05-06-2008
|
 |
|
Glauber Rocha |
Eduardo Simões
O Festival
de Cannes, que acontece de 12 a 23 de maio, terá uma celebração do cinema
brasileiro, com foco na obra de Glauber Rocha. Além de “Glauber, o filme —
Labirinto do Brasil”, de Silvio Tendler, e “Deus e o diabo na terra do Sol”,
o festival vai exibir a cópia restaurada de “Terra em transe”.
Em paralelo, o Grupo Novo de Cinema
irá promover sessões especiais para compradores com “Rocha que voa”, de Eryk
Rocha, e “Depois do transe”, de Paloma Rocha e Joel Pizzini. Eryk e Paloma
são filhos de Glauber.
Recém-finalizado, o documentário de
Paloma e Pizzini foi feito especialmente para o DVD de “Terra em transe”,
que deverá chegar ao mercado logo depois da exibição da cópia restaurada nos
cinemas brasileiros, programada para junho.
— A criação do filme acompanhou as
idéias contidas no seu próprio texto — diz Paloma. — Acho que a fala de
Glauber, assim como as imagens desse documentário, acaba assumindo a mesma
poesia e musicalidade de “Terra em transe”. Parece que fazem parte do filme.
Documentário tem sobras inéditas de “Terra em transe”
Para Pizzini, a idéia costumeira de
que Glauber tem em Paulo Martins — personagem principal do filme,
interpretado pelo ator Jardel Filho — seu alter-ego é simplista.
— Ele está em todos os personagens, e
o documentário ajuda a entender isso — diz.
Com 40 minutos de duração, “Depois do
transe” faz uma espécie de leitura de “Terra em transe” através de
seqüências restauradas do filme, sobras inéditas reunidas por Paloma e
registros dos bastidores da produção. Além das imagens, “Depois do transe” é
atravessado por trechos da entrevista até hoje inédita que Glauber deu a
Raquel Gerber quando estava exilado em Roma, em 1975.
Cineastas, jornalistas e artistas
como Luiz Carlos Barreto, Antônio Calmon, Zuenir Ventura e José Lewgoy
também têm voz no filme, compartilhando interpretações para “Terra em
transe” e a obra do cineasta baiano, assim como suas lembranças, inclusive
da conturbada ida do filme a Cannes, em 1967, quando ele recebeu o prêmio da
Federação Internacional de Críticos de Cinema, a Fipresci.
Além do documentário, Paloma incluirá
no DVD de “Terra em transe” um grupo de 12 extras, com cerca de 10 minutos
cada. Estes blocos se debruçam sobre temas como a criação do roteiro do
filme, as atuações e a participação no Festival de Cannes. A restauração de
“Terra em transe” dá fôlego novo não só ao acervo de Glauber — “Barravento”,
“O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” e “A idade da Terra” estão na
fila para serem restaurados — como outros tantos clássicos brasileiros que
corriam risco de completa extinção.
— Em seguida iremos nos ocupar da
recuperação de filmes do Leon Hirzsman e do Rogério Sganzerla — adianta
Stefano Deho, coordenador dos projetos de restauração da Mega. — Além disso,
iremos restaurar antigos programas das TVs Bandeirantes e Record.
(©
O Globo)
Walter Salles está na
disputa pela Palma de Ouro
Festival de Cannes anunciou hoje os 18 filmes
da mostra competitiva, entre eles Diários de Motocicleta, que estréia
no Brasil dia 7
Paris -
No início do ano, Diários de Motocicleta,
de Walter Salles, foi retirado na última hora do Festival de Berlim, para
tentar a sorte na mostra de Cannes, a mais prestigiada do mundo. Hoje, veio
a confirmação: Diários de Motocicleta, sobre a viagem de iniciação de
um jovem Che Guevara, está entre os 18 filmes que disputarão a Palma de Ouro
da edição 2004 do festival francês, de 12 a 23 de maio. Diários de
Motocicleta estréia no Brasil no dia 7. O País também será representado
em Cannes na categoria curta-metragem, por Quimera, de Eryk Rocha e
Tunga.
A seleção deste ano apresenta três
filmes da casa, Clean, de Olivier Assayas, Exils, de Tony
Gatlif, e Comme un Miracle, de Agnes Jaoui. Alemanha, Itália e
Grã-Bretanha comparecem com um filme cada. A Bósnia, com o novo de Emir
Kusturica, completa a relação de europeus.
A Ásia comparece em peso à mostra
competitiva. São dois filmes da Coréia do Sul, de Hong Sang-soo e Park
Chan-Wook; dois do Japão, de Oshii Mamoru e Kore-Eda Hirokazu; um de Hong
Kong, China, do mestre Wong Kar-wai (de Amor à Flor da Pele). E o
cinema tailandês faz sua estréia em Cannes, com Tropical Malady, de
Apichatpong Weerasethakul. O Irã, vedete da mostra há anos, ficou de fora
desta vez.
Também marcam presença os Estados
Unidos, com três produções: a animação Shrek 2, o novo longa de
Michael Moore (do polêmico Tiros em Columbine) e o novo dos irmãos
Coen, The Ladykillers. Completa a seleção o argentino La Niña
Santa, de Lucrecia Martel.
Fora de concurso - Dentro
ou fora da mostra principal, medalhões do cinema mundial terão lugar
garantido no festival francês. Entre os filmes fora de competição
selecionados para Cannes estão os novos do espanhol Pedro Almodóvar, La
Mala Educación, que abre o festival; do iraniano Abbas Kiarostami,
Five; do mestre da nouvelle vague Jean Luc-Godard, Notre Musique;
e o hit Kill Bill Volume 2, de Quentin Tarantino, que preside o júri
desta edição do festival.
(©
estadao.com.br)
 |
|
Divulgação/ |
Confira todos os
concorrentes:
Diários de Motocicleta (foto), de Walter Salles, Brasil
La Niña Santa, de Lucrecia Martel, Argentina
Clean de Olivier Assayas, França
Exils de Tony Gatlif, França
Comme un Miracle de Agnes Jaoui, França
The Life and Death of Peter Sellers, de Stephen Hopkins,
Grã-Bretanha
Le Conseguenze dell´amore, de Paolo Sorrentino, Itália
Die Fetten Jahre Sind Vorbei, de Hans Weingartner, Alemanha
Zivot je cudo, de Emir Kusturica, Bósnia
Shrek 2, de Andrew Anderson, EUA
Fahrenheit 9/11, de Michael Moore, EUA
The Ladykillers de Joel e Ethan Coen, EUA
Nobody Knows, de Kore-Eda Hirokazu, Japão
Innocence, de Oshii Mamoru, Japão
A Mulher é o Futuro do Homem de Hong Sang-soo, Coréia do Sul
Old boy, de Park Chan-Wook, Coréia do Sul
Tropical Malady, de Apichatpong Weerasethakul, Tailândia
2046, de Wong Kar-wai, China
|
|