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05-06-2008
Eduardo Bueno participa do documentário O Rochedo e a Estrela, de Kátia Mesel, revelando a figura misteriosa do arrendatário Fernando de Noronha RAFAEL GUERRA O jornalista e historiador Eduardo Bueno esteve no Recife e em Fernando de Noronha, na semana passada, para participar do documentário O Rochedo e a Estrela, de Kátia Mesel, que está em fase de gravação. O filme pretende contar a história dos judeus que vieram para o Recife, no período da ocupação holandesa no século 17, e que mais tarde saíram daqui fugidos para Nova Amsterdã, a atual Nova Iorque, e ajudaram a desenvolver a cidade norte-americana. Eduardo Bueno, um dos poucos historiadores ‘best-seller’ do País (sua série sobre a história do Brasil, com três livros lançados e previsão de mais quatro, vendeu cerca de 500 mil cópias cada um), participa do documentário falando sobre Fernando de Noronha, o primeiro arrendatário da ‘terra Brasilis’, e figura mais importante nos 12 primeiros anos do nosso País. Apesar da distância de mais de 100 anos entre Noronha e o período abordado no filme, (Noronha veio para o Brasil no início do século 16), Bueno vai fazer uma ligação histórica entre o homem que deu nome à famosa ilha e os judeus. “Fernando de Noronha era um cristão novo (judeu convertido ao catolicismo) e foi a primeira pessoa a manter negócios no Brasil. Seria uma forma de contextualizar a história dos judeus em Pernambuco, sem falar que Noronha ainda é uma figura misteriosa e pouco conhecida pelo povo”, explicou Eduardo Bueno. Eduardo se mostrou bastante entusiasmado em participar do Rochedo e a Estrela. “O Brasil não sabe nada sobre sua própria história. Sei que é um clichê o que vou dizer mas é verdade: é preciso conhecer o seu prórprio passado para poder construir o futuro. Acho que o audiovisual é um dos principais caminhos para podermos consertar este problema da ignorância histórica que existe no Brasil”, disse o historiador. (© JC Online) Mitos são desconstruídos no filme de Mesel O Rochedo e a Estrela, segundo Bueno, é uma ótima oportunidade de resgatar a história e colocá-la na boca do povo. “Assim como eu tinha certeza que meus livros fariam sucesso, sei que documentários históricos bem-feitos cairiam no gosto do povo. E não só no cinema, filmes históricos feitos para a TV, seriam um grande sucesso no horário nobre”, entusiasma-se o historiador. Segundo Bueno, ou as pessoas não sabem nada sobre a história nacional ou sabem sobre mitos que nem sempre correspondem à verdade. “O Rochedo e A Estrela é sobre o período holandês, um dos mais ricos e bem-documentados da história de Pernambuco. No entanto, muitas pessoas têm visões distorcidas do real. Dizer que uma colonização holandesa seria melhor que a portuguesa é uma tolice. Nassau foi um ótimo administrador, mas era um caso isolado. Ele era oposição à Companhia das Índias Ocidentais. O filme de Kátia pode ajudar a desmitificar certas coisas”, afirmou Eduardo Bueno.Um dos objetivos do documentário de Kátia Mesel é provar que no século 17 Recife estava para Nova Iorque, como Nova Iorque está para a capital pernambucana no século 21. Bueno diz que é “exatamente isso”. “Ou melhor, o Brasil era para os EUA o que os norte-americanos são hoje para o mundo. Nossa colonização começou 112 anos antes que a deles”, disse o historiador. Finalizando, Bueno afirmou ainda que ‘a imagem pode ser bem mais eficiente no resgate histórico do que os tradicionais livros”. Já foram colhidos os depoimentos que seriam realizados aqui no Brasil. Além de Eduardo Bueno, participaram o Chefe de Departamento de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco, Marcos Albuquerque, da diretora do Arquivo Judaico, Tânia Kaufman, e da historiadora Marieta Borges. Foram captadas imagens em Recife, Olinda, Igarassu, Itapissuma e Fernando de Noronha. Kátia Mesel viajou junto com a equipe para a Holanda, onde deve fazer mais imagens e colher depoimentos, e depois segue para Nova Iorque. O Rochedo e a Estrela, segundo a própria diretora, deve ficar pronto ainda este ano. (© JC Online)
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