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Um road movie de sotaque nordestino

05-06-2008

Cena de Onde Anda Você

Sérgio Rezende mergulha no humor e na nostalgia para narrar as aventuras de um velho comediante pelo Interior do Brasil

Augusto Pinheiro
Da equipe do DIARIO

   Mais afeito aos temas ligados à história do Brasil, como em Lamarca (1994), A Guerra de Canudos (1997) e Mauá, o Imperador e o Rei (1999), o diretor Sergio Rezende chega ao seu décimo filme, Onde Anda Você, que estréia amanhã, carregando nas tintas do humor e da nostalgia. "Eu estava a fim demais de fazer um filme com absoluta liberdade. Quando faço filmes históricos, sou muito cobrado por críticos e historiadores, que sempre buscam exatidão e encontram 'erros' nos detalhes", afirmou o diretor em entrevista no Recife, há duas semanas, um dia após a pré-estréia na cidade.

   No filme, o velho comediante paulista Felício (Juca de Oliveira) parte em uma viagem pelo Nordeste em busca de Boca Pura (o pernambucano Aramis Trindade), uma lenda viva da comédia, para formar uma nova dupla. Desde o suicídio de seu parceiro, Mandarim (José Wilker), Felício havia perdido o sucesso e alegria de viver. O percurso, que passa por Piauí e Ceará, se transforma em uma viagem interior, na qual Felício terá de se confrontar, quaseliteralmente, com seus fantasmas - a mulher (Drica Moraes) e o parceiro, já mortos, que o haviam traído em vida. O perdão é a palavra-chave da trama, que ainda envolve a filha desaparecida do comediante.

   O roteiro, de Leopoldo Serran, com argumento de Rezende, foi escrito especialmente para Juca de Oliveira, que está praticamente o tempo inteiro em cena. "Não faço cinema, estou apenas começando, então introjetei o texto para ficar à vontade para que o espectador me acompanhasse", disse o ator no Recife. "Foi maravilhoso trabalhar com o Sergio. Ele não tem os rompantes dos diretores psicóticos."

   Para este filme, Rezende se inspirou nos diretores italianos, como Mario Monicelli, Ettore Scola e Federico Fellini. "Sou absolutamente siderado nos filmes do Fellini, sobretudo nos primeiros. À medida que os acontecimentos se desenrolam, a emoção se incorpora ao filme. O espectador ri pra caramba e, depois, se surpreende emocionado", diz Rezende. Ele cita Estrada da Vida, Oito e Meio e Amarcord.

   Ainda sob influência italiana, Rezende, citando Nino Rota (compositor-parceiro de Fellini), exalta a importância da trilha sonora em seu filme. Aliás, a música surgiu antes do próprio filme, quando Sergio enviou um CD com as Danças Húngaras, de Brahms, junto com o argumento, para o roteirista Leopoldo Serran.

   A Dança Húngara nº 11, que o diretor considera Chaplin e Nino Rota puros, entrou no filme em várias versões, inclusive um xote cantado por Raimundo Fagner. A canção Por Causa de Você, de Tom Jobim e Dolores Duran, ganha interpretação de Drica Moraes, que faz Paloma, mulher de Felício, cuja participação no filme se resume a "aparições".

   O roteiro contou com a colaboração e assessoria humorística de Marcelo Madureira, do Casseta & Planeta. "Como não somos humoristas, achamos que não seríamos capazes de certo tipo de piada", conta Sergio. "O Marcelo não mexeu na estrutura do roteiro, mas nos diálogos."

   Ainda no elenco estão os veteranos comediantes Castrinho, que faz Mirandinha, amigo de Felício, e José de Vasconcelos, que interpreta ele mesmo, além dos atores Regiane Alves, Riago Moraes e a pernambucana Lívia Falcão.

   A escolha de Teresina como uma das locações, explica o diretor, se deu pelo "caráter mítico da cidade, pois existe a idéia de que ninguém nunca foi a Teresina".

(© Pernambuco.com)

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