05-06-2008
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Haroldo Barros. Sem título, década de 60.
Acrílica sobre madeira |
Galeria de fotos |
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Galeria Marcantonio Vilaça inaugura a mostra Arte em Construção,
com curadoria de Moacir dos Anjos
DIANA MOURA BARBOSA
Os pernambucanos se deparam de novo com o fantasma do
construtivismo, que ronda constantemente a arte brasileira, sendo
reabilitado de tempos em tempos. Depois de conferir o Panorama da Arte
Brasileira, exposição montada pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo
(MAM-SP) e exibida pelo Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam),
agora é a vez da Galeria Marcantonio Vilaça (do Centro Cultural Bandepe),
puxar o fio da meada construtiva. Esse é mote da mostra Arte em
Construção, que tenta oferecer uma leitura capaz de conciliar as
tendências estéticas racionalistas e ‘passionais’, procurando uma saída
desse labirinto-armadilha que é o formalismo artístico. Organizada pelo
curador Moacir do Anjos, a coletiva será inaugurada hoje à noite.
Quando se fala da arte construtiva no Brasil – a maior parte do acervo
deixado por Marcantonio foi produzida por artistas do País –, fala-se
também de todas as relações, decantações e corrupções desse movimento de
pretensões universalistas. E é inegável que os brasileiros têm por hábito
antropofágico se apropriar de maneira autoral das referências d’além mar.
É a partir desse conjunto de mutações que devem ser percebidas as obras
que integram Arte em Construção. Moacir dos Anjos montou uma
exposição que aglutina obras cujo processo construtivo é evidente, salta
aos olhos, mas não é o único valor presente na concatenação da mostra. É
desse confronto de valores que se busca alcançar uma síntese
contemporânea. “A exposição quer fugir dos dois extremos, do racionalismo
ou do gestualismo puros. O que liga todos esses trabalhos é a importância
que o procedimento construtivo tem para sua elaboração. Mas as obras se
abrem para outras questões, que proporcionam o diálogo entre os interesses
formais e outros conteúdos, como a ética ou a ecologia, para citar dois
exemplos”, explica o curador.
Esse jogo de sentidos, entre o lado meramente formal e as sensações
evocadas pelas obras, é o fio de contemporaneidade que não só perpassa a
coleção de Marcantonio Vilaça como multiplica os significados dos
trabalhos apresentados. É o que acontce, por exemplo, com tela do pintor
paulista Fábio Miguez. A obra é um painel expressionista abstrato
edificado sobre dois pilares: uma estrutura de linhas geométricas e densas
camadas tinta empastada sobrepostas. O quadro deixa claro que sua força
está na estrutura, não apenas porque ela é construtiva, racional e
matemática, mas precisamente porque ela explode todos esses conteúdos para
fora da tela, para longe das quatro linhas programáticas que a delimitam,
criando um circuito de visão que abarca toda a parede na qual está
exposta, incorporando os elementos que estão ao seu redor. A tela de
Miguez utiliza a linha de montagem construtiva como uma engrenagem capaz
de moer seu próprio excesso racional.
Mesmo com todo esse rebatimento, presente não apenas na obra de Miguez,
o público não vai deixar de notar os procedimentos construtivos que
permeiam a mostra. Eles estão em cada canto. Embora alguns artistas
elencados pela curadoria fujam completamente de uma intenção racionalista,
a justaposição das obras termina por ressaltar e reforçar esse caráter dos
trabalhos. Por isso, na maioria das vezes, é preciso um esforço extra para
enxergar além da frieza poética da matemática. Mesmo que seja difícil, é
só por esse esforço que se pode sair da armadilha do racionalismo e se
perder no jogo de errâncias do labirinto contemporâneo, de preferência sem
o fio de Ariadne, para que se possa descer profundamente até outros
mecanismos da arte e se deparar, quem sabe, não com um fantasma, mas com
um Minotauro.
