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Toulose Lautrec é
um dos mestres homenageados por Romero de Andrade Lima |
Tatiana Meira
Da equipe do DIARIO
As pinceladas rápidas e repetidas que caracterizam a
pintura impressionista criam formatos e nuances de cor, simbolizando objetos
quando olhados à distância. Grandes mestres deste período artístico são
homenageados em meio a cenas das duas cidades mais importantes de Pernambuco
em Impressões sobre Recife e Olinda, exposição de telas de Romero de Andrade
Lima, que será aberta hoje, às 20h, no restaurante Maison do Bonfim, em
Olinda.
Os trabalhos, novos quadros de uma série sobre
o mesmo tema iniciada há alguns anos, trazem momentos cotidianos, livremente
baseados nos universos de pintores como Vicent Van Gogh, Edgar Degas, Henri
Matisse e Claude Monet. Até mesmo ao paisagista recifense Jerônimo Telles
Júnior, que possui parte de seu acervo na coleção permanente do Museu do
Estado, e é conhecido como o mais impressionistas entre os artistas
pernambucanos, ganhou sua homenagem em O Ateliê da Mata. "É a nossa versão
do impressionismo. Quis mostrar que os pintores iam para a mata, com suas
modelos, para pintar a natureza", reforça Romero de Andrade Lima.
Os tons amarelos predominam em Moça com Jarro
de Girassóis, relacionada ao imaginário de Van Gogh. Em Império do Sol
Poente, o poético pôr-do-sol recifense remete ao Império do Sol Nascente, de
Monet. O clima de tributo está também nos quadros que recriam o ambiente dos
cabarés franceses, com casais dançando e outros observando, a exemplo dos
trabalhos de Toulose Lautrec, ao passo que Mãe e Filho Na Praia lembram as
cores fortes do verão nordestino ou ainda as obras de Paul Gaugin. As
delicadas bailarinas de Degas são representadas do ângulo de quem está nas
coxias de um teatro em Antes de Entrar em Cena.
A inspiração para a primeira série surgiu
quando o ateliê do artista funcionava no terceiro andar de um sobrado no
Bairro do Recife (atualmente fica em Casa Forte). De lá, da sacada de seu
recanto de trabalho, Romero de Andrade Lima partiu para um exercício
criativo, ao comparar o espaço urbano que o cercava e que - nos traçados das
ruas ou nos detalhes daornamentação das edificações - fazia referência
direta à Paris do final do século XIX e princípio do século XX.
A mostra faz parte das comemorações de
aniversário de oito anos do Maison do Bonfim, que sempre reservou espaço
para as artes plásticas em suas paredes e já abrigou outras exposições do
artista. "Acho legal a iniciativa do restaurante, porque os freqüentadores
vão até lá para almoçar ou jantar e apreciar a arte passa a fazer parte de
seus cotidianos. Já sou freguês da casa", brinca Romero. Até o final de
maio, o Maison também recebe outros chefs de cozinha, para brindar os
clientes assíduos com pratos preparados por Saburó Matsumoto, do Quina do
Futuro, o francês Robin Chevalier e Séphora Ferreira, com comidas mexicanas.