Há um ano e
cinco meses ele está restaurado, pronto para ser entregue à população e à
visitação dos turistas que visitam o município. Nada acontece, no entanto,
de lá para cá. O Forte de Pau Amarelo, em Paulista, que passou 12 meses por
um trabalho de revitalização de toda sua estrutura, encabeçado pela fundação
Centro de Estudos e Produção da Cultura (Cecut), está agora no meio de um
entrave e sem prazo para perder de uma vez por todas os tapumes que o
cercam.
A questão é que falta verba para levar à
frente uma prospecção arqueológica solicitada pelo Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na frente e na parte lateral do
forte. Sem a prospecção, a Prefeitura de Paulista não está autorizada a dar
início ao projeto de urbanização previsto para a área vizinha ao monumento.
Por outro lado, sem essas melhorias, o Cecut também não concorda em entregar
o patrimônio, sob alegação de evitar novas depredações.
A coordenadora do Cecut, Graça Melo,
explica que em 2000 encontrou o forte totalmente abandonado e depredado. "Na
época, fizemos um projeto e apresentamos ao então deputado Pedro Eugênio.
Através de uma emenda dele na Câmara Federal, conseguimos um recurso de R$
80 mil para iniciar as obras", lembra. Segundo ela, o processo de
restauração contou com o apoio do Iphan, que aprovou o projeto por se tratar
de um bem tombado, e da Prefeitura, que ficou de levar à frente a
urbanização da frente e das laterais do forte.
ORÇAMENTO - Os problemas começaram
quando os custos da restauração começaram a ultrapassar os R$ 80 mil
enviados. "Completamos do próprio caixa do Cecut mais R$ 40 mil para
concluir o processo. A Prefeitura ficou de dar uma contrapartida de R$ 20
mil, mas isso não foi feito", lamenta Graça. "Durante todo esse tempo, não
pudemos tirar os tapumes do forte por causa da depredação. Acreditamos que a
revitalização só acontecerá se a área tiver um uso, com disciplinamento do
comércio e aproveitamento das oito salas existentes no interior do forte",
defende.
Graça diz que precisa custear dois
vigilantes para permanecerem no local e gasta com isso R$ 1.200 mensais.
"Não tenho mais como manter a situação. Estou encaminhando pedido de verba
para a prospecção junto ao BNB, mas caso não consiga pretendo entregar à
União todo o trabalho pronto".
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Solução a longo prazo
Um fim pacífico
para a polêmica que cerca o Forte de Pau Amarelo não vai ser um
desdobramento natural. Segundo o superitendente regional do Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Frederico Almeida, a prospecção e
a urbanização deveriam ser bancadas pela Prefeitura. "Se os tapumes forem
tirados, a população depreda o bem, como fazia antes. É preciso dar um uso à
área". Almeida disse que o Iphan também está tentando viabilizar recursos
junto ao Ministério da Cultura para dar início à prospecção.
O projeto prevê a instalação no forte de
um posto da Polícia Militar, uma sala de exposição e venda de artesanato,
uma outra para a administração, um museu com biblioteca e videoteca, uma
sala para exposição temporária de artistas plásticos, outra para atendimento
ao turista e um banco. "Ainda não começamos a urbanização porque o forte não
foi entregue", rebate o secretário de Turismo, Cultura e Esportes de
Paulista, Fabiano Mendonça.
O secretário acrescentou que o órgão
responsável pela reforma precisa apresentar o documento comprovando que a
Prefeitura participaria com R$ 20 mil na finalização do restauro do
monumento. "Não tenho conhecimento disso". Mendonça acrescentou que, até
dezembro, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) estará concluindo a
primeira etapa de uma série de prospecções na cidade, considerada um sítio
histórico importante. O secretário, no entanto, não soube dizer quando o
forte passará por uma avaliação do tipo. Atualmente, a parte de trás da
edificação já sofre o desgaste do tempo e o provocado pela própria
população. No local há colagem de cartazes, além de pichação e lodo.
O Forte de Pau Amarelo foi construído pelos
portugueses no século XVIII, com a finalidade de proteger a abertura dos
arrecifes que existentes na área.
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