira, descamba para o pop-rock com eletrônica, a cantora mantém a tradição de Dodô e Osmar, ainda que abrace novas roupagens. Ivete já tem até um clone, Claudia Leite, vocalista do grupo Babado Novo.

   - Acho que ela foi influenciada por mim e com o tempo vai achar seu caminho. A música baiana está caminhando para uma diferenciação. Cada um busca a sua relação com a Bahia, com o mundo e com seu próprio universo. A Daniela não inventou a eletrônica porque está na moda, ela gosta mesmo! A vida é feita de diferenças - analisa.

* O repórter viajou a convite da gravadora Universal Music

(© JB Online)

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