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Mural de Brennand é remontado no aeroporto

05-06-2008

Francisco Brennand

Obra com quase 50 m2 foi inaugurada em 1958

Augusto Pinheiro
Da equipe do DIARIO

   Um dos primeiros painéis realizados pelo artista plástico pernambucano Francisco Brennand acaba de mudar sua localização. O mural Pastoral, inaugurado em 1958, junto com o Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes - Gilberto Freyre, está sendo transferido do atual terminal de embarque de passageiros para o novo terminal, devido às obras de reforma e ampliação do local. Este foi um dos primeiros trabalhos de Brennand com painéis.

  Para fazer o transporte e recolocação da obra, um mural cerâmico de 3,38 metros por 14,40 metros, a Infraero contratou uma equipe da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). O mural foi retirado do embarque doméstico de passageiros em 2000 e, desde a última segunda-feira, está sendo remontado no hall de entrada da nova estação do aeroporto.

  Para fazer o painel, o artista escolheu um tema campestre, retratando o Engenho São Francisco, onde morou após seu retorno de Paris, em 1953. Pastores tocando flauta, personagens a cavalo, mulheres e crianças foram flagrados pelo olhar observador de Brennand, celebrando os prazeres da vida no campo. Suas filhas e sobrinhas foram modelos e estão no painel simulando passos de dança e brincadeiras infantis.

  "Se por um lado nossos vaqueiros não tocam flauta, a presença de um carro-de-boi, com seus cambiteiros, um engenho de açúcar visto à distância e a vegetação com macaibeiras, bananeiras, silhuetas de mangueiras, a ondulação suave de nossas colinas na Zona da Mata e a floresta distante recortada contra um céu dourado do poente, tudo contribuía para a verossimilhança deste mural com a decantada beleza dos prados e colinas da Várzea do Capibaribe", compara Francisco Brenannd, que acompanhou a remontagem do painel na manhã de ontem.

  Pastoral foi imaginado por Brennand a pedido do então presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco, Francisco Vita. Medindo quase 50 metros quadrados, a obra monumental tinha a metade do tamanho do primeiro painel elaborado pelo artista, quatro anos antes, para a inauguração de uma das empresas de sua família, a Indústria de Azulejo S.A. No intervalo de tempo entre os dois trabalhos, Brennand também confeccionou um retábulo de grandes proporções, para o Banco Cooperativa de Caruaru. "Embora na época não tivesse a experiência do que representava trabalhar em grandes superfícies, tinha bem presentes os conselhos emitidos pelo pintor francês André Lothe, meu professor em 1951: pintura mural não é pintura de cavalete ampliada", afirma o artista. Além do painel de Brennand, existem mais duas obras em grandes dimensões no aeroporto, pintadas por Lula Cardoso Ayres.

(© Pernambuco.com)

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