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Marco Maciel toma posse na cadeira 39 da ABL

05-06-2008

Senador pernambucano Marco Maciel é empossado ma ABL

Senador tornou-se imortal em solenidade prestigiada por políticos

   RIO - A posse do senador Marco Maciel (PFL-PE) na Academia Brasileira de Letras (ABL), ontem à noite, tornou-se um acontecimento político em virtude do grande número de representantes de partidos que compareceram à festa. O vice-presidente da República, José Alencar (PL-MG), o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), também acadêmico, o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), o governador de Sergipe, João Alves (PFL), o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), o prefeito do Rio, César Maia (PFL), o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e os deputados federais Moreira Franco (PMDB-RJ) e Inocêncio de Oliveira (PFL-PE) estavam presentes. Também estiveram na solenidade o cardeal arcebispo do Rio, dom Eusébio Scheid, e dona Lili Marinho, viúva do empresário Roberto Marinho, a quem Maciel sucedeu na cadeira número 39 da Casa de Machado de Assis.

   "É uma dupla emoção suceder a Roberto Marinho, que foi mais que um empresário, um homem público, e ao fundador dessa cadeira, o historiadorOliveira Lima, que além de tudo é meu conterrâneo", disse o senador, pouco antes da cerimônia em que foi saudado por outro conterrâneo, o acadêmico Marcos Vilaça.

   Em seu discurso de posse, Marco Maciel destacou seu orgulho e honra em fazer parte da instituição. O senador observou uma "característica comum" entre os indicados à cadeira 39 ao longo da história. "Pairando acima da formação intelectual dos seus ocupantes, desvela-se uma estirpe de homens públicos, porque todos atentos à res publica, res populi".

   No início de sua mensagem à Academia, Marco Maciel admite a existência de um "ufanismo pernambucano", surgido no século XVII com a expulsão dos holandeses e forjado na Guerra dos Mascates e nas revoluções de 1817 e 1824. "Temos, portanto, ali e acolá, razões de sobra para nos orgulhar de nossa pernambucanidade, palavra inventada pelo mestre Gilberto Freyre para caracterizar o nativismo de Pernambuco, tão precisamente interpretado por Oliveira Lima".

   Maciel nominou e citou principais obras e colaborações de todos que o antecederam na cadeira: os "renomados historiadores" Oliveira Lima, Alberto de Faria, Rocha Pombo e Rodolfo Garcia, e os "acatados jornalistas" Elmano Cardim, Otto Lara Resende e Roberto Marinho. O jornalista fundador das Organizações Globo é visto por Maciel como "um homem público", mesmo sem ter se envolvido com atividades políticas, num conceito que abarca todos os que exercem funções ligadas à coletividade. Maciel enumera todas as realizações empresariais de Roberto Marinho, além de suas iniciativas no campo da educação e da cultura.

   Ao final, Marco Maciel cita os 22 pernambucanos que já fizeram parte da Academia, como menção especial a Austregésilo de Athayde, caruaruense que presidiu a instituição por muitos anos. "Perpassado de emoção - glória que jamais teriam sonhado os mais elevados devaneios de infância -, aqui estou num dos momentos mais fascinantes de minha vida, envergando o fardão, ostentando o colar e empunhando a espada", afirmou.

   O discurso se encerra com uma paráfrase de Norberto Bobbio, ao considerar-se um homem de sorte. "Sorte pela família na qual nasci. Sorte pela família que Anna Maria e eu construímos, mais méritos de minha mulher do que meus. Sorte pelos professores que tive, pelos amigos que tenho e também por ter nascido no Recife, tesouro dos meus sonhos. Sorte por esses anos aos quais chego, limado pelo tempo, mas plenamente motivado para exercitar a conviviabilidade acadêmica".

