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05-06-2008
Canções de Caymmi foram cantadas com emoção por filhos Helena Aragão A estréia do show de Nana, Dori e Danilo Caymmi, na data em que o patriarca Dorival comemorou 90 anos, tornou emocionante a noite de sexta-feira no Canecão. A família Caymmi lotou as primeiras mesas da cervejaria, em Botafogo. Saudados com palmas pelo público, o aniversariante e sua esposa Stella tiveram dificuldade de chegar às suas cadeiras, diante de cumprimentos de anônimos e de famosos como Caetano Veloso, Zeca Pagodinho e Paulo César Pinheiro. Nas coxias, Nana afirmava:
- Não vou nem olhar para papai, se
não vou começar a chorar.
Uma promessa
que, é claro, ela não cumpriu. Ao entrar no palco, ela e seus irmãos
mostraram que a emoção da homenagem marcaria a noite. Os três estavam ali
para lançar o disco Para Caymmi, de Nana, Dori e Danilo, que
gravaram com os sambas do pai. O show, que se repetiu sábado e ontem, foi
gravado para ser lançado em DVD. Começaram cantando
juntos os clássicos Lá vem a baiana, São Salvador e Você já
foi à Bahia? para o criador, que acenava para eles, feliz. Dori camuflou o
nervosismo concentrando-se no violão, enquanto Danilo dançava e pedia à
platéia que cantasse junto. Nana, sempre autêntica, não tentou esconder a
emoção e, depois de cantar O que é que a baiana tem?, observou: - É muita audácia,
né? Pode até ser, mas
é difícil imaginar uma homenagem que fizesse mais gosto a Dorival. Apesar de
alguns erros nas entradas e versos trocados, ainda no início, ao longo da
noite o trio conseguiu se entrosar completamente, e deu boas interpretações
para Vatapá, Dois de fevereiro e 365 igrejas. Em seguida, cada
um teve um momento solo, interpretando canções prediletas da obra de Caymmi.
Acompanhado só do seu violão, Dori fez bonito ao visitar canções praieiras
como O bem do mar. Danilo foi bem ao cantar Marina e deu a
senha para Nana mergulhar nos sambas-canção. Impecável, a primogênita
emprestou seu vozeirão a Morena do mar, acompanhada pelo piano de
Cristóvão Bastos. Ao fim, comentou: - Essa ele fez com
18 anos. Isso é que é genialidade. Só essa canção já diz tudo. Foi ela também a
responsável pelo momento mais emocionante da noite, Acalanto, de novo
acompanhada por Bastos, que transformou o piano em caixinha de música. O
encerramento foi com a farra de Maracangalha e o grande hit da
festa: Parabéns pra você. Um desfecho perfeito para uma noite com
todos os ingredientes para encantar Dorival Caymmi.
(©
JB Online) No palco, Nana, Dori e Danilo emocionam o pai e esticam "Maracangalha",
para que ele despiste a platéia lotada LUIZ FERNANDO VIANNA Doente do pé, infelizmente ele ficou um pouco, depois de nove décadas vivendo como um bom sujeito. Mas, como doente da cabeça não está, Dorival Caymmi usou sua lucidez para participar com empolgação da comemoração de seus 90 anos, na sexta-feira, no Rio, num Canecão lotado. Enquanto Nana, Dori e Danilo cantavam suas músicas no palco, ele, da platéia, cantarolava, boleava levemente o tronco, batia palmas e acenava para os filhos. "Felicíssimo", aliás, foi como Caymmi disse à Folha que estava se sentindo antes do show, no camarim. Posando para fotos vestido de camisa vermelha e calça branca, ainda brincou: "Estou arrumadinho?". Acompanhado por familiares e amigos, ele foi levado à sua mesa numa caminhada de dez minutos na qual, por duas vezes, foi aplaudido de pé pela platéia. Comovido, interrompeu o passo para saudar o público. Entre os que aplaudiam estavam o
conterrâneo e devoto Caetano Veloso, Zeca Pagodinho, Paulo César Pinheiro,
Carlos Lyra, Ronaldo Bastos, Emílio Santiago, Guilherme Araújo, Glória
Perez, Miéle e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Além de toda a
família Caymmi, a começar por Stella, 82, com quem Dorival completou, na
mesma sexta-feira, 64 anos de casamento. Segundo o relato de outra Stella, neta e biógrafa de Caymmi, o casal trocou olhares cúmplices em vários momentos do show dos filhos. Sentada ao lado do avô todo o tempo, Stella o viu cantar baixinho todas as músicas e aprovar com sorrisos e sinais as interpretações de Nana, Dori e Danilo. Segundo ela, o momento em que ele mais se emocionou foi quando Dori cantou "O Bem do Mar". Juntos no fundo do palco, Nana e Danilo conversavam e apontavam para o pai, como que constatando sua comoção. No quesito emoção, Dori protagonizou outro momento, ao ler um poema de Paulo César Pinheiro em homenagem ao pai. Nana fez a sua parte cantando, sem os irmãos, as lentas "Morena do Mar", "Adeus" ("Esta ele fez aos 18 anos. Não vou dizer mais nada sobre a genialidade dele", afirmou ela.) e "Acalanto", composta para niná-la quando menina. Nana ainda mudou um verso em "Peguei um Ita no Norte": em vez de "Meu filho, ande direito", cantou "Caymmi, ande direito", fazendo o homenageado sorrir. Mas o setor alegria do show foi preponderante, já que "Para Caymmi de Nana, Dori e Danilo -90 Anos", o disco que deu origem ao show, é composto somente de sambas. "O que É que a Baiana tem?", "Acontece que Eu Sou Baiano", "Vatapá", "Você Já Foi à Bahia?", "Rosa Morena" e "A Vizinha do Lado", sucesso da trilha da novela "Celebridade", foram alguns dos sambas que empolgaram a platéia. O show se encerrou com "Maracangalha", que teve sua duração esticada para que Caymmi, mais uma vez aplaudido de pé pelo público, e Stella pudessem deixar o Canecão com calma, sem passarem pela confusão pós-show dos camarins. Também apresentado no sábado e no domingo, "Para Caymmi de Nana, Dori e Danilo - 90 Anos" foi filmado por uma equipe encabeçada pelo fotógrafo Walter Carvalho ("Carandiru", "Lavoura Arcaica"), para se tornar um DVD. O show será apresentado no Tom Brasil, em São Paulo, nos próximas dias 21 e 22. (© Folha de S. Paulo)
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