05-06-2008
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Cena de o Balcão, sob
direção de Antonio Cadengue |
Diretor e
fundador da Cia. de Seraphim encara a maturidade como uma das fases mais
criativas da vida e anuncia muitos projetos: quer lançar um livro sobre os
15 anos do grupo e tem dois espetáculos na agulha
Galeria de fotos |
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Veja imagens de peças dirigidas por Cadengue |
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JANAÍNA LIMA
O ano de 2004 chegou redondinho para o diretor teatral Antônio
Cadengue. É no decorrer dele que o encenador vai usufruir da oportunidade
de comemorar duas datas bastante importantes para qualquer homem: 50 anos
de idade e 30 de profissão. Sem sentir o peso dos números, Cadengue
festeja o aniversário satisfeito, reunindo os amigos e planejando uma
série de novos projetos para serem realizados ainda este ano e no próximo,
quando a Companhia Teatro de Seraphim, sua trupe, fará 15 anos de
atividades. “Tenho muito o que fazer, é tanta coisa que você nem faz
idéia”, avisa o diretor, que é mestre e doutor em teatro pela ECA/USP.
Considerado um dos diretores mais importantes do Estado, desde 2000
Cadengue vive a experiência de fazer cultura ‘do outro lado da mesa’, ou
seja, ocupando um cargo público. Há três anos, ele é diretor de Ação
Cultural da Fundação de Cultura do Recife (FCCR). Antes disso, teve a
chance de ficar à frente do tradicional Teatro Santa Isabel – na época em
que o cargo era uma verdadeira ‘batata quente’, logo na reabertura da
casa. “É uma oportunidade interessante, porque estou tendo a chance de
participar de uma gestão com uma política cultural definida, com objetivos
claros e que já mostra resultados”, defende.
Workaholic assumido, Cadengue sempre deu um jeito de equilibrar a
rotina diária na FCCR, que inclui por exemplo coordenar o Festival Recife
de Teatro, com a carreira de encenador. A última peça que dirigiu foi
Querida Mamãe, de Maria Adelaide Amaral, montada em 2003, com as
atrizes Marilena Breda e Lúcia Machado. “É engraçado você me perguntar
isso, porque a minha primeira peça de verdade tinha Marilena no elenco.
Ela, Auricéia Fraga e José Mário Austregésilo, que foi quem me encorajou a
fazer. Foi A Lição, de Ionesco”, lembra ele, mergulhando fundo na
memória.
Lançar um livro contando a trajetória da Cia. Seraphim e encenar o
texto inédito A Filha do Teatro, do jornalista Luiz Reis, são os
próximos trabalhos do diretor. “Esse texto de Luiz é uma discussão sobre o
teatro, o que é um tema mais que propício dado todas essas dificuldades
que a produção local vem enfrentando. Também quero montar um clássico, que
pode ser algo de Brecht, por exemplo. Os clássicos têm sempre algo a nos
revelar e são essenciais na formação do público. Precisamos fazer com que
o teatro volte a ser desejado pela platéia”, diz.
ORIGENS – Nascido em Lajedo, Agreste do Estado, Antonio Cadengue
envolveu-se no mundo do teatro seguindo os passos de uma tia e uma prima
que integravam um grupo amador da cidade. “Eu as ajudava a decorar as
falas, via as apresentações. Cresci nisso, então, foi fácil me envolver.
Uma vez nas férias, já morava no Recife com meus pais, o pároco me pediu
para organizar com um grupo de jovens uma encenação de textos de Dom
Hélder”, revela.
A ‘queda’ para o teatro ficou mais forte anos depois, já na faculdade
de psicologia. “Estudava na Facho e uma professora comentou que meus
textos faziam referências a autores de teatro, já lia muito naquela época.
Ela me pediu para adaptar os Diálogos de Platão para a aula. Só que
eu ia trancar o curso, por não poder pagar. Ela me conseguiu uma bolsa de
estudos, com a condição de que eu preparasse uma peça com os alunos da
escola Santa Gertrudes”, explica.
A peça do Santa Gertrudes foi vista pelo ator e jornalista José Mário
Austregésilo. “Ele gostou e pediu que gravássemos para a TVU. Depois
disso, veio A Lição, como já falei, que foi o pontapé para que eu
começasse a trabalhar com os grandes atores do Recife”, conta.
