05-06-2008
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Mauro Mota |
Obra poética completa inclui textos
inéditos
Augusto Pinheiro
Da equipe do DIARIO
A obra
poética completa do pernambucano Mauro Mota chega às livrarias em agosto a
partir de um projeto de Everardo Norões e Sônia Lessa, proprietários da
editora Ensol, que publica o livro em parceria com o selo da ABL (Academia
Brasileira de Letras). O casal já havia reunido os escritos do poeta em uma
edição patrocinada pelo Sindaçúcar, em 2002, mas restrita aos felizardos que
receberam os mil exemplares. "Agora, pela primeira vez, será lançada uma
obra comercial", conta a entusiasmada Sônia. O prefácio levará a assinatura
de Ivan Junqueira, presidente da ABL.
Para realizar a empreitada, a dupla fuçou
durante seis meses os arquivos da Fundação Joaquim Nabuco e da viúva do
escritor, Marly Mota, que é escritora e artista plástica. Apenas na Fundaj,
há cerca de 900 fotos e 14.000 documentos referentes ao poeta. "Por meio
desse material pudemos constatar a importância que Pernambuco tinha no
cenário nacional. Mota era um interlocutor do Estado e trazia pessoas e
idéias de outros lugares para o Recife", diz aeditora.
Ela ilustra a teoria com fotos em que Mota
aparece ao lado de personalidades como o presidente Juscelino Kubistchek, em
visita à residência do poeta, em Casa Amarela, e de escritores consagrados,
como o mineiro Murilo Mendes e o paraibano José Lins do Rego. Há ainda
registros da posse do pernambucano, vestindo o fardão, na Academia
Brasileira de Letras.
Apesar de fazer parte da pesquisa sobre o
trabalho do autor, as fotos não entram na edição. Mas, entre os documentos,
Sônia e Everardo encontraram textos inéditos -aproveitados no livro-,
correspondências e correções de provas de suas publicações. "Ele era muito
meticuloso e organizado", define Everardo.
Entre os inéditos está a 11ª elegia, que seria
uma continuação de Elegias, livro publicado originalmente em 1952, no qual
ele, já viúvo, escreveu dez poemas em homenagem à primeira mulher, Hemerite
Mota. Há ainda várias quadras, chamadas por Everardo de "poemas de
circunstância", cujos temas eram brincadeiras, família, amigos e a Academia
Brasileira de Letras. Entre as correspondências, há inúmeras cartas
recebidas do crítico literário Álvaro Lins, que sempre tratava o amigo com
um tom afetuoso. Sônia e Everardo pretendem um dia publicar esse correio.
No evento de lançamento do livro, programado
para a segunda quinzena de agosto, haverá uma homenagem às professoras do
ensino fundamental por meio da presença de ex-alunas de Mauro Mota que se
tornaram professoras. "Mauro era um elo entre o mundo intelectual e a
escola. Queremos resgatar também essa importância do professor", coloca
Sônia.
Um dos romances mais conhecidos do escritor,
Cajueiro Nordestino, inclusive, foi seu trabalho para o ingresso como
professor no Instituto de Educação de Pernambuco, onde lecionou de 1950 a
1971. Mauro foi também diretor da Fundação Joaquim Nabuco e editor do
suplemento literário do DIARIO DE PERNAMBUCO.
(© Pernambuco.com)
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