05-06-2008
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Cena de Suíte Habana que abre a ediçao 2004 do Cine Ceará:
documentário cubano inovador sobre a realidade do país comunista |
A
poucos dias do seu início, dia 23 de junho, o 14º
Cine Ceará acerta os últimos detalhes da mostra competitiva e dos eventos
paralelos. Este ano, destaque para a homenagem a Walter Salles, com uma
retrospectiva de seus longas, e para a exibição de filmes temáticos sobre a
reforma agrária
Patrícia Karam
da Redação
Mais uma vez os
longas-metragens cearenses ficarão de fora da mostra competitiva do Cine
Ceará - Festival Nacional de Cinema e Vídeo. A exemplo da edição passada,
nenhuma produção local está inscrita, de um total de 15 títulos. Esses
passarão pelo crivo de uma comissão ainda não está formada a três semanas do
início do Cine Ceará, que está marcado para o período de 23 a 29 de junho,
em diversos locais da cidade e no Interior do Estado. Por outro lado, esta
semana devem ser divulgados os curtas selecionados para a competição do
evento. A comissão, formada pelo cineasta Armando Praça, a jornalista Aurora
Miranda Leão e o produtor Tito Almejeiras, está às voltas com as obras
inscritas - 340 em vídeo e 117 em película. Entre os curtas, há 40
inscrições locais em vídeo e três em película. As produções cearenses não
selecionadas para a mostra competitiva participarão da mostra ''Olhar do
Ceará'', no Teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Além da
competição, que acontece no Cine São Luiz, os eventos paralelos complementam
a programação do festival, que chega a sua 14ª edição. A estréia nacional do
doscumentário cubano Suíte Habana e a retrospectiva de longas
do cineasta Walter Salles são os destaques desses eventos.
Uma das novidades este ano é a
exibição, entre 24 a 26 de junho, de filmes temáticos sobre a reforma
agrária. ''Essa programação faz parte de um projeto mais amplo. Por
intermédio de parceria com o Incra de Fortaleza e o Ministério do
Desenvolvimento Agrário/Mead, vamos realizar um curso de fotografia para 40
trabalhadores rurais de diversos assentamentos do Estado. Esse treinamento
será dado por Jânio de Freitas e tem caráter profissionalizante. Outros
estados já vêm realizando o curso'', explica Wolney Oliveira, diretor do
festival.
A retrospectiva Walter Salles, que
será agraciado com o troféu Eusélio Oliveira, vai abarcar os seis longas
dirigidos por ele até agora, desde sua estréia A Grande Arte
(1991) ao atual Diários de Motocicleta, passando por
Terra Estrangeira (1995), Central do Brasil (1998),
O Primeiro Dia (1999) e Abril Despedaçado (2002).
''Estamos tentando trazer também os curtas e documentários para televisão do
Walter Salles. Mas a vinda dele ainda não está confirmada'', diz Wolney. As
produções serão apresentadas no Espaço Unibanco, que também sediará a
exibição de cinco longas da fase mexicana de Luís Bu¤uel, pai do surrealismo
no cinema. Após uma passagem pelos Estados Unidos onde trabalhou no Museu de
Arte Moderna como dublador para a Warner Bros, Bu¤uel mudou-se para o
México, em 1946, onde permaneceu por duas décadas e realizou obras como
Os Esquecidos (1950). De acordo com Wolney, a organização está a
cargo do Consulado do México, que vai definir os títulos.
Além de Walter Salles,
já estão definidos os demais homenageados com o troféu Eusélio Oliveira, que
reconhece os grandes nomes do cinema ou aqueles que apóiam a produção
audiovisual: o produtor e diretor Wladimir de Carvalho, o ator e produtor
cultural Nonato Freire e o diretor de fotografia Ronaldo Nunes. Outra
programação definida é a mostra ''Um Amazonas'', com curtas de um minuto
produzidos entre os anos de 2002 e 2003 no Estado do Amazonas e reunidos em
uma mostra que já foi exibida nos Estados Unidos, no Canadá e no Rio de
Janeiro. ''Um Amazonas'' terá lugar no Cine Benjamim Abrahão da Casa
Amarela. Entretanto ainda não será dessa vez que acontece a reinauguração
oficial do espaço. ''Estamos programando para inaugurar em setembro, durante
as comemorações pelo 50 anos da Universidade Federal do Ceará (UFC)',
informa Wolney. A Casa Amarela, organizadora do Cine Ceará, pertende à UFC.
A abertura do Festival promoverá a
estréia no Brasil do premiado Suíte Habana, de Fernando Pérez.
''O filme fala da realidade cubana de forma inovadora. Sem utilizar
entrevistas, o diretor mostra as situações do dia-a-dia de diversos
personagens: um médico, um sapateiro, um pedreiro, etc'', conta Wolney, que
aproveitará o Cine Ceará para lançar Borracha para Vitória,
selecionado para o ''Doc Brasil'', projeto do Ministério da Cultura e da TV
Cultura (São Paulo), que financiou a produção de documentários. A obra de
Wolney aborda os ''soldados da borracha'', nordestinos que foram trabalhar
nos seringais do Amazonas durante a Segunda Guerra Mundial para garantir o
estoque de borracha para os exércitos aliados.
