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O
Circo Social do Cirque du Soleil, em parceria com a rede Circo do
Mundo, traz ao Recife três educadores |
Oficina do Cirque du Soleil é realizada de segunda a
sexta, no Recife
Ivana Moura
Da equipe do DIARIO
Acrobacia de
solo e aérea como ferramenta de construção da cidadania, malabares para
reforçar valores humanos, exercícios de equilíbrio para fortalecer a
convivência no Mundo, performances de clown para auxiliar na construção da
identidade, contorcionismo para aprender a conviver com as diferenças. Os
recursos circenses são utilizados como atividades de resgate de jovens
excluídos. Para ensinar novas técnicas de pedagogia social, discutir o papel
do instrutor, a ética e a realidade dos jovens que estão no centro do
projeto, 26 artistas do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Pará, Alagoas,
Piauí e Pernambuco participam, a partir de amanhã, da II Oficina de Formação
de Educadores de Circo Social no Brasil.
Na abertura do encontro, nesta segunda, às
8h, no Teatro Armazém 14, alunos da Escola Pernambucana de Circo e sua Trupe
Circus vão exibir números de malabares e de tecido aéreo. A Trupe - que está
finalizando o espetáculo O Vendedor de Caranguejo, patrocinada pelo BNDES e
marcado para estrear em 21 de maio - vai apresentar ensaio da peça. As aulas
serão desenvolvidas no Sesc-Piedade.
Promovida pelo programa de Circo Social do
Cirque du Soleil, em parceria com a rede Circo do Mundo, a oficina traz ao
Recife três educadores que atuam no circo canadense: Paul Vachon, Paul
Laporte e Michel Lafurtune. Os trio detém vasta experiência na área inclusão
social através das linguagens artísticas.
A Escola Pernambucana de Circo foi escolhida
para receber o evento, que ocorreu ano passado no Rio de Janeiro, em
reconhecimento a proposta pedagógica que já gera bons frutos. Sua
coordenadora, Fátima Pontes, lembra que a Oficina busca dar visibilidade ao
trabalho do circo social como ferramenta de construção de cidadania e
refletir sobre a importância disso.
A Escola trabalha com 100 crianças da Zona
Norte do Recife, nos bairros da Macaxeira e Buriti e arredores, as
linguagens do circo, da dança, do teatro e da percussão. "O trabalho de
inclusão social investe na cooperação e espírito de grupo, relação emocional
e coma família, através de grupos de pais e oficinas para geração de emprego
e renda. A ações são realizadas em conjunto com a associação dos moradores
para se encontrar alternativas de lazer e cultura".
O representante da Escola na rede do Circo
Mundo Brasil, Zezo Oliveira, reforça que o trabalho tem como função
principal a inclusão através das artes. "O universo do circo é muito próximo
da realidade desses jovens, das dificuldades que eles enfrentam no
dia-a-dia, pois exige uma capacidade de superação", testemunha. "O jovem
percebe que é possível ultrapassar os limites do próprio corpo", constata
Zezo. Ele aponta outras duas características: "O circo é essencialmente
coletivo, estimula a integração e, além disso, por ser bastante lúdico,
possibilita o trabalho com indivíduos de diferentes faixas etárias".
Os resultados imediatos para os jovens
participantes dos programas de circo social detectadas pelo coordenador da
oficina é o reforço da auto-estima e a melhor compreensão do seu papel de
cidadão. "Seja na trupe ou nos grupos da escola, os jovens aprendem a
definir seu papel na sociedade, respeitar regras, reconhecer e aprender a
negociar os espaços de diálogos e compreender as diferenças".