Serviço
Exposição Arte em Construção, com obras do acervo de Marcantonio Vilaça
e curadoria de Moacir dos Anjos. Galeria
Marcantonio Vilaça, no segundo andar do Espaço Cultural Bandepe – Av. Rio
Branco, 23, Bairro do Recife. Fone: 3224.1110. Mais informações no site:
www.culturalbandepe.com
(© JC Online)
Meio ambiente em
grande close up
A mostra Veracidade privilegia imagens de fundo ecológico feitas por
profissionais de todo o Brasil
Fotografias por uma boa causa. Esse é o mote da exposição Veracidade,
que será inaugurada amanhã, com um conjunto de imagens permeadas por
preocupações ambientais. Os trabalhos foram selecionados entre cenas
clicadas por profissionais de todo o País, num concurso realizado pelo
Ministério do Meio Ambiente e a agência alemã de Cooperação Técnica GTZ.
Três fotógrafos que atuam em Pernambuco integram a mostra: Beto Figueirôa
(do Jornal do Commercio), Alcione Ferreira e o alemão Hans Von
Manteuffel, que participa com duas obras.
Apesar da relevância do tema, ao privilegiar imagens de fundo
ecológico, a mostra se perde em seus aspectos estéticos. O conjunto de
fotografias apresentadas é irregular, com poucas imagens capazes de causar
impacto. As cenas dividem-se entre denúncias a situações de degradação
ambiental, valorização de cenários de cartão-postal e visões inusitadas do
cotidiano, como uma árvore frondosa fincada no meio de uma estrada de
asfalto ou as raízes de uma planta que descem entre as janelas de uma
casa.
Diante das fotografias, coloca-se o seguinte dilema: os conteúdos
éticos merecem ser abafados diante de imagens que supervalorizam criações
estéticas? E, por outro lado, será que num mundo tão saturado por imagens,
vale a pena dar a luz a mais uma fotografia se ela não é capaz de seduzir
o olhar e despertar a atenção para ser compreendida?
Essas perguntas extrapolam as obras escolhidas para Veracidade e
têm intrigado artistas e pensadores da arte contemporânea no mundo
inteiro. As pessoas interessadas no assunto podem buscar suas próprias
respostas na mostra em questão, em cartaz no Paço Alfândega, a partir de
amanhã. O Recife é a segunda capital do País a receber a exposição, que
iniciou no Rio de Janeiro. (D.M.B)
Serviço
Exposição Veracidade, no piso de eventos do Paço
Alfândega – Rua da Alfândega, 35, Bairro do Recife
(© JC Online)
Prêmios oferecem
bolsas e mostras para artistas
Funarte abre vagas para exposições em Brasília e Sesi/CNI disponibiliza
verba para produção artística
Artistas plásticos pernambucanos interessados em mostrar o trabalho em
outros Estados podem preparar os portfólios. A Fundação Nacional de Arte
(Funarte) abriu inscrições para as pautas das galerias Fayga Ostrower e
Espaço Marquise, no Complexo Cultural da Funarte, em Brasília. Além do
espaço da mostra, a instituição oferece R$ 1.000 para montagem das obras.
Os custos que excederem esse valor terão que ser integralmente bancados
pelos artistas, incluindo transporte.
As mostras, que integram o programa Atos Visuais, contemplam
apenas artistas das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, voltando
exclusivamente para profissionais que não tenham participado do projeto
Prima Obra 2003/2004. Essas são as únicas restrições, além das
orçamentárias, claro. Fora isso, o artista pode planejar exposições em
suportes tradicionais, meios eletrônicos, instalações, performances e tudo
o mais que a criatividade permitir. Vale, entretanto, observar as plantas
das galerias (com espaços internos e externos) e os equipamentos
disponíveis na Funarte, para não ter que arcar com ainda mais gastos. O
regulamento de Atos Visuais e as plantas dos espaços podem ser
conseguidos no site: www.funarte.gov.br e www.canalcontemporâneo.art.br.
Outras informações (0xx61) 223.2441 ou 226.9228. As inscrições até 30 de
junho.
Também estão abertas as inscrições para o Prêmio CNI Sesi Marcantonio
Vilaça para as Artes Plásticas (até 15 de julho, valor: R$ 30 mil). Para
concorrer deve-se escrever para Gerência de Cultura Sesi/DN – SBN Quadra 1
Bloco “C” Ed. Roberto Simonsen 10º andar, Brasília DF 70040-903.
Informações: 0800-610606.
(© JC Online)
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