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Um trovador do contemporâneo

05-06-2008

Braulio Tavares: raras apresentações como cantor

 

Escritor e compositor paraibano mostra hoje aos recifenses sua rara performance de cantor

Júlio Cavani
Da equipe do DIARIO

   O terráqueo Braulio Tavares, criatura paraibana que aterrisa no Recife hoje para fazer um show no Arraial do Guaiamum Treloso, é ao mesmo tempo o maior especialista em literatura fantástica e ficção científica do Brasil e um dos principais compositores parceiros de Lenine e Elba Ramalho. Dono de uma imaginação sem limites, ele sabe tudo sobre O Senhor dos Anéis, assim como se considera um grande conhecedor da cantoria de viola nordestina. Essa soma de referências espaciais, mitológicas e regionais repercute em sua obra literária e também em suas músicas, que apresenta hoje em um raro momento de cantor que só acontece duas ou três vezes por ano.

   Para Lenine, Braulio escreveu músicas como Marco Marciano, O Dia em que Faremos Contato, Bundalelê e Na Pressão, mas o público não deve criar expectativas quanto a isso, simplesmente porque o compositor não consegue tocar todas essas canções. "Eu não sei tocar muitas das minhas músicas com Lenine, pois ele tem acordes que eu não alcanço", avisa, antes que alguém comece a exigir. "Eu tenho músicas só minhas, que escrevo há mais de 20 anos e nunca gravei. Só de cinco em cinco anos as pessoas escutam, pois faço no máximo três shows por ano em lugares diferentes. Há 15 ou 20 anos eu realmente vivia de música. Se naquele tempo houvesse a facilidade que existe hoje para se gravar um CD, com certeza eu teria feito vários discos".

   Como escritor, um ano depois de lançar a coletânea Páginas de Sombra: Contos Fantásticos Brasileiros, Braulio agora está trabalhando em três novos projetos, um livro sobre o romanceiro popular do Nordeste voltado para jovens, uma compilação de artigos escritos pra o Jornal da Paraíba e o livro-disco Radiotelepatia, que consiste de um romance de ficção científica que acompanha uma trilha sonora, produzida por Felipe Falcão.

   Ele admite que a veia literária está bastante presente em suas músicas, principalmente nessas que ele apresenta no show de hoje, mais ligadas à cultura da cantoria. "Gosto de fazer músicas descritivas. Uso aquele modelo tradicional com uma estrofe que se repete", detalha. Ele ainda não definiu muito bem o repertório pois quer sentir o clima da platéia, mas já adianta conteúdo de pelo menos quatro canções. Cordel do Juízo Final é "um cordel meio apocalíptico e pessimista sobre os rumos da sociedade brasileira". Balada para Robert Johnson "conta a história desse blueseiro, um negrinho do sul dos Estados Unidos, que era um gênio mas morreu com apenas 29 músicas". Caldeirão dos Mitos é a sua primeira música gravada profissionalmente por Elba Ramalho em 1980. E Reptagin, que fala "da influência do acaso sobre a vida humana".

   Braulio só gosta de ser apresentado como compositor e escritor, pois não se sente confortável quando dizem que ele é tradutor, roteirista, cantor, teatrólogo, dramaturgo, diretor, colunista de jornal e pesquisador da cultura popular, entre outras atividades que sempre desempenha, principalmente por encomenda. "Não é que seja mentira, mas fica parecendo que o cara ou é pretensioso ou é perdido e não sabe o que quer da vida. Não quero ser conhecido como um ex-roteirista do Sai de Baixo, por exemplo, pois minha especialidade não é o humor pra TV, mas sim a literatura e a cantoria de viola".

(© Pernambuco.com)


Justa homenagem a Canhoto

Publicado em 03.06.2004

MARCOS TOLEDO

   O 1º Panorama Recife de Documentários, que termina amanhã, apresenta no último dia os únicos médias-metragens pernambucanos da mostra. O primeiro, às 17h, Chico Soares: O Canhoto da Paraíba, de José Vasconcelos Vieira, é uma tardia mas justa e oportuna homenagem a um dos maiores violonistas da História do choro brasileiro.

   Recém-formado em Rádio & TV pela UFPE, José Vasconcelos pegou emprestado um dos modelos mais simples de câmera digital e saiu à caça de músicos, produtores e outras pessoas ligadas a Canhoto, em Pernambuco, São Paulo e no Rio de Janeiro. Para ir ao Sudeste, aproveitou uma viagem para um congresso e captou os depoimentos. O diretor realizou o trabalho com recursos próprios, motivado pela admiração que tem pelo artista e pela facilidade com a qual todos os personagens fazem questão de falar sobre o violonista.

   Pessoas como o músico e produtor Maurício Carrilho (sobrinho do flautista Altamiro) que resume muito bem o propósito do vídeo: “Canhoto deu uma contribuição para a música muito maior do que foi reconhecida. A música brasileira tem uma dívida muito grande com ele”, testemunha. O documentário tenta reparar um pouco desta lacuna com informações reveladoras como a discografia de Canhoto comentada pelo violonista Nuca.

   Apesar das limitações técnicas, Chico Soares atinge em cheio seu objetivo de deixar como legado um registro que resume a carreira do músico – que já não toca devido a uma isquemia sofrida em 1998 – e define muito bem sua importância para a música brasileira por meio de depoimentos de nomes importantes do meio a exemplo de Paulinho da Viola, César faria, Hermínio Bello de Carvalho, Luís Nassif, Fernando Faro, Henrique Annes, e vários outros.

   Basta citar que Paulinho da Viola – o diretor também possui este depoimento, mas não o colocou na edição de 30 minutos que será apresentada amanhã – admite que resolveu começar a tocar profissionalmente depois que assistiu a uma apresentação de Canhoto na casa de Jacob do Bandolim, no Rio, em 1959. Esta e outras declarações integram a edição ‘do diretor’, com 55 minutos, que deve ser veiculada na TV Cultura, que cedeu boa parte das imagens de arquivo, como as apresentações de Canhoto, Paulinho e seu pai, César Faria, no programa Ensaio.

(© JC Online)

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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