(© Pernambuco.com)


Pernambuco agora tem quatro imortais

Como é de praxe, o fardão verde com ornamentos dourados foi doação do Governo do Estado. No discurso de posse na cadeira 39, Marco Maciel não negou um sentimento de ufanismo pela sua ‘pernambucanidade’

FLÁVIA DE GUSMÃO
Enviada especial

   RIO DE JANEIRO – Uma noite de elegância – o traje era rigor – numa das mais tradicionais instituições nacionais – A Academia Brasileira de Letras (ABL) – deu um colorido especial ao Rio de Janeiro, revivendo um glamour de outras épocas. A posse do senador pernambucano Marco Maciel, ontem, na cadeira de nº 39, que antes era ocupada pelo jornalista Roberto Marinho, ex-presidente das empresas do grupo Globo, começou pontualmente às 21 horas com a presença de inúmeras personalidades do mundo político, intelectual e empresarial do País. O vice-presidente da República, José Alencar, os governadores Jarbas Vasconcelos e João Alves, o prefeito do Rio, César Maia e o presidente do Sistema JC de Comunicação, João Carlos Paes Mendonça, foram algumas delas.

   A vitória de Marco Maciel na Academia Brasileira de Letras, em dezembro passado, vem aumentar o número de imortais pernambucanos na ABL, também conhecida como a Casa de Machado de Assis. Até então, o Estado contava com os nomes do gramático Evanildo Bechara, do ministro Marcos Vilaça e do escritor Ariano Suassuna, que, apesar de ser da Paraíba, tem toda a sua vida e obra caracterizadas por ‘razões’ e referências, sobretudo, de Pernambuco.

   O discurso de saudação foi proferido pelo conterrâneo Vilaça. A vida política do novo imortal – sua principal área de atuação – foi exaltada como exemplo de dignidade, correção e dedicação, não sem uma pitada de humor. “São clássicos dois bordões das suas conversas: ‘Quem tem prazo não tem pressa’ e ‘Fique atento, pode acontecer tudo, inclusive nada’”. Citando o escritor Luís Otavio Cavalcanti, Vilaça observou o “modo perdulário com que Marco Maciel gasta silêncio, sem deixar de ser um crente na alquimia da conversa. Integra, entre os pernambucanos, a cota dos moderados na política”, elogiou.

   Trajado com o fardão verde com ornamentos dourados, presenteado pelo Governo de Pernambuco, Maciel foi conduzido à mesa do discurso pelos acadêmicos Ana Maria Machado, Evanildo Bechara e Afonos Arinos. Em seu discurso, ele não negou um sentimento de ufanismo pela sua ‘pernambucanidade’, por um povo que sempre lutou contra a opressão. “Temos razões de sobra para nos orgulhar de nossa pernambucanidade, palavra inventada pelo mestre Gilberto Freyre para caracterizar o nativismo de Pernambuco, tão precisamente interpretado por Oliveira Lima”, afirmou.

   “Ao cumprir o rito de entrada, passo a desfrutar da honra de sentar-me entre vós. Esta Casa desde seu nascimento mantém-se fiel aos elevados propósitos de guardar a cultura da língua e da literatura nacional, conservar a tradição sem abandonar-se à rotina, viver imersa na história das transformações que se operam no Brasil e no mundo. Expresso, por essas razões, a gratidão, testemunho pleno de minha consciência e cálido sentimento de meu coração, pela generosa acolhida que me dispensastes, estimados acadêmicos, ao incorporar-me, de maneira tão desvanecedora, ao vosso convívio”. O discurso foi muito aplaudido e Maciel recebeu abraços calorosos de 24 dos 37 acadêmicos presentes. Maciel assinou o livro de posse, recebeu o colar, a espada, o diploma, ritual de praxe para ser considerado empossado na Academia.

   O governador Jarbas Vasconcelos mostrou-se muito entusiasmado. “Foi muito importante a visibilidade que esta posse de Maciel deu ao Estado de Pernambuco. Devemos destacar que o senador disse que aceitou esta vaga na Academia Brasileira de Letras por Pernambuco.” O governador ressaltou que foi um prova de prestígio político de Maciel, pois a sede da ABL, no centro do Rio, ficou lotada.

(© JC Online)

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