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01/06/2004
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Virgulino Ferreira da
Silva, o Lampião
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Augusto
Pinheiro
Da equipe do DIARIO
Uma simples foto, que o escritor Roberto Tapioca viu no Mercado São
José, de Lampião e Maria Bonita com dois cachorros, deslanchou o projeto
pessoal que virou o livro Lampião - O Mito (edição do autor).
"Comecei
a querer saber os nomes dos cachorros e da revista que aparece nas mãos de
Lampião", conta Tapioca. Ao iniciar sua pesquisa, o representante comercial
viu crescer sua paixão pelo assunto e resolveu coletar dados para um livro.
"Eu deixei de lado o banditismo dos cangaceiros. Falo da vida de Lampião sem
tocar nesse tema", diz. Assim, o livro, como o próprio título revela, traz
uma visão mítica do ícone nordestino. A intenção do autor, ao optar por esse
enfoque, é transformar a publicação em um "suvenir" para os turistas. "Como
a fita do Nosso Senhor do Bonfim, na Bahia, quero que os visitantes levam de
recordação uma parte da história de Pernambuco".
Para colher as informações do livro, que traz
passagens da vida e curiosidades sobre o rei do cangaço e de seu bando,
Tapioca realizou pesquisas em livros e viajou pelo interior do Estado. Ele
revela, entre outros acontecimentos, como Lampião ficou cego de um olho,
como conheceu Maria Bonita, a biografia e a origem dos apelidos dos dois,
como era o dia-a-dia dos cangaceiros, como foi sua morte etc.
Na cidade-natal de Lampião, Serra Talhada, no
Sertão pernambucano, ele visitou a Fundação de Cultura Cabra de Lampião. Lá
encontrou os óculos redondos de Lampião, com o qual tirou uma fotografia
para o livro. A certidão de nascimento do cangaceiro, também parte do acervo
do museu, é reproduzida na publicação. Tapioca viajou ainda pelo interior de
Alagoas, Mossoró (RN) e Petrolina (PE), onde visitou o Museu do Sertão.
De cada livro que leu, Tapioca conta que
extraiu apenas "três ou quatro coisas", pois não queria ser repetitivo. Em
Lampião - O Mito, ele aborda o episódio do encontro de Abrahão Benjamin
Boto, conhecido como "O Árabe", com o bando de Lampião. Ele passou seis
meses como grupo para registrar o cotidiano dos cangaceiros -fotografou e
escreveu um diário. O material se tornou fundamental para os estudos sobre o
tema (é a base do roteiro do filme O Baile Perfumado, de Lírio Ferreira e
Paulo Caldas). Outro capítulo conta um pouco a história do
cangaceiro-compositor Antônio dos Santos, mais conhecido como Volta Seca, e
apresenta as letras de suas canções, como as famosas Mulher Rendeira e
Acorda Maria Bonita.
O livro, que tem 112 páginas e custa R$ 12,00,
traz ainda um vocabulário, com o significado de termos do cangaço, os nomes
dos cangaceiros que passaram pelo bando de Lampião, fotos e bibliografia. A
propósito, os nomes dos cachorros da foto que originou o trabalho, e que
está no livro, são Ligeiro e Guarani, e a revista se chama A Notícia. O
livro pode ser adquirido pelo tel. 3431-2373.
(©
Pernambuco.com)
| Justiceiro ou vilão do cangaço? |
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Gibi baiano analisa crimes de Lampião com base em pesquisas
acadêmicas Rodrigo Fonseca
Em um país cujo modelo de herói costuma ser um tipo sem caráter
como Macunaíma, personagem de Mario de Andrade, não espanta que
símbolos do banditismo social, como Lampião, virem tema de HQ. E
muita gente, sobretudo nos anos 70, fez do rei do cangaço tema de
gibi. Mas Sertão vermelho, dos baianos Haroldo Magno, 35
anos, e Edvan Bezerra, 36, tem um diferencial.
Em vez de inventar tramas ficcionais
edulcoradas para o personagem, como é de praxe, os quadrinistas
usaram estudos acadêmicos sobre Lampião para compor uma obra que
reflete o cangaço.
- Não há como pensar a história do Nordeste no
século 20 sem incluir o cangaço - afirma o desenhista Edvan.
Ele e Haroldo mergulharam em pesquisas de
diferentes universidades brasileiras sobre Virgulino Ferreira
(1897-1938), mítico líder de um bando que enfrentou a ordem
vigente em um Nordeste vinculado a grandes proprietários rurais.
Perceberam que há quem defenda Lampião, definindo-o como um
justiceiro que desafiou a hegemonia dos coronéis. Outros o
descrevem como um ''cabra da peste'' que espalhou violência pela
região sem dó ou piedade.
- Os relatos mostram que Lampião era mau para
gente de bem e pior ainda para quem agia de má fé - diz Edvan.
Com todas as referências, a dupla de artistas
preferiu traçar uma visão dialética que comportasse essas duas
perspectivas, descrevendo no roteiro do quadrinho o trajeto
percorrido por Lampião por meio das caatingas. Sertão vermelho
começa com um sangrento embate com a polícia em Pernambuco em 1925
e termina com sua morte, em julho de 1938, em Angicos, Sergipe.
- Tentamos seguir a orientação dos estudiosos,
para sermos realistas na descrição - diz Edvan, que prepara a
continuação do quadrinho, narrando os mesmos fatos pelo viés dos
policiais.
Os desenhos da HQ, que teve tiragem de 500
exemplares apoiada pela prefeitura de Paulo Afonso (BH), têm
traços inspirados em mestres da HQ nacional, como Flávio Colin e
Eugenio Colonnese, num assumido tributo. A capa é assinada pelo
genial desenhista Júlio Shimamoto. Sem distribuidor, Sertão
vermelho é vendido pelos próprios autores, pelos telefones
(75) 281-3297 ou (75) 281-2216. O gibi custa R$ 10.
(©
JB Online)
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Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)
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