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Guerreiras de Tejucupapo em livro

05-06-2008

Uma moradora atual da Vila de Tejucupapo, município de Goiana, em Pernambuco

Espetáculo de teatro popular que já gerou filme terá publicação lançada hoje, na sede da editora Bagaço

Luciana Veras
Da equipe do DIARIO

   A tríade veja o filme- leia o livro-compre o disco é lugar comum nos Estados Unidos, onde é corriqueiro roteiros virarem volumes e trilhas sonoras serem disponibilizadas em CDs, contudo é ainda uma prática tímida no Brasil. Se nem todos os longas-metragens brasileiros se tornam livros, o que dirá dos curtas? O lançamento de Tejucupapo - História, Teatro, Cinema, surge para romper esse estigma.

   Organizado pelo jornalista Cláudio Bezerra, o livro consiste de três capítulos, ou "atos", que contextualizam as raízes históricas de Tejucupapo - Um Filme Sobre Mulheres Guerreiras, curta dirigido por Marcílio Brandão, filmado em 2001 e exibido em 2002 (prêmio especial do júri no Festival do Recife) e não se assemelha à Mulheres de Tejucupapo, da articulista Marilene Felinto. "Ela é da região e seu livro não tem nada a ver com o fato histórico, nem o resgata. Já nós partimos da seguinte premissa: o filme existe por conta da peça, a peça existe porcausa do fato histórico. Para falar do filme, tínhamos que falar de tudo", situa Bezerra, assistente de direção no curta.

   Quem viu o curta sabe do que se trata. Tejucupapo nasceu - como atesta o jornalista Rafael Coelho, autor de O Espetáculo de Mulheres Guerreiras, segundo ato do livro - da encenação A Batalha das Heroínas, levada a cabo anualmente por dona Luzia da Silva, moradora do distrito goianense que, a despeito das dificuldades, resolveu fazer um espetáculo no qual recriava o episódio em que as mulheres da região desempenharam papel fundamental numa batalha travada contra os invasores holandeses em 1646.

   Na ocasião, donas de casa jogaram água com pimenta nos olhos flamengos, pegaram em armas improvisadas e incitaram os maridos a se defenderem. Tal passagem, eclipsada na historiografia oficial, ganhou alguns relatos importantes, como narra Marcílio Brandão no texto Tejucupapo e O Registro da Insurreição. "Ele leu uma bibliografia extensa, cascavilhou fatos importantes e constatou que as pessoas mais humildes foram excluídas do relato da resistência pernambucana, que considera heróis apenas João Fernandes Vieira e André Vidal de Negreiros", explica o organizador.

   Cláudio Bezerra considera que o resgate de um marco da História estadual candidata o livro a ser utilizado "em escolas de comunicação e do 2º grau da rede pública", da mesma forma que o terceiro ato da publicação, no qual o produtor Amaro Filho descreve as minúcias do processo de produção dos curtas e Brandão tece uma espécie de "agradecimento público" à população de Tejucupapo, servirá para quem se interessa por documentários.

  A lém do livro, ele e os parceiros Marcílio Brandão, Amaro Filho e Rafael Coelho preparam o DVD com o curta e dois documentários em vídeo gravados antes das filmagens, e o álbum com a trilha sonora. Assim, Tejucupapo será o filme, o livro, o CD e o DVD sem, no entanto, deixar de prestar tributo à encenação popular que lhe deu origem. Tanto que o lançamento de hoje ocorre três dias antes da edição 2004 de A Batalha das Heroínas. "Será no próximo domingo, a partir das 15h, no Monte das Trincheiras, onde teria ocorrido o confronto com os holandeses", diz Cláudio Bezerra. Pois então agora é possível ver o filme, ler o livro, depois ouvir o CD e, melhor, assistir ao espetáculo.

Serviço

Lançamento do livro Tejucupapo - História, Teatro, Cinema
Onde: Editora Bagaço (Rua dos Arcos, 150, Poço da Panela)
Informações: 3441.0132/0133

(© Pernambuco.com)


A Batalha de Tejucupapo nas livrarias

A Bagaço lança livro que narra como o teatro e o cinema abordaram um episódio histórico do Estado

RAFAEL GUERRA

   A editora Bagaço lança o livro Tejucupapo – história, teatro, cinema, organizado pelo jornalista e professor Cláudio Bezerra. O livro é fruto da realização do filme Tejucupapo, um Filme sobre Mulheres Guerreiras, curta-metragem em formato de documentário, dirigido por Marcílio Brandão, que conta a história de um grupo de mulheres que encena na vila de Tejucupapo (litoral norte de Pernambuco) uma histórica batalha na qual mulheres luso-brasileiras expulsaram uma tropa de holandeses em 1646.

   O livro não se resume à parte cinematográfica (como fica claro no título), e é dividido em três partes. Cláudio Bezerra explica que queria democratizar o máximo a história. “Não queríamos que apenas um público mais especializado se interessasse pela obra. Por isso não fizemos um livro com o roteiro e informações técnicas”, explicou o organizador.

   A primeira parte foi escrita por Marcílio Brandão e conta a história da Batalha de Tejucupapo. Apesar de ter sido um episódio importantíssimo para a história de Pernambuco e do período do Brasil Holandês, quando pela primeira vez as mulheres pegaram em armas para lutar por independência, a batalha foi completamente ignorada pelos livros escolares. Há poucos registros da guerra e o que Marcílio conta no seu capítulo é baseado na tradição da história oral.

   A segunda parte, ou o “segundo ato” como os realizadores preferem chamar, é sobre a encenação do espetáculo que já acontece há 11 anos. O jornalista Rafael Coelho escreveu sobre a peça que é realizada quase como uma grande produção por pessoas da paupérrima vila de Tejucupapo. É nesse capítulo que é traçado um perfil de Maria Luzia da Silva, a Dona Luzia, uma verdadeira guerreira nativa de Tejucupapo que estava se recuperando de uma cirurgia e soube da história das mulheres guerreiras. Ela é a idealizadora da peça que realmente mudou a vida do povo da vila.

   No último ato do livro, escrito pelo diretor do filme e pelo produtor-executivo, Amaro Filho, são detalhados diversas passagens do período de produção do filme. Desde a luta para a captação de recursos, passando pelos momentos de gravação e chegando ao lançamento do filme na própria comunidade e nos festivais. Há relatos emocionados sobre a relação afetiva entre os realizadores e o povo de Tejucupapo.

(© JC Online)

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