Wolney destaca outro evento paralelo
dentro do Cine Ceará: o Encontro da Federação Ibero-Americana de Produtores
Cinematográficos e Audiovisuais. O encontro acontecerá entre os dias 26 e 28
de junho, no Ponta Mar Hotel, com a participação de representantes de 10
países da América Latina mais Portugal e Espanha. A condução será do atual
presidente da FIPCA, o cubano Camilo Vives. Será a primeira vez que o evento
acontece no Brasil. ''O apoio é da Secretaria do Audiovisual do Ministério
da Cultura'', diz o diretor do Cine Ceará.
Na semana passada,
Wolney viajou a Brasília e ao Rio de Janeiro para acertar os últimos
detalhes do Festival. O orçamento total ainda não estava fechado, mas R$ 323
mil foram captados junto à Coelce e Avon pela Lei Jereissati (estadual).
Outros R$ 200 mil serão patrocinados pela Petrobras, via Lei Rouanet
(federal). ''É a segunda vez que a Petrobras nos patrocina. Durante o
governo Fernando Henrique Cardoso nunca conseguimos nada. Isso já é um
reflexo da política de descentralização da cultura efetuada pelo Governo
Lula. A Petrobras já está investindo em outros festivais fora do eixo
Rio-São Paulo, a exemplo de Pernambuco e Maranhão'', acredita Wolney. Outro
patrocinador pela Rouanet é a Cagece.
O Cine Ceará vai manter algumas iniciativas que fazem parte do evento, mas a
programação não foi fechada. ''Cinema nos Bairros'' e ''Cinema no Interior''
acontecem graças à parceria com o Sesc-Ceará. As credenciais para quem quer
assistir ao Cine Ceará começarão a ser entregues 15 dias do início do
evento. Serão trocadas por um quilo de alimento não-perecível em postos do
Sesc.
(© NoOlhar.com.br)
Cine Ceará 2004 divulga curtas selecionados.
Veja lista
A 14ª edição do Cine Ceará, que
acontece de 23 a 29 de junho, em Fortaleza, divulgou hoje os curtas em filme
(película) e vídeo selecionados para a Mostra Competitiva de Cinema e Vídeo
de Curta Metragem.
No total, foram inscritas 457
produções, das quais 340 curtas em vídeo e 117 curtas em película (filme).
Os selecionados foram avaliados por uma comissão formada pelo cineasta
Armando Praça, pela jornalista Aurora Miranda Leão e pelo produtor Tito
Ameijeiras.
Os filmes escolhidos pelo festival,
promovido pela Universidade Federal do Ceará, concorrerão ao Troféu Eusélio
Oliveira em diferentes categorias (Vídeo e Filme, Direção, Fotografia,
Edição, Roteiro, Animação, Trilha Sonora Original, Direção de Arte, Ator e
Atriz).
Veja a lista dos selecionados:
Curtas em filme (película)
- "Ópera Curta", de Marcelo Laffitte (ficção; RJ 12')
- "O Curupira", de Humberto Avelar (animação; RJ 11')
- "Filé com Fritas", de Murilo Santos (ficção; MA 6')
- "Infinitamente Maio", de Marcos Jorge (ficção; PR 19')
- "A História da Eternidade", de Camilo Cavalcante (ficção; PE 10')
- "Transubstancial", de Torquato Joel (ficção; PB 17')
- "A Moça que dançou depois de morta", de Ítalo Cajueiro (animação; DF 11')
- "Formigas", de Verônica Guedes (ficção; CE 18')
- "A Solidão dos dias difíceis", de Sandra Kraucher e Eduardo Ramos (ficção;
CE 17')
- "Riso das Flores", de Karla Holanda (ficção; CE 9')
- "Hansen Bahia", de Joel Almeida (documentário; BA 15')
- "Imensidade", de Amílcar M. Claro (ficção; SP 14')
- "Os Fiéis", de Danilo Solferini (ficção; SP 16')
- "A Lata", de Leopoldo Nunes (ficção; SP 16')
Curtas em vídeo
- "O Número", de Beto Bertagna (ficção; RO 12')
- "O Violento mundo dos animais", de Thiago Daniel (experimental; CE 5')
- "Esmola", de Tony Costa (experimental; CE 2'36")
- "Maternidade Escola (ou Fortaleza Terra da Luz)", de Pablo Assumpção
(experimental; CE 9')
- "O Menino e o Azul", de Ives Albuquerque e Michelline Helena
(experimental; CE 2')
- "George My Darling - Uma carta aberta ao Presidente Bush", de Emílio Galo
(documentário; RJ 8')
- "No Ritmo da Raça", de Paulo César Soares (experimental; SP 5')
- "O Futuro do Brasil", de Daniel Veloso (ficção; MG 2')
- "Uma Certa Noite Vazia", de Marcelo Mugnol (ficção; RS 7')
- "Bom dia, Maria de Nazaré!", de Bertrand Lira (documentário; PB 20')
- "Quase Diretor", de Adriano Lírio (ficção; RJ 6')
- "Desirella", de Carlos Eduardo Nogueira (animação; SP 11')
- "American Movie", de Guilherme Reis (ficção; MG 4')
- "Enquadros", de Ivo Lopes Araújo (experimental; CE 10')
(© Folha Online )
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