O diretor aponta parceiros importantes na trajetória desses 30 anos de
teatro, como o cenógrafo Beto Diniz. “Beto foi fundamental para o teatro
daqui na década de 70. Trabalhamos juntos muitos anos, em vários
espetáculos. Beto me formou, me deu o suporte técnico adequado para me
tornar diretor de teatro de fato”, afirma. Entre as peças mais famosas
fruto dessa parceria está a montagem O Balcão, de Jean Genet, no
então Centro Experimental Apolo, hoje o Teatro Hermilo.
Jomard Muniz de Britto é outro referência importante. “Foi o meu grande
deseducador”, brinca Cadengue.
(©
JC Online)
Febre criativa rima com crítica
Antonio Cadengue comemora 50 anos de vida
com trabalho
Ivana Moura
Da equipe do DIARIO
O ensaio melodramático A Filha do Teatro, de Luis
Reis, contém algumas das reflexões sobre a vida e a arte da representação
caras ao encenador Antonio Edson Cadengue. Montar o espetáculo com sua
Companhia Teatro de Seraphim está entre os projetos do diretor, que comemora
50 anos de vida amanhã e carrega no currículo mais de 50 montagens, entre
elas Em Nome do Desejo, de João Silvério Trevisan; Senhora dos Afogados, de
Nelson Rodrigues, e Os Biombos, de Jean Genet. Se as relações mercadológicas
do teatro mudaram bastante desde que Cadengue dirigiu sua primeira peça - um
texto de Dom Helder, com música dos Beatles, encenado numa igreja em Lajedo,
no Agreste pernambucano - a chama não arrefeceu.
Ele é um homem febril. Fala com paixão, tenta contagiar seu interlocutor,
dá ênfase às palavras. É meio difícil ficar indiferente. Seus amores reagem
com fúria para defendê-lo. Seus desafetos, tentam. O encenador desperta as
zonas primitivas dos sentimentos das pessoas, para o bem e para o mal.
Será que o Recife não o entende? "A cidade é esquizofrenizada e talvez por
isso seja tão fascinante. A cidade eleva e bota abaixo ao bel prazer",
pensa. "Os meus pares me vêem como uma pessoa séria, que dei uma
contribuição expressiva. Mas falta consciência histórica e generosidade",
avalia.
Do circo e teatro em Lajedo, Vital Santos no final da década de 1960 em
Caruaru, até chegar a meio século de vida e mais de 25 anos de teatro,
Cadengue trilhou um percurso tortuoso. Seu caminho foi enviesado. Na
realidade, ele nunca sonhou em se tornar um encenador. Sob influência das
leituras dos clássicos de Dostoievski, Kafka, Machado de Assis, o diretor
teatral queria ser escritor.
O teatro chegou na sua vida para ficar quando ele cursava Psicologia, na
Facho. Mas ele nem imaginava. Em 1975, época em que montou O Romanceiro da
Inconfidência, de Cecília Meireles, seu único referencial teórico na área
teatral era o livro Em Busca de um teatro Pobre, de Grotowski. Depois não
parou. Encenou A Lição, Pedreiras das Almas, Viúva Porém Honesta, Esta Noite
se Improvisa. Depois foi estudar direção teatral na Paraíba e crítica
teatral no Rio de Janeiro.
Nos cinco anos em que passou em São Paulo, entre o Mestrado e Doutorado na
USP viu tudo de teatro que passava pela terra da garoa. "Meus trabalhos são
resultados de tudo que assisti, de forma antropofágica".
Boa parte de suas energias também estão voltadas para as comemorações dos
15 anos da Cia. Seraphim, no primeiro semestre de 2005. A celebração deve
incluir uma ou duas peças do repertório do grupo (uma delas é Em Nome do
Desejo); um seminário temático; uma exposição de fotos, adereços e figurinos
e a publicação de um livro sobre a trajetória da companhia. Além da montagem
de uma nova peça estrangeira. Um texto fincado na tradição dramatúrgica
consistente e que trate da contemporaneidade.
Diretor do Departamento de Ação Cultural da Prefeitura, e coordenador do
Festival de Teatro do Recife, ele considera o evento uma possibilidade de
atualização estética para os artistas e para a cidade. "Curitiba pode
alavancar sua cena teatral devido a quantidade de informações estéticas que
chegam aos seus criadores através do festival", pondera. "Pernambuco perdeu
esse registo autoral".
(©
Pernambuco.com)
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