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Entrave compromete liberação de forte

05-06-2008

 

   Há um ano e cinco meses ele está restaurado, pronto para ser entregue à população e à visitação dos turistas que visitam o município. Nada acontece, no entanto, de lá para cá. O Forte de Pau Amarelo, em Paulista, que passou 12 meses por um trabalho de revitalização de toda sua estrutura, encabeçado pela fundação Centro de Estudos e Produção da Cultura (Cecut), está agora no meio de um entrave e sem prazo para perder de uma vez por todas os tapumes que o cercam.

   A questão é que falta verba para levar à frente uma prospecção arqueológica solicitada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na frente e na parte lateral do forte. Sem a prospecção, a Prefeitura de Paulista não está autorizada a dar início ao projeto de urbanização previsto para a área vizinha ao monumento. Por outro lado, sem essas melhorias, o Cecut também não concorda em entregar o patrimônio, sob alegação de evitar novas depredações.

   A coordenadora do Cecut, Graça Melo, explica que em 2000 encontrou o forte totalmente abandonado e depredado. "Na época, fizemos um projeto e apresentamos ao então deputado Pedro Eugênio. Através de uma emenda dele na Câmara Federal, conseguimos um recurso de R$ 80 mil para iniciar as obras", lembra. Segundo ela, o processo de restauração contou com o apoio do Iphan, que aprovou o projeto por se tratar de um bem tombado, e da Prefeitura, que ficou de levar à frente a urbanização da frente e das laterais do forte.

   ORÇAMENTO - Os problemas começaram quando os custos da restauração começaram a ultrapassar os R$ 80 mil enviados. "Completamos do próprio caixa do Cecut mais R$ 40 mil para concluir o processo. A Prefeitura ficou de dar uma contrapartida de R$ 20 mil, mas isso não foi feito", lamenta Graça. "Durante todo esse tempo, não pudemos tirar os tapumes do forte por causa da depredação. Acreditamos que a revitalização só acontecerá se a área tiver um uso, com disciplinamento do comércio e aproveitamento das oito salas existentes no interior do forte", defende.

   Graça diz que precisa custear dois vigilantes para permanecerem no local e gasta com isso R$ 1.200 mensais. "Não tenho mais como manter a situação. Estou encaminhando pedido de verba para a prospecção junto ao BNB, mas caso não consiga pretendo entregar à União todo o trabalho pronto".

(© Pernambuco.com)


Solução a longo prazo

   Um fim pacífico para a polêmica que cerca o Forte de Pau Amarelo não vai ser um desdobramento natural. Segundo o superitendente regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Frederico Almeida, a prospecção e a urbanização deveriam ser bancadas pela Prefeitura. "Se os tapumes forem tirados, a população depreda o bem, como fazia antes. É preciso dar um uso à área". Almeida disse que o Iphan também está tentando viabilizar recursos junto ao Ministério da Cultura para dar início à prospecção.

   O projeto prevê a instalação no forte de um posto da Polícia Militar, uma sala de exposição e venda de artesanato, uma outra para a administração, um museu com biblioteca e videoteca, uma sala para exposição temporária de artistas plásticos, outra para atendimento ao turista e um banco. "Ainda não começamos a urbanização porque o forte não foi entregue", rebate o secretário de Turismo, Cultura e Esportes de Paulista, Fabiano Mendonça.

   O secretário acrescentou que o órgão responsável pela reforma precisa apresentar o documento comprovando que a Prefeitura participaria com R$ 20 mil na finalização do restauro do monumento. "Não tenho conhecimento disso". Mendonça acrescentou que, até dezembro, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) estará concluindo a primeira etapa de uma série de prospecções na cidade, considerada um sítio histórico importante. O secretário, no entanto, não soube dizer quando o forte passará por uma avaliação do tipo. Atualmente, a parte de trás da edificação já sofre o desgaste do tempo e o provocado pela própria população. No local há colagem de cartazes, além de pichação e lodo.

   O Forte de Pau Amarelo foi construído pelos portugueses no século XVIII, com a finalidade de proteger a abertura dos arrecifes que existentes na área.

(© Pernambuco.com)

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