|
05-06-2008
Filhos de Glauber Rocha participam de homenagem ao pai Marcia Carmo BUENOS AIRES - Quase 24 anos após a morte de Glauber Rocha, os argentinos debatem a influência do seu trabalho no cinema da América Latina. Glauber Rocha, da fome ao sonho - obra, política e pensamento é o nome da mostra realizada no Museu de Arte Latino-Americana, o Malba. Idealizador da retrospectiva, Eduardo Costantini Filho, 28 anos, diretor executivo do Malba, diz que a Argentina tinha essa dívida com o diretor de Terra em transe.- Faltava na nossa biografia uma exposição completa do trabalho desse gênio que revolucionou o cinema na América Latina - diz Eduardo, filho do dono do museu, Costantini, que nos anos 90 ficou conhecido no Brasil por pagar uma cifra milionária pelo quadro Abaporu, de Tarsila do Amaral. Quem sai do salão onde estão as fotos dos cartazes dos filmes de Glauber - cujos ingressos esgotaram no primeiro dia - depara-se logo com o quadro da artista paulista modernista. - Não sei muito sobre Glauber. Mas, para mim, ele é tão importante quanto Tarsila, Lygia Clark e Hélio Oiticica. Eles buscaram a identidade latina - resume o dono do Malba, cujo filho é um apaixonado pela trajetória de Glauber: - Era um cineasta radical que tentou unir a América Latina através da arte como resistência à cultura importada. A idéia da exposição, em cartaz até 17 de maio, é apresentar Glauber às novas gerações e reapresentá-lo àqueles que, como Eduardo Costantini, o pai, não chegaram a conhecê-lo. A filha mais nova de Glauber, Ava, de 25 anos (que tinha 2 quando Glauber morreu, em 1981), anfitriã na inauguração da mostra, disse que essa é a mais ampla exposição já feita em torno do cineasta. São 15 filmes, entre curtas e longas, fotos e textos. Essa é também a primeira exposição de um cineasta realizada pelo Malba, um endereço cada vez mais conhecido não só pelas obras de arte que expõe, mas pelo sucesso de suas salas com projeção de filmes que marcaram a história do cinema. A retrospectiva de Glauber reúne fotos tiradas por sua última mulher, Paula Gaitan, e originais de roteiros que jamais saíram do papel. Entre eles, O senhor dos navegantes, que foi o primeiro, e O destino da humanidade, o último da sua vida. Além de especialistas, os organizadores convocaram dois filhos do artista para falar sobre o trabalho do pai: Eryk Rocha e Pedro Paulo Rocha. Eryk participou de uma das mesas de debate sobre a trajetória do autor de Deus e o diabo na terra do sol. Diretor do curta Quimera, selecionado pelo Festival de Cannes - que começa no dia 12 - o cineasta Eryk Rocha, 26 anos, espera que a obra não fique limitada ao escurinho do cinema. Quimera, que será exibido amanhã no Malba, é um curta em 16 minutos realizado no Rio com roteiro do artista plástico pernambucano Tunga e sons de estradas, cidades, gatos e Villa-Lobos. - O filme é quase um cinema-instalação e o texto surge a partir da imaginação do espectador - define Eryk, para quem Quimera é uma produção sobre a realidade de um sonho, uma poesia. A mãe de Eryk é a cineasta Paula Gaitán e ele reconhece que recebeu mais influências artísticas da mãe do que do pai. - Eu tinha 3 anos quando meu pai morreu. Então, apesar de conhecer todo o trabalho dele, tive influência direta da minha mãe, artista plástica e cineasta. Nos anos 60, Glauber também uniu artes plásticas e cinema. Na época, ele participou da instalação Tropicália , de Hélio Oiticica. Contemporâneo de Oiticica, Tunga acabou fazendo Quimera a quatro mãos com Eryk. - Ninguém procurou ninguém. Tinha que ser - diz Eryk. Para ele, Quimera exibe um novo olhar sobre a união das artes plásticas e o cinema. Realizado durante sete meses, conta com imagens realizadas na casa de Tunga, na Barra, e externas. A direção de produção e montagem é de Ava, também filha de Paula. Quando perguntado sobre as chances de Quimera levar a Palma de Ouro, Eryk diz: - Festival é quase uma loteria, a cada ano muda o jurado. Não faço filme para ganhar prêmios, mas para usar a criatividade. Mas se o prêmio acontecer, vai ser bom. (© JB Online) Curta de Glauber dribla proibição e ganha a internet Proibido no Brasil, o polêmico Di Cavalcanti Di Glauber, com imagens do velório e enterro do pintor, chega à rede por meio de um provedor norte-americano. A iniciativa é do sobrinho do cineasta São Paulo - Proibido de ser exibido no Brasil há 25 anos, o polêmico curta-metragem Di Cavalcanti Di Glauber, do cineasta brasileiro Glauber Rocha, que mostra o velório e o enterro do pintor Di Cavalcanti, morto em 1976, está sendo exibido na internet, no site www.dicavalcantidiglauber.us, desde o último domingo. Não é a primeira vez que o filme, de 18 minutos, vai ao ar na rede. Mas, nas anteriores, tanto a imagem como o som eram de péssima qualidade. Agora, é um sobrinho de Glauber, João Rocha, o responsável pela disponibilização do material, recuperado digitalmente, no provedor norte-americano, numa estratégia para driblar a justiça brasileira. "É uma forma de desfazer essa injustiça, pois o filme é exibido livremente no mundo inteiro, menos no Brasil," explica Rocha. Por conta dos muitos acessos, o site chegou a sair do ar, hoje. Mas Rocha avisa que já está pedindo ao provedor uma banda maior para atender a todos os cliques. Acontece que o filme está proibido de ser exibido no Brasil desde o ano de lançamento, 1979, quando a filha do pintor, Elizabeth Di Cavalcanti, conseguiu uma liminar de apreensão das cópias do curta, seguida de um processo contra a Embrafilme, produtora do filme. Apesar disso, Di é exibido em outros países sem problema algum. "Analisando o processo em conjunto com um grupo de colegas, busquei uma maneira de liberar a exibição do filme para o público brasileiro. Com o site locado em território norte-americano, não há problema", disse Rocha, que está surpreso com a repercussão da divulgação do filme na internet e considera injusto "uma única pessoa proibir toda uma pátria de assistir a um filme". Filmado em outubro de 1976, logo após o retorno de Glauber dos Estados Unidos, o documentário, cujo título original, tirado de um poema de Augusto dos Anjos, era Ninguém Assistirá Ao Enterro Da Tua Última Quimera, Somente A Ingratidão, Aquela Pantera, Foi Sua Companheira Inseparável!, ficou conhecido como Di Cavalcanti Di Glauber, ou apenas Di, e recebeu o Prêmio Especial do Júri do Festival de Cannes, em 1977, que foi presidido pelo cineasta Roberto Rosselini, amigo do pintor. A primeira exibição do filme no Brasil foi em 11 de março de 1977, na Cinemateca do MAM, no Rio de Janeiro, quando foi distribuído o texto Di (Das) Mortes, em que Glauber afirmava: "Filmar meu amigo Di Cavalcanti, morto, é um ato de humor modernista-surrealista que se permite entre artistas renascentes: Fênix/Di nunca morreu." O lançamento oficial aconteceu em 11 de junho de 1979, no Rio, quando sua exibição foi proibida pela justiça, a pedido da filha do pintor, Elizabeth, que considerou o trabalho desrespeitoso à imagem de seu pai. ( Patrícia Junqueira)(© estadao.com.br) Conheça o curta Di Cavalcanti Di Glauber
|
||
|
||
© NordesteWeb.Com 1998-2004